A Proclamação da República em 15 de Novembro de 1889
Muita gente acha que foi um ato popular, com gente ruas pedindo mudança. Na verdade, foi um golpe militar conduzido por figuras da elite militar e civil sem grande participação do povo. O Marechal Deodoro da Fonseca, à frente de tropas, entrou no Quartel-General da Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, e prendeu o ministro Miguel Calmon do Duque de Estrada, que era presidente do Conselho de Ministros da monarquia. Era meia-noite passado. Ninguém morreu. O resto foi papel timbrado.
Quem proclamou a república no brasil
O nome que aparece nos livros didáticos é Deodoro da Fonseca. Ele era Marechal de Campo e homem de confiança do imperador D. Pedro II. O mais curioso é que Deodoro não era republican convincente. Segundo os próprios diários da época, ele não gostava da ideia de abandonar a monarquia. Foi convencido pelos civis, principalmente Quintino Bocaiuva e Rui Barbosa, que ficaram ansiosos com o rumo político que a queda da Liga Progressista trazia consigo. Se você quer saber quem proclamou a republica no brasil, a resposta formal é Deodoro. A resposta real envolve um monte de gente bastão na mão. Além de Deodoro, outros nomes surgem como parte essencial do processo: Benjamin Constant, que era líder dos militarespositivistas e arquitetou o plano do golpe; Quintino Bocaiuva, que redigiu o primeiro comunicado oficial; e Rui Barbosa, que assumiu a pasta da Fazenda no governo provisório. Houve também José do Patrocínio, que era abolicionista radical mas que se viu excluído do novo regime quase imediatamente. Foi frustrante pra ele e pra muita gente negra que depositou esperança nessa transição.
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O que aconteceu antes e depois
O contexto começa a se formar ainda nos anos 1870, com a Guerra do Paraguai debilitando o Exército e fortalecendo ideias separatistas dentro das fileiras. A questão religiosa, o movimento abolicionista, os interesses das oligarquias cafezeiras, tudo isso foi empurrando o cenário para um colapso. A Lei Áurea, assinada em 1888, foi o cravo final para a monarquia entre os proprietários rurais, que não receberam nenhuma compensação dos fazendeiros que tinham escravizados. Eles migraram pro lado republicano por dinheiro e vingança. O governo provisório durou até a promulgação da primeira Constituição Republicana, em 1891. Nesse meio tempo, Deodoro governou de forma cada vez mais autoritária. Dissolveu o Congresso em novembro de 1891, o que gerou a primeira Revolta da Armada e levou à sua renúncia em 23 de novembro daquele mesmo ano. Floriano Peixoto assumiu e governou com mão de ferro até 1894. Foi um período instável, com conflitos reais, execuções sumárias e crise econômica séria.
Pegadinhas que todo mundo deixa passar
A primeira pegada é achar que a proclamação foi unânime. Não foi. Muitos municípios interioranos souberam do ocorro dias depois e alguns resistiram, especialmente no Paraná e em Minas Gerais, onde ainda havia monarquistas organizados. A segunda é acreditar que a República nasceu democrática. Ela nasceu com sufrágio restrito, censura prévia e forte controle dos Estados mais ricos sobre o federalismo. O voto era aberto até 1932, o que significa que patrões podiam monitorar como empregados e dependentes votavam. O terceiro equívoco comum é confundir a data da proclamação com a data da instituição do feriado nacional. O 15 de novembro só se tornou feriado efetivamente muito tempo depois, durante o Estado Novo de Vargas, em 1938. Antes disso, era apenas mais uma data comemorativa tratada com indiferença na maior parte do país.
Fontes úteis se você quiser se aprofundar
Se você quer ler algo que não seja resumo de wikibook, recomendo começar com a obra Ruy Barbosa e a Proclamação da República, de Carlos Heitor Cony. Depois parte para os documentos originais disponíveis no site do Arquivo Nacional. O manifesto republicano de 1870, assinado por figuras como Lima Campos e Wandenkolk, está tudo digitalizado lá. Tem também o Acervo da Câmara dos Deputados com as actas das sessões da época, que mostram o quanto o Parlamento ia perdendo relevância nos meses que antecederam o golpe. Para uma visão mais crítica sobre os limites dessa mudança, a tese de doutorado A República inacabada, de João Carlos Gelatti, traz dados interessantes sobre a continuidade das estruturas de poder. Não é uma leitura leve, mas evita que você saia daqui achando que 1889 foi algum tipo de virada mágica. Ela não foi. Foi troca de chefe de escritório, com sangue menor e consequências maiores do que ninguém esperava.