Países onde se fala português
A língua portuguesa é oficial em doze países independentes. É uma das seis línguas oficiais das Nações Unidas e tem mais de 260 milhões de falantes nativos. A maioria absoluta desses falantes vive no Brasil, que sozinho concentra cerca de 85% dos falantes da língua no mundo. Isso distorce um pouco a percepção que muita gente tem quando pesquisa quais os países que falam a língua portuguesa, porque normalmente a primeira resposta que aparece é o Brasil, e tudo bem.
Quais os países que falam a língua portuguesa
Além do Brasil, os outros onze países são: Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Guiné Equatorial e os territórios ultramarinos de Macau e de Goa, embora estes dois últimos tenham situação linguidística complicada na prática. O Brasil. Portugal. Angola. Moçambique. Guiné-Bissau. Cabo Verde. São Tomé e Príncipe. Timor-Leste. Guiné Equatorial. Macau não conta mais como país, é Região Administrativa Especial da China, mas o português ainda aparece em alguns documentos e na toponímia. Goa foi colonizado por Portugal e depois perdido para a Índia em 1961, então tecnicamente não é mais território português, mas há comunidades que mantêm traços linguísticos lá.
Se eu fosse listar de forma seca e direta, ficaria assim:
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- América do Sul: Brasil
- Europa: Portugal
- África: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial
- Ásia: Timor-Leste
São doze unidades soberanas no total, reunidas na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ou CPLP, criada em 1996. Agora, a parte que ninguém conta direito. O português não é só uma língua, é um conjunto de variedades muito diferentes entre si. Quando você vai a Angola, o português que você ouve tem estruturas e vocabulário que não existem em Portugal nem no Brasil. O mesmo vale para Timor-Leste, onde o português coexiste com o tétum e o indonésio, e a maioria dos falantes aprendeu a língua como segunda opção, não como materna.
Eu trabalhei num projeto de localização de software para mercados africanos de língua portuguesa e descobri algo que me surpreendeu: um dicionário técnico feito para brasileiros não servia para angolanos, e um feito para portugueses não era compreensível para moçambicanos. As diferenças vão além de sotaque. São diferenças lexicais, gramaticais, de convenção de escrita e até de arquitetura do sistema educacional. Em Angola, por exemplo, a terminologia jurídica tem forte influência do português europeu, enquanto a terminologia médica tende a absorver termos do inglês ou das línguas bantus locais. Outro ponto que as pessoas ignoram: a Guiné Equatorial usa o português como língua oficial desde 2010, mas a língua materna da grande maioria da população é o espanhol, herdado do período colonial espanhol que durou séculos. O francês também é oficial lá. Se você tentar fazer um curso de português voltado para ese país, vai precisar levar isso em conta.
Existe também uma nuance sobre Macau. A China devolveu Macau a si mesma em 1999, mas manteve o regime de "um país, duas reformas". O português continua sendo língua oficial local, mas na prática ele é usado quase exclusivamente em contextos formais, jurídicos e diplomáticos. A população fala cantonês e, em menor escala, mandarim. Eu conheço um tradutor que fez trabalho de revisão de contratos bilíngues português-cantonês para um escritório em Macau, e ele disse que a maior dificuldade não era o português em si, mas a falta de vocabulário técnico estabelecido para traduzir certos conceitos do direito chinês para o português. Ele teve que criar neologismos com base na terminologia lusófona europeia, porque não havia padrão consolidado. Se você está pesquisando quais os países que falam a língua portuguesa por curiosidade, essa lista já basta. Se está fazendo isso por motivo profissional, recomenda-se prestar atenção em três coisas antes de investir tempo ou dinheiro: primeiro, defina qual variedade do português é relevante para seu caso. Segundo, entenda que o português brasileiro não é hegemônico fora das Américas e que impor variações do Brasil em contextos africanos ou asiáticos pode gerar rejeição. Terceiro, lembre-se de que em vários desses países o português convive com pelo menos uma língua nacional que tem status co-oficial ou pelo menos reconhecimento institucional.
Isso significa que, na prática, mesmo nos países onde o português é língua oficial, a realidade cotidiana é muito mais diversa do que os mapas políticos mostram. E isso é algo que se aprende na marra, depois de fazer algumas reuniões em Luanda ou em Maputo e perceber que o português que você usava não estava produzindo o efeito esperado.