A base do jogo
O que é, o que é para crianças é um formato de perguntas e respostas onde a criança recebe uma dica ou um enigma e precisa adivinhar qual objeto, animal, fruta ou conceito está sendo descrito. A mecânica é simples: você lê algo como "O que é, o que é? Tem cabeça mas não tem cérebro, tem dente mas não come" e a resposta é um alho. Funciona com centenas de variações. Eu comecei a usar isso em casa por volta de 2018, quando minha filha tinha seis anos e estava numa fase de querer saber tudo. Achei os aplicativos genéricos muito repetitivos, então passei a montar minhas próprias rodadas. O formato se mantém estável há décadas porque a estrutura de pergunta-resposta com dica funciona independente da tecnologia.O que e o que para criancas: como funciona na prática
O jogo acontece em rodadas. Um participante lê a dica em voz alta, os outros tentam responder. Pode ser jogado em família, em sala de aula, ou de forma individual com apps. A maioria dos conteúdos modernos segue esta lógica básica:
- Uma frase de pergunta usando "o que é, o que é?"
- Dois ou três versos com pistas concretas
- Uma resposta única que combina com todas as pistas
- Um sistema de pontos ou apenas o prazer de acertar
O diferencial entre um material bom e um ruim geralmente está na qualidade das pistas. Pistas muito óbvias empobrecem o jogo. Pistas que remetem a características reais do objeto — formato, cor, função, habitat — mantêm a criança pensando de verdade. A diferença entre "tem casco e vive na água" e "vive no mar, tem onze pernas e faz carinho com as pinças" é abismal.
Formatos que existem no mercado
Tem basicamente três caminhos: apps de celular, jogos físicos impressos, e conteúdo textual que você monta sozinho. Vou falar de cada um sem fingir que todos são iguais. Os aplicativos mais comuns no Brasil são "O que é, O que é?" da Globo, quizzes educativos do tipo Trilhas do Saber, e vários apps independentes nas lojas. A maioria cobra entre R$ 5 e R$ 20 por versão premium. A maior parte do conteúdo gratuito já é suficiente para começar, então não precisa desembolsar logo de cara.
Os jogos físicos são caixas com cartas ou livros de perguntas. Marcas como Árvore da Vida e Intrínseca têm versões infantis. Eles têm a vantagem de não dependerem de tela, o que é relevante se você quer limitar o tempo de uso de dispositivos. A desvantagem é que o acervo é fixo e não atualiza. O terceiro caminho, que é o que eu uso agora, é o papel e caneta. Você escreve as perguntas, imprime, recorta e pronto. Custa praticamente zero. Leva uns vinte minutos na primeira vez para montar um banco de trinta perguntas decentes. Depois disso, nunca mais precisa comprar nada.
Como montar seu próprio material
Se a ideia é criar perguntas sendiri, o processo mais prático segue estes passos:
- Escolha o tema. Pode ser animais, frutas, partes do corpo, profissões, elementos da natureza, objetos do cotidiano.
- Pesquise características reais do objeto ou ser. Anote pelo menos cinco propriedades distintas.
- Selecione duas ou três propriedades que formem um padrão único. A combinação deve levar a uma única resposta plausível.
- Escreva em forma de verso ou frase curta, mantendo o ritmo simples.
- Teste com outra pessoa. Se ela acertar de primeira, a pergunta tá fácil demais. Se não conseguir de jeito nenhum, tá difícil demais.
- Anoto a resposta em outro lado para não se perder.
Um exemplo real de como eu montei: a resposta era "abelha". As pistas foram "tem listra amarela e preta", "faz mel", "vive em colmeia", "tem ferrão". Testei com meu cunhado e ele acertou em dez segundos, então tirei a pista do ferrão porque estava facilitando demais. Deixei só as três primeiras e o tempo médio de resposta subiu para uns quarenta segundos.
