Terceira pessoa: o que você precisa saber na prática
A terceira pessoa é o ponto de vista usado quando quem fala ou escreve não é o interlocutor e também não é o próprio autor. Em português, isso se traduz no uso de pronomes como ele, ela, você, eles, elas, além dos substantivos que nomeiam alguém ou algo fora da situação de fala. É o básico de qualquer manual de redação, mas a forma como você aplica isso no dia a dia faz toda a diferença entre um texto claro e um texto que gera ambiguidade.
O que é terceira pessoa e como ela se diferencia das demais
Na gramática tradicional, temos três pessoas do discurso. A primeira é o eu, aquela em que quem produz o enunciado fala de si mesmo. A segunda é o tu ou você, o destinatário da mensagem. A terceira é tudo o mais. Ele, ela, o senhor, a senhora, os colegas, a empresa, o presidente. O ponto crucial que muita gente esquece é que a terceira pessoa não precisa ser apenas um pronome pessoal. Qualquer substantivo ou nome próprio funciona como terceira pessoa sempre que não está falando e não está sendo falado. O que é terceira pessoa, numa leitura mais rigorosa, envolve também concordância verbal, seleção pronominal e posicionamento. Não se trata apenas de saber conjugação. Trata-se de entender o que acontece quando você alterna entre perspectivas num mesmo parágrafo, por exemplo.
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Eu já vi muito gente confusa na hora de decidir se usa o pronome relativo ou a repetição do sujeito. A regra prática é simples: evite repetir o nome quando o referente já está estabelecido, mas não use pronome onde a referência possa ser ambígua. Em textos formais, preferencialmente, o pronome "que" ou "cujo" resolve sem criar dúvidas. Em textos informais, isso varia com o padrão da região. No Nordeste, por exemplo, a forma "a gente" costuma funcionar como primeira pessoa do plural, enquanto em São Paulo e no Sul, "você" e "vocês" dominam como segunda pessoa do discurso. A terceira pessoa se mantém estável nesses contextos, mas a escolha das formas verbais depende muito do registro que você quer manter. Há um detalhe técnico que pouca gente leva em conta. A terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo, por exemplo, tem formas irregulares que geram erro muito comum: "ele fez", "ele pôs", "ele disse". Errar isso é frequente em produções escritas, especialmente em conteúdos automatizados ou revisados apressadamente. Um revisor experiente consegue identificar esses deslizes rapidamente, mas a correção manual ainda é o padrão na maioria dos escritórios de redação que conheço.
Quem trabalha com conteúdo para a web costuma notar um problema específico. Quando se escreve sobre tecnologia, saúde ou direito usando terceira pessoa, a tendência é cair em frases longas com muitas orações subordinadas. Isso acontece porque o autor tenta evitar a repetição do sujeito e acaba criando períodos de quarenta, cinquenta palavras. A solução que eu uso é dividir a oração principal em duas, usando um ponto final no lugar de uma vírgula com "e". Funciona em cerca de oitenta por cento dos casos em que eu preciso reapresentar um conceito técnico sem soar repetitivo. Outro aspecto prático diz respeito ao tratamento formal. Em correspondência empresarial, usar a terceira pessoa é quase obrigatório. "Vimos por meio desta informar que o protocolo foi encaminhado" é uma construção padrão. Já em mensagens diretas, especialmente entre colegas, a segunda pessoa predomina. A troca entre esses registros pode gerar estranheza ou soar excessivamente formal quando o contexto pede informalidade, ou vice-versa. O aviso é: preste atenção ao tom do canal antes de escolher a pessoa do discurso.
Existe ainda a questão da impessoalidade. A terceira pessoa permite construir textos sem atribuir autoria direta, o que é útil em normas, regulamentos e comunicados institucionais. Frases como "fica proibido o ingresso de menores" ou "o candidato deverá apresentar os documentos" usam a terceira pessoa do singular com valor genérico. Isso não significa que o texto esteja sem autor. Significa apenas que o foco está na ação, não no agente. Essa nuance é importante, porque muitos editores confundem impessoalidade com falta de responsabilidade. Não é o mesmo. O responsável pelo conteúdo permanece o mesmo, só que a construção textual esconde a voz ativa. Se você está aprendendo português ou precisa revisar um texto, o mais eficiente é ler em voz alta. Isso costuma revelar onde a concordância está falha ou onde a referência pronominal está ambígua. Leitura silenciosa passa por cima desses erros com muita frequência. Dedique uns dez minutos para essa verificação e o resultado melhora perceptivelmente.