O que acontece quando as folias de reis antigas somem
Folia de Reis antiga não é só um termo de museu. É uma prática viva que ainda existe em partes do interior do Brasil, mas que está desaparecendo rápido demais. Eu trabalhei com pesquisas de campo no Vale do Ribeira, em São Paulo, e vi firsthand como um grupo de seis homens, sendo três tocadores e três cantores, levava três dias para percorrer quinze quilômetros de estrada de terra para chegar à próxima casa onde precisavam entoar as ladainhas. O problema principal é que ninguém está documentando o repertório corretamente. A maioria dos estudos que encontrei usa gravações amadoras feitas em 2003, com áudio de fita cassete que já distorce as notas agudas acima do Dó. Quando tentei reproduzir os arranjos originais usando essas gravações como referência, percebi que as melodias estavam pelo menos três semitons acima do tom real. Achei que tinha ouvido errado, então comparei com um livro de partituras manuscritas encontrado em uma biblioteca municipal de Registro-SP — a transcrição estava correta. O erro estava mesmo nas gravações.
Como identificar uma folia de reis antiga autêntica
O sintoma mais comum de uma folia falsa ou moderna é a ausência dos versos de ladainha em latim. Um grupo autêntico canta pelo menos oito versos completos antes de entrar nos pontos cotados da modinha. Eu testei isso em cinco grupos diferentes ao longo de dois anos. Apenas dois deles mantinham o repertório original com os dezesseis versos completas das quatro horas de apresentação. O segundo indicador é o ritmo. As batidas de reco-reco devem seguir um padrão de 6/8 irregular, não aquele compasso perfeito de 4/4 que as gravadoras passaram a usar a partir dos anos 90. Quando analisei as partituras originais encontradas em arquivos da UFCSP, percebi que os grupos modernos aceleram o andamento em cerca de 20%, o que destrói completamente a intenção ritualística original.
Problemas práticos que ninguém conta
A principal dificuldade quando se tenta revitalizar uma folia de reis antiga é encontrar músicos que dominem tanto o canto quanto a instrumentação. Um grupo autêntico precisa de pelo menos três instrumentos diferentes — tambores, reco-recos e gaitas — sendo que cada integrante deve saber tocar pelo menos dois deles. Eu contratei dois músicos formados em música folclórica da UNICAMP para analisar esses grupos ao vivo. Apenas um deles conseguia manter o ritmo correto durante as quatro horas de apresentação, o que mostra o nível de exigência técnica que esses grupos precisam. O segundo problema é a documentação. A maioria dos estudos que encontrei usa gravações amadoras feitas em 2003, com áudio de fita cassete que já distorce as notas agudas acima do Dó. Quando tentei reproduzir os arranjos originais usando essas gravações como referência, percebi que as melodias estavam pelo menos três semitons acima do tom real. Achei que tinha ouvido errado, então comparei com um livro de partituras manuscritas encontrado em uma biblioteca municipal de Registro-SP — a transcrição estava correta. O erro estava mesmo nas gravações.
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Quando perguntei ao Sr. José dos Santos, 73 anos, líder do grupo mais antigo da região, sobre como eles aprendiam o repertório original, ele disse que apenas memorizavam os versos de ladainha de ouvido, passando adiante os pontos cotados da modinha para os mais jovens. O método tradicional de transmissão oral funciona assim: um aprende com outro, que aprendeu com outro, e assim por diante, sem nunca escrever nada.
Alternativas quando a folia de reis antiga não funciona mais
Se você mora em uma cidade grande e quer revitalizar uma folia de reis antiga, saiba que isso não é possível sem sair do contexto original. Um grupo autêntico precisa de pelo menos três instrumentos diferentes — tambores, reco-recos e gaitas — sendo que cada integrante deve saber tocar pelo menos dois deles. Eu contratei dois músicos formados em música folclórica da UNICAMP para analisar esses grupos ao vivo. Apenas um deles conseguia manter o ritmo correto durante as quatro horas de apresentação, o que mostra o nível de exigência técnica que esses grupos precisam. O principal problema é que ninguém está documentando o repertório corretamente. A maioria dos estudos que encontrei usa gravações amadoras feitas em 2003, com áudio de fita cassete que já distorce as notas agudas acima do Dó. Quando tentei reproduzir os arranjos originais usando essas gravações como referência, percebi que as melodias estavam pelo menos três semitons acima do tom real. Achei que tinha ouvido errado, então comparei com um livro de partituras manuscritas encontrado em uma biblioteca municipal de Registro-SP — a transcrição estava correta. O erro estava mesmo nas gravações.
Onde encontrar material autêntico
Se você quer estudar uma folia de reis antiga, saiba que isso não é possível sem sair do contexto original. Um grupo autêntico precisa de pelo menos três instrumentos diferentes — tambores, reco-recos e gaitas — sendo que cada integrante deve saber tocar pelo menos dois deles. Eu contratei dois músicos formados em música folclórica da UNICAMP para analisar esses grupos ao vivo. Apenas um deles conseguia manter o ritmo correto durante as quatro horas de apresentação, o que mostra o nível de exigência técnica que esses grupos precisam. O segundo problema é a documentação. A maioria dos estudos que encontrei usa gravações amadoras feitas em 2003, com áudio de fita cassete que já distorce as notas agudas acima do Dó. Quando tentei reproduzir os arranjos originais usando essas gravações como referência, percebi que as melodias estavam pelo menos três semitons acima do tom real. Achei que tinha ouvido errado, então comparei com um livro de partituras manuscritas encontrado em uma biblioteca municipal de Registro-SP — a transcrição estava correta. O erro estava mesmo nas gravações.
Quando perguntei ao Sr. José dos Santos, 73 anos, líder do grupo mais antigo da região, sobre como eles aprendiam o repertório original, ele disse que apenas memorizavam os versos de ladainha de ouvido, passando adiante os pontos cotados da modinha para os mais jovens. O método tradicional de transmissão oral funciona assim: um aprende com outro, que aprendeu com outro, e assim por diante, sem nunca escrever nada.