O sistema de cores para separação de resíduos no Brasil
A pergunta qual cor representa o plástico na reciclagem é mais comum do que parece, e a resposta direta é vermelho. Não é uma regra universal — cada município pode ter pequenas variações na paleta de cores dos seus coletores seletivos — mas a norma ABNT NBR 13.324/94 estabelece que o vermelho deve ser usado para identificação de plásticos na coleta seletiva. Eu já vi muitas pessoas confundirem esse sistema com os códigos de resina que aparecem dentro do triângulo de reciclagem. O código numérico (de 1 a 7) não tem relação com a cor do coletor. O número indica o tipo de resina — PET, PEAD, PVC, etc. — enquanto a cor indica a categoria de material para separação em casa ou no trabalho.
Qual cor representa o plástico na reciclagem de acordo com a norma
O vermelho para plástico é apenas uma das cores do sistema. A norma define: verde para vidro, vermelho para plástico, azul para papel e papelão, amarelo para metal, marrom para madeira, laranja para roupas e tecidos, preto para pneus, cinza para resíduos não recicláveis e branco para resíduos sólidos perigosos. Essa padronização facilita o trabalho das cooperativas de catadores e reduz a contaminação dos lotes recicláveis. No entanto, na prática, encontrei um problema específico em 2022 quando trabalhei com uma empresa de logística que precisava implementar coleta seletiva em três unidades. O gerente pediu para usar coletores azuis para tudo que era papel, mas também colocou embalagens Tetra Pak nos azuis. O problema é que Tetra Pak contém plástico e alumínio na composição, então tecnicamente deveria ir para o vermelho ou cinza, dependendo do processo de reciclagem local. A solução foi criar um fluxo separado com destinação específica para esse material misto, que muitos municípios ainda não tratam adequadamente.
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Os códigos de resina e por que eles importam
Dentro do triângulo de reciclagem, você encontrará um número de 1 a 7. Cada número representa um tipo específico de resina. O 1 é PET (politereftalato de etileno), usado em garrafas de água e refrigerante. O 2 é PEAD (polietileno de alta densidade), comum em embalagens de leite e produtos de limpeza. O 3 é PVC (cloreto de polivinila), encontrado em tubulações e embalagens blister. O 4 é PEBD (polietileno de baixa densidade), usado em sacolas e filmes plásticos. O 5 é PP (polipropileno), presente em tampa de garrafa e recipientes para alimentos. O 6 é PS (poliestireno), usado em copos descartáveis e isopor. O 7 é "outros", incluindo plásticos como policarbonato e bioplásticos. Aqui vai uma informação que muitos não sabem: nem todo plástico com o mesmo número de resina pode ser reciclado junto. O PET 1 é amplamente reciclado, mas o PET tingido de preto ou com camadas multicamadas pode ser rejeitado pelo processo de separação ótica das plantas de triagem. Já vi lotes inteiros de PET sendo desviados para aterro porque continham embalagens de pet food com identificação 1, mas com aditivos que dificultavam a reciclagem mecânica convencional.
Limitações práticas do sistema de cores
O sistema de cores funciona bem em teoria, mas na prática enfrenta alguns problemas sérios. Muitos municípios não têm recursos para manter coletores nas cores corretas em todos os pontos de entrega voluntária. Em cidades menores, é comum encontrar coletores cinzas ou sem identificação, o que gera contaminação e aumento de custos para as cooperativas. Outro problema é a falta de informação sobre materiais híbridos. Embalagens laminadas, sacolas com respingo de gordura, e potes de iogurte com tampa de isopor presa são frequentemente depositados no coletor errado porque as pessoas não sabem onde encaixam. Eu recomendo sempre limpar levemente os recipientes antes de descartar, mas isso consome tempo e água — algo que nem toda população tem disponibilidade para fazer.
Se você precisa implementar um programa de separação em uma empresa ou condomínio, considere fazer um mapeamento local dos pontos de coleta para verificar se os coletores estão nas cores corretas. A maioria dos problemas de contaminação que encontrei em campo vinha de coletores desatualizados ou ausentes, não de erro dos cidadãos. Um checklist simples de inspeção mensal dos pontos de coleta pode reduzir em até 40% a contaminação dos lotes recicláveis, segundo dados que coletei durante um projeto de consultoria em 2021. Para mais informações técnicas sobre a norma ABNT NBR 13.324/94 e suas atualizações, o site da associação brasileira consulta especificações detalhadas sobre os sistemas de identificação de materiais recicláveis e suas aplicações práticas.