Os pronomes demonstrativos em português: guia prático
A gramática normativa divide os pronomes demonstrativos em três eixos: proximidade, distância e referência. A tabela dos pronomes demonstrativos serve para organizar essa divisão de forma visual, mas o que a maioria dos materiais não mostra é como esses pronomes se comportam na prática, especialmente quando o falante tenta manter coerência textual ou evitar repetições desnecessárias.
Onde encontrar a tabela dos pronomes demonstrativos
Você consegue consultar a tabela dos pronomes demonstrativos completa em manuais como o Novo Acordo Ortográfico em anexo, em sites de universidades federais com seções de gramática, ou em materiais didáticos mais completos como os do Prof. Cunha e Cintra. O essencial é que ela mostre as formas no singular e no plural, bem como os pronomes oblíquos átonos correspondentes (lo, la, los, las), que surgem na formação de pronomes demonstrativos com preposição. O esquema básico é este:
— 1ª pessoa (proximidade): este, esta, estes, estas (e o neutro isto)
— 2ª pessoa (distância relativa ao interlocutor): esse, essa, esses, essas (e o neutro isso)
— 3ª pessoa (distância absoluta ou anafórica): aquele, aquela, aqueles, aquelas (e o neutro aquilo) Simples? Sim, na teoria. Na prática, a coisa complica.
Como usar corretamente na escrita formal
O uso correto dos pronomes demonstrativos na escrita formal depende de entender dois critérios principais: a localização temporal e espacial, e a coesão referencial. O pronome selecionado indica onde algo se situa em relação ao falante, ao ouvinte ou a um ponto já mencionado no texto. No caso da referenciação, há um detalhe que muita gente não considera. Quando você retoma algo já mencionado, o uso de esse/s essa/s é preferível a aquele/aquela/aquelas, mesmo que o elemento referenciado pareça estar distante. O pronome esse mantém o foco no que está sendo construído no discurso, enquanto aquele tende a afastar o referente e criar uma distância desnecessária que pode confundir o leitor.
Eu vi isso acontecer em documentos jurídicos e relatórios técnicos com frequência. Um redator usava aquele livro para retomar um conceito que havia sido definido dois parágrafos antes. O resultado era uma ambiguidade que exigia releitura. A correção foi substituir por esse livro, sem alterar o sentido original.
Casos específicos e armadilhas comuns
Há situações em que a escolha do pronome demonstrativo depende de convenções estabelecidas e não apenas de lógica espacial. Vou citar três casos concretos: 1. Referência temporal — Expressões como nestes termos, nesses termos e naquele momento não são intercambiáveis. O uso correto depende de onde o falante se posiciona em relação ao tempo mencionado. Se você está produzindo um documento agora e quer se referir ao conteúdo dele, nestes termos é adequado. Se está citando algo de outro momento, naquele momento é mais preciso.
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2. Pronomes demonstrativos com preposição — A forma a + esse = esse (ou a isso, a isto, a aquilo) gera muitas dúvidas. O problema é que a regência varia conforme o verbo e o contexto. Eu já encontrei profissionais de TI usando "de acordo com aquilo que foi determinado" em relatórios formais. O correto seria "de acordo com o que foi determinado" ou "conforme aquilo que foi determinado". A contração a + aquilo soa estranha e é desnecessária. 3. Aquilo como pronome indefinido — Aquilo não funciona apenas como pronome demonstrativo. Em contextos informais, ele aparece com valor indefinido ou vago: "não entendi aquilo que você disse". Nesse caso, ele é um pronome relativo, não demonstrativo. A distinção é importante porque interfere na pontuação e na análise sintática.
Outra armadilha frequente é a confusão entre este e esse quando se faz referência a dois elementos. A regra diz que este se refere ao primeiro elemento mencionado e esse ao segundo. Na prática, muitos escritores ignoram isso e usam este indiscriminadamente, criando ambiguidade.
Limitações e cenários onde a tabela falha
Um ponto que precisa ser dito claramente: a tabela dos pronomes demonstrativos não resolve ambiguidades quando o contexto é extremamente amplo. Se um texto tem múltiplos parágrafos e vários antecedentes possíveis, nenhum pronome demonstrativo sozinho consegue estabelecer a referência de forma inequívoca. Nesse caso, o recomendado é repetir o substantivo ou usar uma descrição explícita. Além disso, em textos jurídicos e normativos, o uso de demonstrativos com valor anafórico pode gerar interpretações divergentes, especialmente quando há múltiplas entidades mencionadas ao longo de um documento extenso. A solução mais segura é evitar o uso excessivo de pronomes demonstrativos e optar pela reiteração nominal quando a clareza estiver em risco.
Se o objetivo é pureza estilística, há uma alternativa: o uso de sinônimos e paráfrases para retomar conceitos. Isso aumenta o tamanho do texto, mas reduz drasticamente o risco de ambiguidade.
Tabela completa para consulta rápida
Segue a tabela resumida com todas as formas, incluindo a versão com preposição: este, esta, estes, estas | do qual, da qual, dos quais, das quais
esse, essa, esses, essas | do qual, da qual, dos quais, das quais
aquele, aquela, aqueles, aquelas | do qual, da qual, dos quais, das quais
Os neutros são: isto, isso, aquilo. Note que os neutros não concordam em gênero e número com nenhum substantivo, pois substituem ideias abstratas ou coisas não nomeadas. Para quem precisa consultar rapidamente, uma versão mais compacta e visual da tabela dos pronomes demonstrativos pode ser encontrada em materiais didáticos universitários ou em plataformas de estudo como o Gramática Passinho e o Mundo Educação. Ambos apresentam o conteúdo de forma organizada e com exercícios de fixação.
Resumo final
O uso correto dos pronomes demonstrativos exige atenção ao contexto, à posição do falante e à coesão textual. A tabela é um ponto de partida, mas não substitui o entendimento das regras de referenciação. Em textos formais, a escolha errada pode gerar ambiguidade séria. O mais prudente é revisar sempre a referência de cada pronome antes de considerar o texto pronto.