O conhecimento que os filósofos do século XVIII realmente rejeitavam
A pergunta sobre a qual tipo de conhecimento os iluministas se opunham pode parecer simples à primeira vista, mas na prática é mais específica do que muitos imaginam. Eles não eram contra o conhecimento em si, claro. Isso seria uma contradição irrelevante para um movimento inteiro baseado na razão. O alvo era mais cirúrgico.
a qual tipo de conhecimento os iluministas se opunham
O tipo de conhecimento que eles atacavam era o que dependia de autoridade estabelecida sem exigência de verificação empírica. Pense no sistema escolástico medieval, por exemplo. Durante séculos, se você queria saber como algo funcionava na natureza, consultava Aristóteles ou o que a Igreja havia decidido sobre o assunto. Os iluministas viram isso como uma armadilha intelectual completa. Voltaire escreveu sobre isso de forma especialmente mordaz, mas o ponto vale para Diderot, d'Alembert, Locke e todo o resto também. O que eu observo frequentemente é que as pessoas confundem isso comanti-autoritarismo. Não é. Na verdade, muitos iluministas respeitavam autoridade que tivesse sido construída através do método científico emergente. Newton era praticamente venerado. O problema era quando alguém alegava saber algo baseado em tradição, revelação divina ou dogma filosófico antigo, sem que houvesse algum caminho observável para testar a afirmação.
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Um detalhe que poucos mencionam é a tensão interna dentro do próprio movimento. Diderot, por exemplo, tinha um conflito interessante. Por um lado, ele queria catalogar todo o conhecimento humano na Encyclopédie de forma sistemática, o que exigia certo tipo de classificação autoritativa. Por outro, a obra inteira era uma declaração de que qualquer pessoa deveria ter acesso ao conhecimento, não apenas clérigos e aristocratas treinados na teologia. Esse tensionamento prático mostra que a oposição iluminista não era pura destruição, mas uma reconstrução dos canais através dos quais o conhecimento era produzido e legitimado. O conhecimento supersticioso também era um alvo frequente. Bruxaria, astrologia prática, diagnósticos baseados em humores gálmicos tradicionais tudo isso estava sendo desmantelado sistematicamente. Mas o ponto crucial é que a rejeição vinha acompanhada de uma proposta positiva: substituir essas fontes por observação controlada, experimentação e raciocínio dedutivo verificável.
Há uma nuance importante aqui que costuma ser ignorada. Os iluministas também se opunham ao conhecimento que era restrito deliberadamente por instituições de poder. A monarquia absoluta usava o direito divino dos reis como fundação epistêmica. A Igreja Católica controlava quais textos podiam ser lidos e interpretados. O sistema gremial mantinha segredos profissionais como forma de manter status econômico. Atacar essas fontes de conhecimento era também um ataque direto às estruturas de dominação política que as sustentavam. Em resumo, a qual tipo de conhecimento os iluministas se opunham: aquele que se autopromove como válido sem submeter-se a escrutínio racional e empírico, e que serve para consolidar hierarquias sociais existentes em vez de permitir que qualquer pessoa competente possa acceder a ele através do próprio esforço intelectual.