Referência bibliográfica de artigos com múltiplos autores: o que a norma diz na prática
Quando eu precisava montar uma referência de um artigo com seis autores pela primeira vez, perdi cerca de vinte minutos porque o modelo do Word sugeria automaticamente listar todos eles, mesmo quando a ABNT pede para usar et al.. A confusão é comum e acontece em todas as normas — APA, Vancouver, Chicago — então vale a pena deixar claro o que cada uma exige e onde estão as pegadinhas que mais aparecem em revistas e trabalhos acadêmicos. A pergunta que todo mundo faz na hora de montar a lista de referências é
como fazer referencia de artigo com varios autores
, e a resposta depende totalmente do padrão que você está usando. Não existe uma regra única, o que aumenta ainda mais a chance de erro quando se combina informações de fontes diferentes sem verificar o manual.O que muda entre ABNT, APA e Vancouver
A ABNT NBR 6023 é a que mais gera dúvida no Brasil porque ela exige listar todos os autores até o terceiro, e a partir do quarto coloca et al. já na primeira citação e na referência. Um detalhe que muita gente ignora: "et al." vai em itálico na ABNT, sem ponto depois de "et" porque "et" já é uma palavra completa em latim, mas "al." leva ponto porque é abreviatura de "alias". Eu já vi trabalho rejeitado por falta desse ponto só por descuido visual. A APA 7ª edição, por sua vez, simplifica bastante. Para até vinte autores, você lista todos. A partir do vigésimo, usa "..." antes do último nome. Na prática, isso significa que a maioria dos artigos científicos com três, quatro ou cinco autores vai ter todos os sobrenomes na referência, o que deixa a lista bem mais longa do que na ABNT. A mudança da APA 6 para a 7 foi exatamente nesse sentido — reduzir o uso de "et al." para evitar ambiguidade quando dois artigos têm o mesmo primeiro autor.
O Vancouver, usado principalmente na área da saúde, segue uma lógica diferente. Ele limita a número de autores na referência, geralmente até seis, e depois usa "et al." Na citação no texto, o Vancouver numérico indica apenas o primeiro autor seguido de "et al." independente de quantos sejam, o que facilita a leitura mas perde informação sobre autoria.
Passo a passo prático para montar a referência
O primeiro passo é identificar qual norma o seu programa ou revista exige. Se for um trabalho de faculdade no Brasil, provavelmente ABNT. Se for submissão para journal internacional, costuma ser APA ou Vancouver. Verificar isso antes de começar economiza retrabalho — e muita gente perde tempo refazendo referências inteiras porque assumiu o padrão errado. Depois, coletem as informações completas do artigo: todos os autores na ordem original, título completo, nome da revista em itálico, volume, número, páginas e DOI ou URL quando disponível. O erro mais frequente é esquecer o DOI ou colocar um link quebrado, o que inviabiliza a localização do artigo por quem está lendo sua referência.
Na hora de formatar, aplique a regra de autores da norma escolhida. Na ABNT, após o terceiro autor, use "et al." em itálico. Na APA, liste todos até vinte. No Vancouver, os seis primeiros e depois "et al.". Mantenha a pontuação exata — vírgulas, ponto final, parênteses — porque revisores e corretores de banca olham isso com lupa.
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Pegadinhas que passam despercebidas
Uma dessas pegadinhas é o tratamento de autores com partícula de nobreza ou nome composto. Na ABNT, partículas como "de", "da", "do" vão em maiúscula só quando iniciam a referência, mas ficam em minúsculo no meio da lista. Já na APA, tudo fica em maiúscula independentemente da posição. Se você estiver misturando normas num mesmo trabalho, esse inconsistency salta nos olhos imediatamente. Outro problema comum é a ordem dos autores. Sempre preserve a ordem original do artigo, mesmo que ela pareça inconsistente com critérios de mérito ou hierarquia. Alterar a ordem é considerado má prática editorial e pode ser interpretado como tentativa de inflacionar autoria.
E tem ainda o caso dos artigos com muitos autores que eu enfrentei recentemente: um paper com dezoito autores numa área de genômica. Na ABNT, eu teria que colocar apenas os três primeiros e "et al.", mas o orientador queria ver todos os nomes por questões de reconhecimento. A solução que funcionei foi usar a norma da revista alvo, que era APA 7, que permite listar até vinte autores. Assim todas as nomes apareceram corretamente sem precisar de gambiarra.
Quando a norma falha ou gera ambiguidade
Nenhuma norma resolve todos os cenários. Artigos com autoresanônimos, traduções de livros com múltiplos tradutores, capítulos de compilados com coautores diferentes — nesses casos, a norma oferece diretrizes genéricas e você precisa aplicar bom senso. O recomendável é consultar o manual completo da norma, não apenas resumos de terceiros, porque cada edição traz ajustes que resumos populares costumam ignorar. Se o artigo tiver sido retraído ou corrigido, a referência deve apontar para a versão publicada originalmente, não para a correção. Colocar um aviso de retratação no corpo do texto é suficiente; alterar a referência em si pode confundir leitores que buscam o documento original.
Verificação final antes de entregar
Antes de finalizar, passe cada referência por um verificador automático como o Scribbr ou o plugin da norma no Zotero. Esses ferramentas pegam erros de pontuação e formatação que o olho humano tende a negligenciar por fadiga. Leve esse processo com calma — uma referência mal formatada pode parecer para quem não conhece o padrão, mas para avaliadores experientes é sinal de desleixo técnico. O tempo médio para revisar uma lista de trinta referências manualmente é de quarenta a cinquenta minutos. Com verificação automática mais revisão manual focada nos casos limítrofes, esse tempo cai para quinze ou vinte minutos. A diferença não é só produtividade — é qualidade percebida pelo avaliador.
Referenciar corretamente não é burocracia vazia. É uma forma de respeitar o trabalho alheio e permitir que outros pesquisadores encontrem suas fontes com facilidade. Quando você domina as regras, o processo deixa de ser um obstáculo e vira parte natural da escrita acadêmica.