Quem É Pitágoras - Quem foi Pitágoras? - Toda Matéria
Quem foi Pitágoras? - Toda Matéria

Quem é pitágoras

Pitágoras de Samos foi um filósofo e matemático grego que nasceu por volta de 570 a.C. na ilha de Samos, no mar Egeu. Ele ficou famoso principalmente pelo teorema que leva seu nome, mas reduzir tudo a uma fórmula de triângulo retângulo é esquecer boa parte do que ele fez. O cara fundou uma escola em Crotona, na Magna Grécia, que era mais do que um grupo de estudo — era uma espécie de seita filosófica com regras rígidas de comportamento, crenças religiosas e uma estrutura política interna. A comunidade pitagórica acreditava que a realidade inteira poderia ser entendida através dos números. Não no sentido moderno de calcular estatísticas, mas numa visão quase mística de que os números eram a substância última do universo. Eles mapearam relações entre música e proporções numéricas, descobriram que cordas de comprimentos diferentes produziam harmonias previsíveis, e isso foi uma das primeiras vezes que alguém conectou matemática com física de forma experimental. O chamado "triângulo sônico" deles mostra como uma corda dividida em razões de 2:1, 3:2 e 4:3 gera os intervalos de oitava, quinta e quarta respectivamente.

O teorema e o que as pessoas sempre erram

O teorema de Pitágoras diz que em um triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. A formula a² + b² = c² aparece em todo livro didático do mundo, mas a coisa que ninguém ensina é que Pitágoras provavelmente não foi o primeiro a descobrir essa relação. Babilônios já usavam triplos pitagóricos milênios antes, e há indícios de que os chineses também conheciam o princípio na dinastia Zhou. O que Pitágoras ou sua escola fez de diferente foi dar uma demonstração generalizada, algo que a tradição atribui a ele, ainda que nenhum escrito direto dele tenha sobrevivido. Um problema prático que as pessoas encontram com frequência ao usar o teorema é confundir qual lado é a hipotenusa. A hipotenusa é sempre o lado oposto ao ângulo de 90 graus, e é o maior lado do triângulo. Eu já vi gente aplicando a fórmula em triângulos que nem eram retângulos e se perguntando por que o resultado não batia com a medição real. A regra é simples: se o triângulo não tem um ângulo reto, o teorema não se aplica. Nesse caso, você usa a lei dos cossenos, que é a versão generalizada.

Também é comum esquecer que o teorema funciona com qualquer unidade de medida, desde que você seja consistente. Metro, centímetro, pé, polegada — tanto faz. O importante é não misturar. Já me deparei com projetistas que calculavam a diagonal de uma tela em polegadas e somavam com uma medida em centímetros sem converter, e o erro chegava a quase 25 por cento no resultado final.

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A escola pitagórica e os problemas internos

O que mais chama atenção quando se estuda Pitágoras com algum cuidado é o lado obscurantista da escola. Eles tinham uma classe de iniciados chamados mathematikoi, que ficavam studying as doutrinas, e uma classe superior de discípulos chamados acusmatici, que apenas ouviam as palestras. A hierarquia era rígida, e os membros juravam silêncio e lealdade. Isso acabou gerando conflito quando alguns membros publicaram descobertas sem autorização da escola, o que levou a expulsões e à ruptura do grupo. Um dos problemas mais interessantes que a escola enfrentou foi a descoberta de grandezas incomensuráveis. Um pitagórico, geralmente identificado como Hipaso de Metaponto, descobriu que a diagonal de um quadrado não pode ser expressa como uma fração inteira relacionada ao lado. Em termos modernos, isso é a existência dos números irracionais, especificamente a raiz quadrada de 2. A tradição conta que isso foi tão perturbador para a filosofia pitagórica, que via todos os números como relações entre inteiros, que Hipaso seria punido com afogamento ou expulsão. Não há como confirmar isso historicamente, mas o incidente mostra o quanto a matemática pode incomodar sistemas de crença estabelecidos.

O que sobra de Pitágoras para estudar hoje

Nenhuma obra escrita por Pitágoras sobreviveu. Tudo o que sabemos vem de fontes secundárias, muitas delas escritas séculos depois, o que significa que há camadas de interpretação e possivelmente invenção envolvidas. Diógenes Laércio, Plutarco, Diógenes de Apolônia, Proclo — esses são alguns dos que falaram dele, cada um com seus próprios vieses. Se você quer estudar Pitágoras de verdade, precisa ler com criticidade e cruzar as fontes, porque o que aparece em enciclopédias modernas é muitas vezes um resumo simplificado de resumos simplificados. A herança dele vai além da matemática. A ideia de que o cosmos é regido por leis numéricas — o que os gregos chamavam de kosmos, que significava ordem e harmonia — influenciou diretamente Platão, Kepler e toda a tradição da ciência natural ocidental. A noção de que você pode entender o mundo através de padrões abstratos, em vez de apenas observação empírica, começa com essa linha de pensamento. Não é pouco.

Se você quer se aprofundar, os fragmentos coletados por Walter Burkert em "Lore and Science in Ancient Pythagoreanism" são uma das referências mais sérias, ainda que pesados. Para algo mais acessível, os comentários de Proclo sobre os Elementos de Euclides preservam muitas tradições atribuídas a Pitágoras, embora tenham sido escritos no século V d.C., mais de novecentos anos depois dele. O teorema em si é tão ubíquo que nem precisa de link para baixar ou tutorial. Ele está em qualquer livro de geometria, em qualquer curso do ensino fundamental. O que vale a pena guardar é que por trás da fórmula simples existe uma história longa e complicada, cheia de mitos, erros de atribuição e descobertas que desafiavam o que as pessoas da época achavam que sabiam sobre o mundo. Isso é mais interessante do que qualquer cálculo de hipotenusa.