Revista Brasileira De Geografia Fisica - (PDF) Revista Brasileira de Geografia Física v
(PDF) Revista Brasileira de Geografia Física v

Entendendo a Revista Brasileira de Geografia Física na prática

A maioria dos pesquisadores que chega nessa revista pela primeira vez acha que é só um periódico acadêmico como outro qualquer. O problema é que o processo editorial tem particularidades que ninguém conta nos guias formais. Eu submit meu primeiro manuscrito aqui em 2018 e levei sete meses até receber a primeira decisão. Não era demora arbitrária — era o sistema de pares funcionando de verdade, com avaliadores que realmente liam cada figura e cada tabela.

Revista brasileira de geografia física: o que precisa saber antes de submeter

O foco editorial cai em geomorfologia, climatologia, hidrologia e geoecologia. Artigos sobre geografia humana ou geografia social costumam ser devolvidos na triagem inicial sem ir para revisão. Isso não é discriminação — é delimitação de escopo que a comissão editorial mantém firme desde o reposicionamento da revista em 2017. Eu descobri isso na marra quando submeti um manuscrito sobre dinâmicas populacionais no Semiárido. A editora responsável, a Profª Drª Valéria Pires, respondeu em três dias dizendo que o trabalho não se enquadrava nas linhas editoriais vigentes. O recibo era objetivo, sem rodeios. Li depois nos arquivos que ela havia escrito um editorial explicando exatamente essa separação.

O formato de submissão exige arquivos separados: manuscrito anonimizado em Word, arquivo de figuras em PDF com resolução mínima de 300 dpi, e um arquivo de dados suplementar se houver séries temporais ou dados espaciais. A maioria dos autores erra na resolução das figuras. Enviei mapas com 150 dpi na primeira versão e o revisor número dois pediu refação só por causa disso. Perda de duas semanas que poderia ter sido evitada.

O processo que ninguém detalha nos manuais

A plataforma usado pela revista é o OJS, mas a configuração deles difere do padrão. Os prazos aparecem na página como "até 90 dias para primeira decisão", mas na prática isso varia conforme a área. Geomorfologia tende a ser mais rápida — cerca de 60 dias médios. Climatologia e hidrologia puxam para 100 dias porque os revisores precisam cruzar dados de estações meteorológicas e séries históricas. Uma coisa que os autores não percebem: a revista valoriza muito trabalhos com dados primários. Artigos que usam apenas dados de satélite ou modelos climáticos globais têm taxa de rejeição maior do que se imagina. Eu tenho um colega que submeteu um paper sobre modelagem de erosão eólico usando apenas dados do modelo Weather Research and Forecasting. O revisor pediu validação com dados de campo em pelo menos uma área. O trabalho foi rejeitado quando ele não conseguiu fornecer isso.

O formato dos artigos segue estrutura IMRaD, mas com adaptações. A seção de métodos precisa incluir coordenadas UTM das áreas de estudo, período de coleta de dados e métodos estatísticos empregados. Artigos sobre geoecologia exigem ainda declaração de aprovação do comitê de ética em pesquisa se houver coleta em unidades de conservação. Esquecer isso gera retratação posterior — eu vi dois casos assim em 2022.

Questões práticas que resolvem problemas reais

Quando se trata de submeter para revista brasileira de geografia fisica, o primeiro erro comum é não seguir o guia de autores até o final. A revista publicou uma atualização em março de 2023 alterando o formato das referências para ABNT 2002. Muitos autores continuam usando APA 7 e perdem pontos na triagem inicial. Outro ponto que exige atenção: as figuras precisam ter legenda em português e inglês. Eu vi manuscritos sendo devolvidos só por causa de legendas ausentes. O revisor número um ficou três dias sem conseguir localizar informações básicas sobre os métodos empregados. Perda de tempo que poderia ter sido evitada com uma leitura atenta do guia.

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A revista aceita artigos em português e inglês. Trabalhos em espanhol também são bem-vindos, mas precisam ter resumo em português. Eu submeti um paper conjunto com pesquisadores bolivianos e a editora pediu tradução do resumo. O processo levou duas semanas extras que poderia ter sido antecipado.

Limitações que todo autor precisa conhecer

O principal gargalo da revista é o número limitado de vagas por edição. Eles publicam cerca de 12 artigos por ano, distribuídos entre artigos originais, reviews e notas técnicas. Isso significa taxa de aceitação baixa — estima-se em torno de 15% dos manuscritos submetidos. Não é discriminação, é oferta e demanda. Outra limitação: a revista não acelera processos mesmo em casos de urgência. Eu precisei de publicação para minha tese de doutorado e perguntei à editora se havia como acelerar. A resposta foi não, sem alternativas. O processo segue o cronograma regular estabelecido.

A revista não oferece correções gratuitas. Os autores precisam revisar seus próprios manuscritos antes de submeter. Eu vi colegas que enviaram artigos com erros de digitação evidentes e perderam pontos na avaliação. O revisor número dois ficava três dias sem conseguir localizar informações básicas sobre os métodos empregados.

Alternativas quando a revista não é o caminho

Se seu trabalho não se enquadra nas linhas editoriais da revista brasileira de geografia fisica, considere publicar em revistas especializadas como Geomorfologia (ABG) ou Acta Scientiarum. Estas têm focos mais amplos e taxas de aceitação maiores — cerca de 25% em média. Outra opção é buscar periódicos internacionais como Earth Surface Processes and Landforms ou Catena. Estas têm impacto maior mas exigem artigos em inglês e processos editoriais mais longos — cerca de 120 dias médios.

O importante é entender que cada revista tem seu escopo e suas particularidades. Trabalhar dentro dessas diretrizes aumenta suas chances de aceitação. Eu aprendi isso na marra, com sete rejeições ao longo de cinco anos. Cada rejeição me ensinou algo novo sobre o processo editorial. Agora, após todas essas experiências, posso dizer que a revista brasileira de geografia física é um veículo sério e respeitado no meio acadêmico. Os artigos publicados representam o que há de mais rigoroso em geografia física no Brasil. Se você consegue trabalhar dentro das diretrizes editoriais, o resultado vale o esforço.

O processo editorial funciona assim: submissão triagem inicial revisão por pares decisão editorial produção final. Cada etapa tem seus prazos e suas particularidades. Entender isso antes de submeter economiza tempo e evita frustrações. Se você está começando agora, recomendo ler alguns artigos publicados nos últimos dois anos. Isso dá uma ideia clara do nível esperado e das tendências editoriais vigentes. Eu fiz isso antes de cada submissão e sempre trouxe resultados positivos.

A geografia física no Brasil está em crescimento constante. A revista brasileira de geografia física contribui significativamente para esse movimento. Trabalhar com ela é uma experiência que vale a pena, desde que você entenda as regras do jogo desde o início.