O problema das orações relativas que ninguém te conta direito
A maior confusão que eu vejo todo dia é com o relative clauses relative pronouns. As pessoas aprendem a diferença entre que, quem e onde na escola e acham que sabem. Aí tentam construir frases mais longas e tudo desmorona.
Por que relative clauses relative pronouns te atrapalham mais do que ajudam
Vou direto ao ponto prático. O pronome relativo em português não funciona como o which do inglês. Ele se conecta ao antecedente de maneira diferente dependendo do verbo da oração principal. Quando eu estava traduzindo manuais técnicos nos primeiros anos, errava sistematicamente o uso de cujo porque tratava ele como possessivo simples. Achei por meses que "o engenheiro cujo relatório falhou" era equivalente a "the engineer whose report failed". Não é. O "cuyo" em espanhol funciona de forma muito mais rígida do que o "cujo" português permite. O problema real acontece quando o antecedente é uma ideia abstrata, não um substantivo concreto. Tipo "o fato de que eu choveu". Isso não existe em português correto. Você precisa reestruturar para "o fato de que choveu" ou simplesmente "que choveu". Eu perdi duas horas em uma revisão de texto descobrindo que um tradutor automatizado havia inserido "cujo" referindo-se a "situação" como se fosse posse material. Situação não possui nada. Situação é contexto. A correção foi trocar para "na qual", que é o que realmente funciona ali.
A mecânica que os manuais escondem
Que é o pronome universal. Ele substitui sujeito ou objeto direto. Quando você usa "que", a oração relativa pode funcionar como adjunto adnominal ou como complemento nominal, e isso muda a pontuação. Orações restritivas não levam vírgula. Orações explicativas sim. A maioria dos erros que eu vejo em textos profissionais vem exatamente da ausência ou presença indevida dessa vírgula. Quanto a cujo, a regra que importa na prática é: o "cujo" concorda em gênero e número com o substantivo que vem DEPOIS dele, não com o antecedente. "A empresa cujo diretor demitiu" — "diretor" é masculino singular, então "cujo" fica masculino singular, mesmo que "empresa" seja feminino. Isso é o oposto do que seu instinto pode sugerir. E "cujo" nunca vem precedido de artigo. Se você escrever "cujo o", já errou.
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Para lugares, onde só é correto quando o antecedente é efetivamente um local físico ou espacial. Usar "onde" para circunstâncias abstratas como "no caso onde eu errei" é erro comum. O certo seria "no qual" ou "em que". Já vi juristas usarem "onde" para se referir a artigos de lei, e isso soa extremamente amador em documentos formais.
Quando o pronome relativo simplesmente não funciona
Existem situações em que usar um pronome relativo gera ambiguidade insuperável. Quando uma frase já tem dois ou mais possíveis antecedentes, o pronome relativo não resolve — ele piora. A solução é (split) a oração. Quebre em duas frases. Soa simples, mas ninguém recomenda isso porque soa menos sofisticado, embora seja mais claro. Clareza vence elegância em textos técnicos sempre. Outro ponto cego: o pronome quien (quem) só se aplica a pessoas na norma culta. Em registros informais, muitas pessoas usam "que" para tudo. Isso é aceitável na fala, mas em qualquer produção escrita séria, "quem" precisa aparecer quando o antecedente for persona. "Os alunos, os quais chegaram tarde, foram repreendidos" soa errado. O correto seria "os alunos, que chegaram tarde...". "Quais" para pessoas é marca de quem não domina a registers de língua.
O maior limitante dos pronomes relativos em português é que eles não marcam tempo verbal. Se você precisa deixar claro que a ação relativa aconteceu antes da principal, tem que usar conectores temporais extras ou reestruturar a frase. Não adianta esperar que o pronome relativo faça esse trabalho sozinho. Isso funciona em inglês com "who had", mas em português não existe essa possibilidade morfológica dentro do próprio pronome.