Ônibus em Marrocos: o que esperar quando você subir
Meu primeiro ônibus interestadual lá foi de Fes para Marrakech, uma viagem de cerca de seis horas. Eu subi no onibus em marrocos pensando que seria só uma caminhada normal, mas rapidamente percebi que tem regras não escritas que ninguém te avisa antes.
A verdade sobre o conforto
Os ônibus modernos da CTM são decentes. Ar-condicionado funciona, assentos têm espaço normal, e você chega sem dói a coluna. Já as linhas privadas, chamadas locais, são outra história. O ar-condicionado muitas vezes é um adesivo na janela. Os assentos foram reformados em 2014 se tiver sorte. E o espaço entre fileiras? Bem, depende de quem sentou atrás de você. Uma coisa que aprendi na prática: sempre fique na fileira da frente se puder. Não porque seja mais confortável, mas porque o motorista para mais vezes pra deixar gente e, se você tá no fundo, passa metade do trajeto contornando malas empilhadas como torres Instabile.
Chegar com antecedência
Eu costumo chegar trinta minutos antes do horário de partida. Em Goulimine, pra ônibus que ia a Zagora, cheguei vinte minutos cedo e ainda assim o fiscal já estava empilhando bagagem no porão. Não tem check-in. Não tem bilheteria com tela. Você vai até o balcão, fala o destino, paga em dirhams (aceitam euro às vezes, mas a cotação é péssima), e ganha um papelão com o número da poltrona escrito à mão. O horário é orientativo. Se o ônibus saido às 8 da manhã, ele sai quando o motorista achar que tá completo. Às vezes falta um passageiro. Às vezes o motor precisa de atenção. Marquei uma viagem de Chefchaouen para Tetuão e o ônibus saiu uma hora e meia depois do horário marcado. O motorista disse que estava "esperando o parceiro". O parceiro era outro ônibus que chegaria de outra cidade. Sim, isso existe.
Bagagem e as regras que não existem no papel
Uma mala de porão entra sem custo. Uma mochila de mãos vai no compartimento acima. Se você chegar com duas mochilas grandes e uma bolsa extra, o cobrador vai sorrir e dizer que não há problema, e então vai colocar tudo num canto onde claramente não cabia. Eu já vi uma mochila ser compactada contra o vidro traseiro como se fosse um saco a vácuo. O problema real é o peso. Em viagens longas, como Rabat a Dacar — desculpe, Rabat a Taroudant — a bagagem de porão pode ficar pesada demais. O cobrador não cobra extra, mas ele claramente não gosta. A solução que uso agora é empacotar tudo num único saco de lona grande. Mais fácil de manusear, menos chance de alguém reclamar do volume.
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Pagamento e assentos
Assento é por número. O papelão que você recebe tem um número. Se o ônibus estiver cheio e você sentar em qualquer lugar, na primeira parada vem o cobrador conferir. Se seu número estiver ocupado, ele pede pra você levantar. Sem discussão. Eu já perdi um lugar porque o horário tinha atrasado e alguém ocupou minha poltrona antes de eu subir. Aceitei ficar em pé nos primeiros vinte minutos. Doía os pés, mas foi lição aprendida. Cartão não funciona. Pix também não. Dinheiro vivo, em dirhams. Se você não tiver dirhams na hora, o cobrador vai fazer uma cara que dá orgulho. Eu troco dinheiro no aeroporto ou em casas de câmbio antes de pegar o ônibus. Câmbio na rua tem risco de nota falsa, então evite.
A experiência real em viagens longas
Fiz a rota de Errachidia a Merzouga (a aldeia de camelos, perto do deserto). Durou cerca de três horas e meia. O ônibus parou em três aldeias pra deixar e pegar gente. Cada parada durava entre dois e cinco minutos. Às vezes mais. O motorista estacionava na beira da estrada, abria a porta, e a galera descia correndo. Voltava correndo. Era como um relógio suíço maluco. Em viagens assim, o melhor é levar água e um lanche. Não tem venta a bordo. Tem uma máquina de café quebrada em alguns ônibus mais novos, mas geralmente não funciona. Leve seus próprios snacks. Eu sempre carrego castanhas e frutas secas. Funciona bem.
Segurança e contracheques
A segurança é boa. Roubo em ônibus é raro. O que acontece de verdade é gente esquecendo celular na poltrona. Eu vi duas vezes em um ano. Deixa o aparelho na gaveta acima e desce na parada seguinte sem perceber. A melhor proteção é não deixar nada visível e, se precisar usar o celular, colocar no bolso depois. Os bilhetes são simples. Um papel com número do ônibus, destino, horário e preço. Guarda esse papel. Em algumas viagens longas, o cobrador pede pra devolver na chegada. Se você perder, pode ter que pagar de novo. Nunca me perdi, mas um colega meu perdeu o bilhete em Tangier e o cara na bilheteria não quis acreditar que ele já tinha pago. Levou dez minutos de conversa pra resolver.
Quem deve evitar ônibus em Marrocos
Se você tem mobilidade reduzida, esquece. Escadas estreitas, corredores apertados, e o motorista não espera ninguém que demore. Se você viaja com criança pequena, considere o trem. Os assentos são menores e o barulho do motor é alto. Crianças choram. Os outros passageiros não gostam. Ônibus também não são ideais se você tem muito medo de dirigir em estradas de montanha. A rota de Midelt a Errachidia sobe e desce montes o tempo todo. Se você enjoo fácil, leva remédio. Eu levo Dimenhydrinate e funcion bem.
Alternativas quando o ônibus não compensa
Para trajetos curtos dentro da cidade, o petit taxi é mais barato e rápido. Entre cidades próximas, como Casablanca e Mohammedia, o tren urbano (Al Boraq) é muito mais cômodo. Para distâncias médias como Fes a Meknes, o trem é rápido e pontual. Ônibus só vale a pena quando o trem não passa, quando o preço é muito menor, ou quando você quer ver o país pelo caminho. O Grand Taxi também é uma opção intermediária. É um carro grande que leva quatro ou cinco passageiros e segue rotas fixas. Mais rápido que ônibus, mais caro que ônibus, e bastante confortável se você não se importa de conversar com desconhecidos por duas horas.