Conhecendo as obras de Aleijadinho em Congonhas
O Complexo do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, abriga a obra mais importante de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. As esculturas dos Doze Profetas, em saburá, e os relevos do Tibéria com as Sete Dores de Nossa Senhora estão na capela principal. O trabalho foi executado entre 1796 e 1805, quando o artista já estava avançado na doença que lhe limitou os movimentos das mãos.
Como funcionam as obras de aleijadinho em congonhas na prática
A técnica mista empregada ali é o que mais causa confusão. Aleijadinho não esculpiu cada profeta do bloco original. Ele primeiro modelou figuras em argila, fez moldes de gesso e então fundiu em cimento rudimentar — uma mistura de cal, areia e pedras britadas. Só então dava os acabamentos esculturais à mão. Isso explica porque algumas figuras têm detalhes mais refinados que outras, e por que há variações de estado de conservação entre uma estátua e outra. Uma coisa que poucos sabem: o saburá usado nas bases foi escolhido especificamente por sua resistência à umidade e às intempéries. A pedra não é decorativa, é estrutural. Cada profeta descansa sobre um pedestal de saburá que funciona como contrapeso. Quando você vê uma figura levemente inclinada, isso muitas vezes não é erro de execução, mas sim um ajuste intencional de equilíbrio que compensava o peso irregular do bloco fundido.
O problema mais comum que eu vejo em trabalhos de restauro é a infiltração de água por trás das figuras. A argamassa da base se expande com a umidade, empurra a estrutura para fora e os pés. Eu já encontrei um caso em que a solução foi drenar a água por baixo do pedestal com microcanalizações e aplicar calda de cemento diluída para estabilizar o interior sem tocar a superfície visível. O resultado levou semanas, não dias. Outro detalhe técnico relevante é a cor original. As esculturas foram originalmente pintadas. A maioria das camadas de tinta se perdeu com o tempo, mas em algumas áreas ainda restam vestígios de pigmentos. Esse é um dos pontos mais discutidos nos círculos de conservação hoje. Há quem defenda a reconstrução da policromia original e quem defenda deixar apenas o aspecto atual, que já se tornou parte da identidade visual do conjunto.
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O que observar ao visitar o local
Se você for ver as obras pessoalmente, preste atenção à relação entre os profetas e o claustro que os cerca. Aleijadinho projetou todo o espaço como uma peça única. A luz que entra pelas aberturas laterais foi calculada para incidir sobre cada figura de maneira diferente ao longo do dia. Isso não é acaso, é intenção composicional. Os relevos do Tibéria na capela-mor mostram as Sete Dores de Maria. A técnica é baixo-relevo em pedra-sabão, com acabamento que varia conforme a posição relativa de cada cena. Algumas partes estão mais desgastadas pelo tempo, outras preservaram melhor os detalhes originais. O grupo central, com a dor de Maria no centro, é o que tem maior nível de refinamento.
A capela dos Passos, ao lado, contém as cenas da Paixão de Cristo em taipa e pedra. Também attribution a Aleijadinho, embora com menor consenso entre os estudiosos. As figuras ali são mais simples, menos detalhadas. Alguns especialistas atribuem a execução a aprendizes do ateliê, enquanto outros veem uma mão mais direta do mestre nas poses e composições.
Questões de conservação atuais
O IEPHA e o IPHAN acompanham o estado das esculturas há décadas. O problema crônico é a chuva ácida e a poluição atmosférica que atinge a região de Minas Gerais. A crosta negra que se forma sobre as figuras é resultado da deposição de partículas de fuligem e compostos sulfurosos. Remover essa crosta sem danificar a superfície original é um processo delicado que exige testes preliminares em áreas não visíveis. Uma limitação importante que muita gente ignora: o número de visitantes por dia é restrito propositalmente. Não é apenas questão de preservação do patrimônio, mas também de controle da umidade relativa do ar dentro do santuário. Muitas mãos, muito ar, e o microclima muda rapidamente. Isso já foi negligenciado no passado e causou danos reais que ainda são visíveis em algumas áreas.
Se você pesquisa obras de aleijadinho em congonhas para um trabalho acadêmico ou projeto de restauro, recomenda-se consultar os dossiês do IPHAN e os estudos do IEPHA. Os relatórios técnicos disponíveis publicamente trazem dados muito mais precisos do que qualquer resumo genérico sobre o tema. Os registros fotográficos periódicos, feitos em diferentes épocas do ano, também são úteis para acompanhar a evolução do estado de conservação.