O que acontece nos cromossomos da síndrome de Down
Uma pessoa com síndrome de Down geralmente tem 47 cromossomos em vez dos 46 habituais. A causa é a presença de uma cópia extra do cromossomo 21 — o que chamamos de trissomia do 21. Isso significa três cópias desse cromossomo em vez de duas, e o excesso de material genético é o que define as características clínicas da condição.
Quantos cromossomos tem uma pessoa com síndrome de down
A resposta direta é: 47. Mas o quadro nem sempre é tão simples assim. Existem três formas diferentes de trissomia do 21, e elas têm implicações genéticas distintas que muita gente desconhece. A forma mais comum é a trissomia livre, que representa cerca de 95% dos casos. Aqui, o cariótipo é 47,XX,+21 ou 47,XY,+21. A não-disjunção ocorre durante a formação dos gametas, normalmente no ovo materno, e resulta em uma célula com três cópias completas do cromossomo 21. O risco está diretamente ligado à idade materna avançada — após os 35 anos, a probabilidade de não-disjunção aumenta de forma significativa.
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Existe também a translocação, que corresponde a cerca de 3 a 4% dos casos. Nesse cenário, o número total de cromossomos pode ser 46, mas parte do braço longo do cromossomo 21 está transferido para outro cromossomo, frequentemente o 14. O material genético extra existe, mesmo que o count numérico pareça normal. Isso é importante porque a translocação pode ser herdada de um dos pais que é portador balanceado — um fator crucial para o aconselhamento genético familiar. A forma mais rara é a mosaicagem, presente em aproximadamente 1 a 2% dos casos. Algumas células têm 46 cromossomos e outras têm 47. O fenótipo pode ser mais leve em alguns casos, mas isso varia muito de indivíduo para indivíduo. Não existe uma regra fixa que ligue o grau de mosaicagem à gravidade das características clínicas.
Na prática clínica, eu já vi casos em que o diagnóstico foi inicialmente perdido porque o estudo foi feito apenas em sangue periférico e o paciente era mosaicado com baixa porcentagem de células trissômicas no sangue. O correto nesse cenário é solicitar o cariótipo em fibroblastos de pele ou em pelo menos duas linhagens celulares diferentes para ter certeza. Uma análise única em linfócitos pode dar falso negativo em mosaicos de baixa proporção. O teste de escolha para confirmar o diagnóstico é o cariótipo convencional com bandamento G, que permite visualizar diretamente os cromossomos e identificar qual das três formas está presente. O QF-PCR ou a CGH-array podem ser usados como triagem, mas o cariótipo o padrão-ouro porque mostra translocações estruturais que outras técnicas podem perder.
Há uma limitação importante que preciso mencionar: o teste genético não consegue prever com precisão o espectro clínico individual. Duas pessoas com a mesma forma de trissomia do 21 podem ter perfis de saúde bastante diferentes. O que o exame diz é apenas sobre a constituição cromossômica, não sobre prognóstico funcional.