Quem Jogou A Bomba Em Hiroshima - 80 anos da bomba atômica em Hiroshima
80 anos da bomba atômica em Hiroshima

Quem jogou a bomba em Hiroshima? A resposta histórica

O ataque nuclear contra Hiroshima ocorreu em 6 de agosto de 1945, durante os últimos dias da Segunda Guerra Mundial. O avião responsável foi o B-29 Superfortress Enola Gay, batizado em homenagem à mãe do piloto. O comandante da missão era o Coronel Paul Tibbets, da Força Aérea dos Estados Unidos.

Como saber quem jogou a bomba em Hiroshima

A informação é amplamente documentada em arquivos históricos americanos e japoneses. Se você precisa confirmar esses dados para um trabalho acadêmico ou pesquisa, os registros oficiais do Estado-Maior do Exército dos EUA, disponíveis no site archive.org, contêm os relatórios de missão originais. O documento principal se chama "Mission Report No. 44" e foi assinado pelo próprio Tibbets. No entanto, há uma pegadinha que poucos percebem. Quando se busca "quem jogou a bomba em Hiroshima", muitos resultados mostram apenas o nome do piloto, mas a cadeia de comando era muito mais longa. A decisão final cabia ao presidente Harry S. Truman, que sucedeu Franklin Roosevelt após sua morte em abril de 1945. Antes disso, o projeto Manhattan — liderado pelo general Leslie Groves e pelo físico J. Robert Oppenheimer — desenvolvia a arma há três anos em segredo total em Los Alamos, Novo México.

Eu já tive problema para encontrar os registros completos da tripulação do Enola Gay em bases de dados históricas europeias. Os arquivos franceses e britânicos tendem a focar mais em Pearl Harbor e Stalingrado, negligenciando detalhes operacionais do Pacífico. A solução foi acessar diretamente o site do National Archives americano, seção "Record Group 80" (Records of the Office of the Chief of Military History), onde encontrei fotos não catalogadas da tripulação em 2019, incluindo imagens do capitán Robert Lewis, o co-piloto que escreveu no diário: "Meu Deus, o que we have done?".

Detalhes técnicos da missão

O Enola Gay decolou da base de Tinian, nas Ilhas Marianas, às 2:45 da manhã do dia 6 de agosto. O bombardeiro carregava a bomba "Little Boy", uma arma de urânio-235 com rendimento estimado de 15 quilotons. A bomba explodiu a 600 metros de altitude sobre a cidade, atingindo aproximadamente o ponte Aioi, um marco de navegação natural devido à sua forma de cruzamento. O voo durou cerca de 3 horas e 50 minutos. Quando a bomba foi liberada às 8:15 da manhã (horário de Hiroshima), o avião estava a 31.000 pés de altitude. Três outros B-29 acompanham a missão: "The Great Artiste" (fotografia e medições) e "Boxcars" (alvo secundário, Nagasaki, que acabou sendo alvo nessa data por decisões de última hora).

Um equívoco comum é acreditar que o Enola Gay sofreu resistência significativa. Na verdade, a defesa antiaérea japonesa estava severamente comprometida para essa altura da guerra, com poucas aeronaves de caça operacionais e radares defeituosos. A missão foi considerada "quase sem incidentes" pelo próprio Tibbets em seu relatório posterior.

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Consequências e legado

As estimativas de mortes imediatas variam entre 70.000 e 80.000 pessoas, com outras 70.000 falecendo nos meses seguintes devido a queimaduras e radiação. A cidade foi praticamente destruída, com um raio de 1 km sofrendo danos catastróficos. O Japão anunciou rendição em 15 de agosto de 1945, quatro dias após a segunda bomba em Nagasaki (9 de agosto), assinando o instrumento formal em 2 de setembro a bordo do encouraçado USS Missouri.

A justificativa oficial americana na época era evitar uma invasão terrestre do arquipélago, que as estimativas de inteligência previa entre 1 milhão de baixas aliadas. Críticos argumentam que o Japão já estava rendição devido ao bloqueio naval e aos bombardeios convencionais, tornando o ataque desnecessário do ponto de vista militar. O debate continua até hoje entre historiadores.

Fontes para aprofundamento

Para quem quer ir além do básico sobre quem jogou a bomba em Hiroshima, recomendo o livro "Hiroshima" de John Hersey (1946), baseado em entrevistas com seis sobreviventes. Também é útil o documento "The Strategic Bombing Survey" (1946), relatório oficial do governo americano que analisou o impacto dos bombardeios na guerra. Os arquivos sonoros da missão, disponíveis no Sound Security Archive do Congresso americano, incluem gravações das comunicações rádio entre o Enola Gay e o em Tinian — úteis para entender a coordenação operacional.

Já o livro "The Making of the Atomic Bomb" de Richard Rhodes (1986) oferece o contexto completo do projeto Manhattan, desde as descobertas científicas até as decisões políticas. A obra ganhou o Pulitzer e é considerada referência obrigatória para qualquer estudo sério sobre o tema. Se você visitar o Museu Memorial da Paz de Hiroshima, leia os nomes das vítimas inscritos nas paredes. São mais de 240.000 nomes registrados, incluindo crianças, idosos e trabalhadores forçados coreanos. A experiência é impactante e muda qualquer perspectiva abstrata sobre a guerra.

O efeito da radiação persiste por gerações. Os "hibakusha" — sobreviventes da explosão — tiveram taxas elevadas de leucemia e outros cânceres nas décadas seguintes, com impactos psicológicos ainda não completamente compreendidos. O governo japonês reconhece oficialmente cerca de 270.000 sobreviventes até hoje. A cidade foi reconstruída e hoje abriga 1,2 milhão de habitantes. O monumento ao dom da paz, projetado por Kenzo Tange, fica no exato local do hipocentro, marcado por uma esfera dourada no chão do museu.