Por que esse topic existe tanto nos fóruns
Todo mundo já viu pelo menos uma discussão sobre isso. A pergunta mais comum é se você pode circular na Suíça com o cartão de cidadão português ou espanhol, ou se precisa de visto separado. A resposta curta é que sim, a Suiça fica na Europa geograficamente, mas não faz parte da União Europeia nem do espaço Schengen no mesmo pé de igualdade que os outros países do continente.
suiça fica na europa, mas com ressalvas importantes
A diferença prática entre ser um país europeu e ser membro da UE é algo que muita gente aprende na dor. No meu caso, precisei entrar na Suíça via Itália usando passaporte português. Na fronteira italiana, o controle foi inexistente, mas em Zurique a fiscalização existe e é séria. A primeira vez que fui, quase tive um problema porque minha matrícula universitária estava vencida e o oficial pediu comprovação de meios financeiros. Passei uns vinte minutos ali, explicando coisas que não precisava ter explicado num voo Lisboa-Zurique direto. Desde então, sempre levo comprovante bancário atualizado e um excerto do meu contrato de trabalho ou estudo. O acordo de livre circulação de pessoas entre a UE e a Suíça é bilateral, o que significa que as regras mudam conforme os tratados vão sendo renovados ou renegotiados. Isso não é teoria. Em 2020, durante a pandemia, a Suíça imposeu restrições individuais para viajantes de cada país da UE separadamente. Um cidadão italiano podia entrar enquanto um português não, só por causa da taxa de infecção local naquele momento. Se você depender exclusivamente da liberdade de movimento como se fosse um voo interno da UE, vai se dar mal.
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Outro detalhe que poucos destacam: a Suíça usa o franco suiço, não o euro. Muitos cartões europeus aceitam o franco, mas as taxas de câmbio aplicadas pelo adquirente podem ser terríveis. Recomendo sacar dinheiro diretamente em caixas eletrônicos suíços e negociar sempre com pagamento em CHF, nunca aceitando a conversão automática do terminal. A diferença prática costuma ser de 4 a 7 por cento por transação. Quem planeja trabalhar na Suíça precisa saber que o sistema de autorizações é dividido entre permisso d'territoire (para cidadãos da UE, mais simples) e autorização de trabalho propriamente dita (para nacionais de terceiros países, bem mais restritiva). O processo de concessão para cidadãos da UE leva tipicamente entre 4 e 8 semanas se tudo estiver em ordem, mas a burocracia cantonal varia muito. Ginebra exige papelada diferente de Zug, por exemplo. Não tente resolver isso pela internet sozinho — um advogado de imigração suíço custa entre 200 e 400 francos por hora, mas resolve em uma única reunião o que levaria semanas de tentativa e erro.
Sobre segurança social: os períodos de contribuiçã na Suíça são agregados para efeitos de reforma dentro do acordo bilateral com a UE, mas apenas se o trabalhador tiver contribuído em pelo menos dois Estados. Se passar cinco anos só na Suíça e nunca terem descontado noutro país europeu, a pensão suíça será calculada isoladamente, o que pode resultar num valor significativamente mais baixo do que aquele que teria acumulado contribuindo para a Segurança Social portuguesa durante o mesmo período. Vale a pena pensar nisso antes de aceitar uma missão temporária lá fora sem manter vínculos contributivos no país de origem. Se a sua questão é simplesmente visitar, o prazo é de 90 dias em qualquer período de 180 dias, contado a partir do primeiro dia de entrada. Não há necessidade de visto para cidadãos da UE. Se ultrapassar esse limite sem renovar o registo, multa e ordenança de saída são o mínimo que acontece. Há casos documentados de pessoas que ficaram bloqueadas do sistema Schengen por dois anos após violação reiterada desse prazo, mesmo sendo cidadãos europeus.