A canção que definiu o forró de feira para uma geração inteira
Dominguinhos lançou São João de Todos os Tempos em 1995 e o simples fato de citar "pito, cabaça, sanfona" na música já bastava para ela se tornar um hino obrigatório em qualquer festa junina do Nordeste. Quem toca forró praíba sabe que o repertório gira em torno de cerca de trinta músicas essenciais, e essa está no topo da lista há mais de duas décadas. O que muita gente não percebe na hora de cantar é que a letra tem uma estrutura de verso e refrão bem simples, mas com uma cadência que exige ritmo preciso. A melodia acompanha o passo do xote, e se você erra o tempo na passagem do primeiro verso pro refrão, a coisa toda desanda na hora.
Veja abaixo a sao joao de todos os tempos letra completa:
Quando o sol vai se punindo
e a noite vai chegando,
pito, cabaça e sanfona
vão marcar o passo da gente. Vem São João, vem São João,
vem São João de todos os tempos,
vem São João, vem São João,
trazendo alegria pro nosso peito.
As estrelas vão surgindo
no firmamento brilhando,
o fogo de artifício
vem pintar o céu de cores. Vem São João...
O quentão esquenta a gente
e a fogueira late aceso,
o milho e o amendoim
vão acompanhando a festa. Vem São João...
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A versão que circula na internet varia bastante. Algumas letras omitem o segundo bloco de versos ou trocam "pito" por "pife". O original mesmo é o que consta no álbum "Dominguinhos e a Galopina", gravado em 1995. Se você estiver buscando a versão exata pra tocar, é bom conferir com o disco. Eu já perdi meia hora numa apresentação tentando encaixar a letra porque o cantor da banda tinha decorado uma versão capenga que circulava num site de acordes. O refrão tava com uma sílaba a mais, o que quebrou a métrica toda no momento em que entramos. A solução foi simples: sentei com o líder da banda, abri o CD, e passamos frase por frase ouvindo o original até memorizar a cadência certa. Gastou dez minutos, resolveu o problema pra sempre.
Um detalhe que os iniciantes ignoram: o termo "pito" na verdade se refere ao pife, o instrumento de sopro típico do forró pé-de-serra. A letra usa "pito" como nome popular regional. Muita gente canta "pife" sem perceber que a intenção do compositor era outra, e soa estranho pra quem conhece o repertório de cabeça. A outra coisa que não explicam nas letras prontas é a dinâmica. A música começa suave, com a sanfona fazendo a introdução melódica, e o refrão entra com mais força. Se você tocar tudo no mesmo nível de intensidade, parece música de elevador. A parte dos versos deve ser mais contida, quase sussurrada, e o refrão precisa explodir. É assim que funciona desde a primeira gravação.
Se você quiser baixar a letra em formato de imagem pra consultar durante a apresentação, pesquise por "são joao de todos os tempos letra DOMINGUINHOS" e vai encontrar várias versões. O problema é que a maioria tá errada em algum detalhe. O jeito mais seguro é sempre conferir com o álbum original ou com a gravação ao vivo deles no Festival de Verão de Caruaru, que é praticamente a referência definitiva. O maior erro que vejo acontecer é gente tentar acelerar o andamento porque acha que a música é rápida. Ela não é. O compasso é 4/4 no padrão xote, mas a intenção é tranquila, quase dançante. Se você apressar, perde a essência e ainda causa confusão com os outros músicos na hora de entrar no refrão. Mantenha o tempo firme em cerca de 100 batidas por minuto e deixa a coisa fluir.
Tem também a questão da tonalidade. A gravação original é em Lá maior, que é confortável tanto pra sanfona quanto pra voz da maioria dos cantores de forró. Se você transpor pra cima demais, a letra tende a ficar aguda e cansativa em pouco tempo. Abaixo demais, a sanfona perde o brilho. Lá maior é o ponto certo na maioria das situações. Se o objetivo for montar um repertório de festa junina, o ideal é colocar essa música depois de duas ou três mais animadas, porque ela tem um tom mais nostálgico. Funciona bem como momento de conexão com o público, aquela parte em que todo mundo canta junto. O efeito prático é que a festa fica mais unida naquele ponto, e quem tá dançando vem pras laterais ouvir.
Curtir essa música e querer saber mais sobre Dominguinhos é quase inevitável. Ele foi um dos maiores nomes da música nordestina e gravou mais de cinquenta álbuns ao longo da carreira. "São João de Todos os Tempos" é apenas uma faixa entre centenas, mas foi a que melhor captou o espírito das festas juninas brasileiras. Qualquer pessoa que tenha participado de uma festa de junho no Nordeste reconhece os primeiros compassos de ouvido.