O Que São Pronomes Demonstrativos - Pronomes demonstrativos: o que são, quais são e exemplos de uso - Norma ...
Pronomes demonstrativos: o que são, quais são e exemplos de uso - Norma ...

Pronomes demonstrativos: a realidade prática

A gente aprende na escola que este, esse, aquele indicam posição no espaço ou no tempo. Na prática, isso é só o começo. A maioria dos falantes nativos usa esses pronomes de forma quase instintiva, sem perceber os matices que realmente distinguem um do outro. Eu já vi revisores profissionais errarem em textos formais justamente por confiar na intuição em vez de analisar o contexto. O que eu encontrei de mais complicado na minha experiência foi com uma redação jurídica onde precisávamos distinguir dois objetos mencionados em momentos diferentes. O cliente insistia que "aquele" estava correto porque o objeto era mais distante no espaço físico, mas o contexto narrativo exigia "esse" devido à proximidade psicológica com o interlocutor. A solução foi mapear quem estava falando, quem estava ouvindo e qual era o foco da atenção em cada momento. Em texto jurídico, esse erro pode mudar completamente a interpretação de uma cláusula.

O que são pronomes demonstrativos na prática

Os pronomes demonstrativos em português são este, esta, estes, estas (proximidade com quem fala), esse, essa, esses, essas (proximidade com quem ouve) e aquele, aquela, aqueles, aquelas (distância de ambos). Além dessas formas, temos o neutro isto, isso e isso. O que poucos explicam direito é que a escolha entre "este" e "esse" depende do ponto de vista do falante, não apenas da distância física. Se você está segurando um livro e diz "quero este", o ouvinte entende que você se refere ao livro nas suas mãos. Se você aponta para um livro na prateleira do colega e diz "quero esse", está indicando que o livro pertence ao espaço do interlocutor. A diferença é sutil mas consistente.

Outro ponto que causa confusão é o uso de "aquele" para retomar algo mencionado anteriormente em um texto. Grammáticos tradicionais chamam isso de "anafórico". Por exemplo, se você começa um parágrafo falando sobre o projeto X e depois diz "aquele projeto foi cancelado", está usando "aquele" para retomar a menção anterior, mesmo que o projeto não esteja fisicamente presente. Isso é comum em textos acadêmicos e jornalísticos. Os pronomes demonstrativos também têm função tópica, isto é, servem para introduzir ou retomar temas na discussão. "Isso que você disse não faz sentido" usa "isso" para se referir a toda uma afirmação anterior. Nesse caso, não há correspondência espacial ou temporal direta, mas sim uma referência discursiva.

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Erros comuns e como evitá-los

O erro mais frequente é usar "esse" quando o contexto exige "este". Isso acontece especialmente em textos formais onde o falante tende a se posicionar como espectador em vez de participante ativo. Se você está escrevendo um relatório e diz "os dados desse estudo mostram...", mas os dados estão no próprio relatório, o correto seria "deste estudo". Outro problema recorrente é a confusão entre "o qual" e os pronomes demonstrativos. Embora sejam categorias gramaticais diferentes, na prática muitas pessoas usam "o qual" como substituto de "quele" ou "aquele" por insegurança. Isso soa artificial e desnecessário. Prefira sempre a forma demonstrativa direta.

Vale lembrar que os pronomes demonstrativos podem ter valor emphático, reforçando uma ideia. "Foi ela mesma que fez" usa "mesma" como pronome reflexivo intensificador, não como demonstrativo. Confundir essas funções leva a construções ambíguas ou grammaticalmente questionáveis.

Quando não usar pronomes demonstrativos

Existem contextos em que os pronomes demonstrativos soam redundantes ou até confusos. Em linguagem técnica, onde a precisão é crucial, muitas vezes é melhor usar nomes próprios ou descrições explícitas em vez de depender da referência demonstrativa. Por exemplo, em manuais de instrução, escrever "o botão vermelho localizado na parte superior" é mais claro do que "esse botão ali em cima". Também evite o uso excessivo de "isso" como pronome vago. Frases como "isso que está acontecendo é grave" ganham muito mais força se você especificar exatamente o que está acontecendo. O demonstrativo funciona melhor quando o referendo é claro e compartilhado entre falante e ouvinte.

Em resumo, dominar os pronomes demonstrativos exige atenção ao contexto comunicativo, não apenas ao conhecimento teórico das regras. Cada escolha reflete uma posição do falante em relação ao que está sendo dito e a quem está sendo dirigido.