Pegadinhas comuns e como evitar
O erro mais frequente quem começa a montar essas perguntas comete é usar pistas que se aplicam a mais de um objeto. "Tem patas e late" parece claro, mas cachorro e lobo both se encaixam, então a pergunta é inválida para o jogo. Sempre revise a unicidade da resposta antes de colocar nas cartas. O outro erro é o nível de linguagem. Se a criança tem cinco anos, palavras como "habitat natural" ou "mamífero herbívoro" não funcionam. A dica precisa ser traduzida para o vocabulário dela. "Onde o bicho mora" funciona melhor do que "seu habitat"."
Conteúdo pronto: onde encontrar
Se você quer algo para usar agora, sem montar do zero, os caminhos mais acessíveis são:
Apps na Play Store e App Store digitando "o que e o que para crianças". Os mais baixados costumam ter uma versão gratuita com dezenas de perguntas e a versão paga com milhares. Vale a pena testar a grátis antes de pagar. Sites educacionais como brinquedoteca.com, santillana.com.br, e portal do professor.gov.br têm listas imprimíveis gratuitas. Muitas professoras postam materiais prontos que você pode usar diretamente.
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YouTube também tem canais inteiros dedicados a esse formato. A desvantagem é que vira um passivo — a criança assiste, mas não participa ativamente. Funciona como complemento, não como substituto do jogo interativo.
Um problema real que eu tive e a solução
Em 2021, minha filha de sete anos começou a perder o interesse nas perguntas porque todas seguiam o mesmo padrão: quatro versos, resposta única, ponto na hora. Ela pediu perguntas mais difíceis, mas as que eu montava ou achava na internet ou eram infantis demais ou adultas demais. Não tinha meio-termo. A solução foi introduzir um sistema de níveis dentro das próprias cartas. Separei as perguntas em três pilhas: fácil (pistas muito diretas, resposta óbvia), médio (duas pistas sutis, exige associação) e difícil (pistas abstratas, resposta menos intuitiva). A criança escolhe a pilha antes de começar. Isso aumentou o tempo de jogo em cerca de duas horas semanais, só por causa do elemento de escolha.
Também adicionei um formato de "contrária": eu dava a resposta primeiro e ela tinha que inventar as pistas. Isso exigiu um nível de pensamento diferente e foi o que mais a prendeu. Em vez de apenas reconhecer padrões, ela precisava construí-los.
Quando esse formato não funciona
Existe um limite claro. Crianças muito pequenas, abaixo de quatro anos, ainda não têm vocabulário suficiente para processar enigmas. O jogo fica frustrante e elas desistem. Para essa faixa, é melhor usar figuras e nomes simples, não enredos. Crianças com dificuldades de leitura também podem travar se o conteúdo depender exclusivamente do texto. Nesse caso, o formato visual com imagens ajuda muito, mas a maioria dos apps e materiais impressos não oferece essa versão acessível de forma consistente.
O outro ponto fraco é a repetição. Mesmo com cinquenta perguntas diferentes, após duas semanas de uso intenso, a criança já decorou gran parte. Aí o material se esgota e você precisa either comprar mais ou passar para o modo de criação própria, que é mais trabalhoso mas também mais duradouro.
Dica prática de organização
Se você for montar cartas físicas, use papel cartão ou cartolina comum. Impressora jato de tinta em papel sulfite tradicional deixa as cartas muito finas e elas amassam rápido. Cartolina dura o dobro e o custo adicional é insignificante. Organize por tema em envelopes separados. Assim você consegue misturar questões de animais com de objetos sem confusão. Isso permite rodadas temáticas quando a criança demonstrar mais interesse em algum assunto específico.
Guarde um caderno com as perguntas que você já criou e testou. Anote junto o nível de dificuldade que você atribuiu e o tempo médio de resposta. Com o tempo, esse registro vira um banco de dados pessoal que vale mais do que qualquer app genérico, porque conhece o nível real da criança.