Artigos definidos e pronomes demonstrativos em português: como usar as/es/is/os/us corretamente
Muita gente trava na hora de escolher entre as, os, estes, esses, estes e seus derivados. Não é difícil, mas exige atenção ao gênero, número e à distância em relação ao interlocutor. Se você já errou num e-mail importante ou num documento formal por colocar "aquele" no lugar de "esse", já sabe o custo disso. O princípio básico é simples, mas tem camadas que a maioria dos materiais didáticos não mostra. Vou explicar como funciona na prática.
Frases com as es is os us
Quando falamos em frases com essas formas, estamos lidando com dois sistemas que se cruzam: os artigos definidos (o/a/os/as) e os pronomes demonstrativos (este/esse/aquele, nas suas flexões). O problema é que eles compartilham terminações parecidas, e isso gera confusão constante. "As" é artigo definido feminino plural. "Es" não existe como forma isolada — é um sufixo que aparece em palavras como "estes", "desses", "aqueles". O mesmo vale para "is" (em "isto", "disso") e "us" (em "ilus", que não é comum, mas aparece em formas como "aquilus" em textos mais arcaicos). Na prática, o que importa é entender o quadro completo:
Artigos definidos: O / Os — masculino singular e plural
A / As — feminino singular e plural Pronomes demonstrativos de lugar:
Este / Esta / Estes / Estas — coisa próxima do falante Esse / Essa / Esses / Essas — coisa próxima do ouvinte ou perto do falante, mas não tão próxima quanto "este"
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Aquele / Aquela / Aqueles / Aquelas — coisa distante de ambos Pronomes demonstrativos neutros:
Isto / Isso / Aquilo O erro mais comum que vejo é a troca entre "esse" e "este". Muita gente usa "esse" para tudo, o que soa vago e impreciso. Em textos formais, isso prejudica a clareza. Já vi relatórios técnicos ficarem ambíguos porque o autor usou "esse problema" quando na verdade se referia a algo que estava sendo discutido no momento — aí o correto seria "este problema". A diferença é sutil, mas quem lê com atenção percebe.
Outro ponto que causa confusão são as combinações com preposições. Quando a preposição "de" encontra o artigo "os" ou o demonstrativo "esses", o resultado é "dos" e "desses". Quando "em" encontra "este", vira "neste". Essas contrações são obrigatórias na língua padrão, e ignorá-las é marca de registro informal. Me deparei recentemente com um caso bem específico: um contrato em que o redator usava "àquele" repetidamente. A forma correta, com crase, seria apenas "àquele" quando houvesse exigência de preposição "a" + artigo "aquele". Mas o erro comum é usar crase antes de palavra masculina — o que não acontece com "aquele" porque ele já carrega a preposição embutida na forma contrata. Usei uma régua simples: sempre que a frase pudesse ser reescrita com "a + aquele" sem crase, eu removia. Funcionou.
Para dominar o assunto, o melhor exercício é ler textos formais e prestar atenção a como os demonstrativos são usados para marcar presença ou ausência no discurso. Jornalistas bons fazem isso o tempo todo: "este pesquisador" para alguém que acaba de ser citado, "esse dado" para algo mencionado anteriormente, "aquele caso" para algo distante no tempo ou no contexto. Se você quer praticar, escreva parágrafos descrevendo objetos ao seu redor usando os três demonstrativos. Coloque um caneta perto de você ("este caneta" — note que o correto seria "esta caneta"), um celular na mesa do colega ("esse celular"), e uma foto na parede do fundo ("aquela foto"). A diferença espacial se torna clara quando você força a situação.
O principal obstáculo para a maioria das pessoas é que o português brasileiro coloquial tende a uniformizar os demonstrativos. No dia a dia, "esse" cobre muita função que deveria ser de "este". Isso não é errado em registros informais, mas em situações formais — concursos, provas, documentos jurídicos, publicações acadêmicas — a distinção ainda é cobrada. E quando é cobrada, a diferença entre usar "este" e "esse" corretamente pode ser a diferença entre uma redação nota zero e uma nota alta. Outro detalhe que poucos mencionam: os pronomes demonstrativos podem funcionar como substitutos de artigos definidos em contextos específicos. "Desta forma" significa basicamente "da maneira que estou prestes a explicar". É uma função que não tem equivalente direto em muitos idiomas, e por isso estrangeiros têm dificuldade. A dica é tratar "deste/desta/destes/destas" como marcadores de introdução — algo que está prestes a ser apresentado — enquanto "desse/dessa/desses/dessas" marca retomada de algo já dito.
Resumindo sem resumo: aprenda as formas, pratique a distinção contextual e leia bastante texto formal. O resto vem com o tempo. Se quiser uma fonte confiável para consulta rápida, a gramática do portal da Secretaria de Língua Portuguesa do governo federal ou o Ciberdúvidas são bons pontos de partida. Evite apps que ensinam apenas regras decorebas — o uso dos demonstrativos depende de contexto, não de fórmula fixa.