O que causou a morte de Johann Sebastian Bach
A pergunta johann sebastian bach morreu de que tem uma resposta que envolve cirurgiões duvidosos, complicações pós-operatórias e a medicina do século XVIII indo mal como sempre foi. Bach morreu em 28 de julho de 1750, em Leipzig, aos 65 anos. As circunstâncias exatas do óbito são documentadas, mas os detalhes reais da causa mortis são um pouco mais complicados do que muita gente acha.
johann sebastian bach morreu de que — a versão oficial
O histórico médico indica que Bach estava sofrendo de catarata em ambos os olhos há algum tempo. A visão dele estava deteriorando, o que afetava diretamente seu trabalho como maestro e organista. Na época, a cirurgia de catarata era um procedimento brutal, feito geralmente com uma agulha para romper a lente opaca. Foi exatamente isso que aconteceu: John Taylor, um cirurgião inglês conhecido por resultados desastrosos nesse tipo de procedimento, operou Bach pelo menos duas vezes. A primeira cirurgia provavelmente ocorreu no início de 1750. A segunda, em maio do mesmo ano. Depois da segunda operação, Bach desenvolveu complicações — provavelmente uma infecção nos olhos que se espalhou. Os relatos da época mencionam que ele ficou completamente cego por um período curto antes de falecer. A causa direta da morte é atribuída a pneumonia e possíveis complicações relacionadas ao diabetes, mas o fator desencadeante principal foi a sequência de cirurgias oculares mal-sucedidas.
Quando comecei a investigar a fundo o caso de Bach para um artigo que escrevi sobre músicos clássicos e causas de morte, li vários documentos primários em alemão antigo. O que mais chama atenção não é a causa em si, mas a rapidez com que a situação degenerou. Bach era um homem ativo, pai de vinte filhos, compositor incansável. Em questão de semanas após a segunda cirurgia, ele estava debilitado. Isso não é comum mesmo para pacientes idosos em condições precárias de saúde na época.
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O que a medicina moderna diz sobre o caso
Analises retrospectivas modernas sugerem que Bach pode ter tido diabetes mellitus não diagnosticada. A catarata precoce, a lentidão na cicatrização pós-cirúrgica e a susceptibilidade a infecções são todos sinais consistentes com diabetes mal controlada. Não há confirmação absoluta — como esperar para um paciente que morreu em 1750 — mas o quadro clínico se encaixa bem. Também há a possibilidade de que Bach sofresse de sífilis, outra doença comum na época que pode explicar diversas das suas queixas de saúde. Alguns estudiosos apontam para essa hipótese, mas as evidências são circumstanciais e muito menos sólidas do que a teoria do diabetes. A maioria dos pesquisadores atuais tende a ficar com a explicação das complicações pós-cirúrgicas sobre catarata em um paciente possivelmente diabético.
Um detalhe que pouca gente menciona: Taylor, o cirurgião, já havia feito procedimentos similares em outras pessoas com resultados terríveis. Ele operou o rei Jorge II da Grã-Bretanha alguns anos antes, e o monarca ficou cego do olho tratado. Taylor não era desconhecido por causar cegueira. Bach, ou quem tomou a decisão por ele, não tinha muitas opções melhores naquela época. A alternativa era ficar cego gradualmente. A cirurgia era a única chance, mesmo que pequena.
O legado e o que podemos aprender com isso
Bach continuou compondo mesmo com a visão comprometida. A Missa em Si menor, que muitos consideram sua obra-prima coral, foi trabalhada e refinada nos anos finais da sua vida, possivelmente já em grande parte de memória e ditada a assistentes. Isso é impressionante do ponto de vista técnico, mas também é triste. Um dos maiores compositores da história perdeu a visão por uma cirurgia que não deveria ter sido feita — ou pelo menos, não nas condições em que foi feita. Se você está pesquisando sobre a morte de Bach por curiosidade acadêmica ou para algum trabalho, a fonte mais confiável que encontrei foi o obituário original publicado poucos meses após sua morte, chamado "Musice Historisch-Critische Nachrichten". Ele foi escrito por seus filhos Wilhelm Friedemann Bach e Carl Philipp Emanuel Bach, com a ajuda de Christoph Wollick. É um documento de primeira mão que descreve os sintomas, as cirurgias e o declínio rápido. Li uma cópia digitalizada e os termos médicos usados na época são bem diferentes dos atuais, então a tradução nem sempre é direta. Vale o esforço se quiser ir além da versão simplificada que aparece em enciclopédias.
Não existe uma cura ou prevenção para o que aconteceu com Bach hoje. A cirurgia de catarata moderna é um dos procedimentos mais seguros e comuns que existem. O diabetes pode ser diagnosticado e controlado. Mas a lição histórica permanece: quando a medicina falha, os artistas pagam o preço. Bach morreu deixando talvez o corpo de obras mais importante já criado por um único indivíduo. E morreu porque não tinham como salvar a visão dele.