Telescópio Refrator E Refletor - telescópio. astronomia Ciência, refrator e refletor telescópio diagrama ...
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Como escolher entre telescópio refrator e refletor

Na prática, a decisão entre telescópio refrator e refletor depende mais do seu orçamento e do que você pretende observar do que de qualquer coisa técnica complicada. Vou explicar isso do jeito que eu aprendi, depois de anos passando frustração com equipamentos errados para o meu uso. O refrator usa lentes para curvar a luz. O refletor usa espelhos. Simples assim na teoria. Na prática, existem diferenças que fazem um ser melhor para determinado tipo de observador e o outro para outro.

Telescópio refrator e refletor: diferenças reais

Um refrator astronômico típico de entrada tem uma lente objetiva na frente e uma ocular atrás. A luz entra, passa pela lente, e é focada num ponto. O tubo é longo em relação à abertura. Um refrator de 80mm tem cerca de 400 a 600mm de comprimento focal, dependendo da razão focal. É um tubo fechado ou semi-fechado, o que ajuda a manter a optique estável termicamente, mas não evita completamente correntes de ar internas. Um refletor newtoniano, que é o tipo mais comum, tem um espelho primário côncavo na base do tubo e um espelho secundário plano que desvia a luz para o lado. O tubo pode ser mais curto porque o caminho óptico é dobrado. Um newtoniano de 150mm pode ter apenas 750mm de comprimento, enquanto um refrator de abertura similar seria muito mais longo. A abertura maior por preço menor é a principal vantagem do refletor.

Eu já tive um refrator achromático de 90mm e Passei meses achando que Saturno estava sempre borrado, até perceber que o problema era aberração cromática. As bordas dos planetas ficavam com um halo azulado que destruía o contraste. Troquei por um refrator apocrômato (APO) de 102mm com dupla lente de vidro ED, e a diferença foi absurda. O mesmo Saturno ficou nítido, com as divisões de Cassini realmente visíveis. Isso mudou minha compreensão do que é possível ver com equipamento refrator.

Quem deveria usar refrator

Refratores são melhores para observação lunar e planetária quando têm boa correção cromática. A óptica selada dentro do tubo é praticamente livre de manutenção. Você raramente precisa fazer colimação. O contraste é superior porque não há obstrução central — a luz chega diretamente ao foco sem passar por um espelho secundário no meio do caminho. O problema é o preço. Um bom refrator apocrômato de 100mm ou mais custa três a cinco vezes mais que um refletor de abertura equivalente. Um refrator de 80mm achromático baratinho é uma peneira. Se você não puder gastar pelo menos R$2.000 a R$3.000 num refrator decente, provavelmente vai ficar frustrado com imagens coloridas e sem definição.

Quem deveria usar refletor

Refletores entregam muita abertura por pouco dinheiro. Um newtoniano de 200mm pode ser comprado por menos de R$1.500. Com essa abertura, você vê nebulosas muito mais fracas do que conseguiria com um refrator de 80mm. O céu profundo fica muito mais interessante. A desvantagem é a manutenção. O espelho primário precisa de colimação periódica. Eu aprendi isso na prática quando fui observar a Nebulosa de Órion com meu newtoniano recém-comprado e não consegui foco nítido em nenhuma ocular. Passei duas horas ajustando os parafusos do primário com uma ferramentas de colimação barata, e só então percebi que o espelho secundário estava deslocado. Desde então, faço colimação antes de cada sessão de observação. Leva cerca de 10 a 15 minutos com prática.

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Outro problema real dos refletores é a corrente térmica. O tubo aberto permite que o ar dentro esfrie de forma desigual. Nos primeiros minutos após levar o telescópio para fora, as imagens tremem e borram. Eu espero cerca de 30 a 45 minutos para o espelho atingir temperatura ambiente antes de começar a observar seriamente. Em noites quentes de verão, isso pode levar até uma hora.

Colimação: o terror dos donos de refletor

A colimação é o processo de alinhar o espelho primário e o secundário para que o feixe de luz chegue corretamente ao foco. Sem colimação, as estrelas ficam com caudas ou astigmas, e a imagem perde todo o contraste. Você precisa de um laser collimator ou de uma visão direta com uma ferramenta de alinhamento. O espelho secundário é o mais crítico. Ele deve estar centralizado sob o focuser e angularmente correto em relação ao primário. O primário precisa ser ajustado para que o ponto de luz refletido volte exatamente ao centro do secundário. Quando você faz isso direito, a imagem melhora dramaticamente. Quando faz errado, gasta energia tentando ajustar o foco sem resultado.

Refletores com tubos fechados, como os designações Schmidt-Cassegrain ou Maksutov-Cassegrain, reduzem bastante o problema térmico e a necessidade de colimação frequente, mas são muito mais caros. Um SC de 200mm custa o mesmo que um refrator APO de 100mm, às vezes mais.

O que eu faria diferente se começasse agora

Se eu fosse começar hoje, compraria um refrator apocrômato de 90 a 102mm em vez de um refletor grande. A experiência de simplesmente apontar e ver funciona bem, sem mantenimiento. O preço é alto, mas a satisfação também é maior porque o equipamento funciona consistentemente. Um telescópio que exige trabalho constante para produzir imagens boas é desmotivador a longo prazo. Se o orçamento for limitado, um newtoniano de 150mm com bom suporte equatorial é a opção mais inteligente. A abertura maior compensa a necessidade de manutenção. Nebulosas, aglomerados e galáxias ficam acessíveis de uma forma que refratores pequenos nunca conseguem.

O ponto principal é que não existe telescópio perfeito. Cada tipo tem compromissos. A questão é saber qual compromisso você pode aceitar com base no que planeja observar e quanto tempo está disposto a dedicar para manter o equipamento funcionando bem.