Entendendo o problema antes de resolver os exercícios
A maior parte dos estudantes trava nessa questão porque confunde três categorias que se parecem muito na prática. A diferença real não está na forma como o gênero é expresso em si, mas no que está acontecendo com o substantivo em termos de flexão e referência. Vou passar direto para o que funciona, sem rodeio. Substantivos epicenos são aqueles que só mudam o artigo para indicar sexo do ser animado. O nome em si é fixo. "A tubarão", "a jacaré", "a onça". Isso é usado exclusivamente para animais, e você já vai encontrar isso com frequência em provas. Não invente uma variante masculina onde ela não existe.
Substantivos sobrecomuns têm uma forma que abrange ambos os sexos e não varia no singular. "A criança", "o vitimismo", "a testemunha". O gênero gramatical é único, mas a referência pode ser de qualquer sexo. A confusão comum é achar que "sobrecomum" significa algo como "usado demais". Não tem nada a ver com frequência de uso. Substantivos comuns de dois gêneros têm duas formas distintas: uma para o masculino e outra para o feminino. "O colega / a colega", "o ator / a atriz", "o dentista / a dentista". Aqui o gênero é marcado tanto no artigo quanto no substantivo em muitos casos. A pegadinha clássica é quando o substantivo não muda — "o repórter / a repórter" — e aí a única diferença fica no artigo.
Exercícios substantivos epicenos sobrecomum comum dois gêneros com gabarito
Parte 1 – Identifique a categoria
Classifique cada substantivo abaixo como epiceno, sobrecomum ou comum de dois gêneros: 1. A victime (em textos antigos/literários)
2. O cônjuge 3. A garoto
4. O tubarão 5. A criança
6. O jornalista 7. A barata
8. O carrasco 9. O animal
10. A zebra
Parte 2 – Complete com o gênero correto
Escolha o gênero adequado para o contexto: 11. O/C ______ presidente foi reeleito. (homem)
12. O/A ______ presidente discursou à nação. (mulher) 13. O/A ______ carniça caiu no terreiro. (animal fêmea — sentido literal zoológico)
14. O/A ______ criança chorava de fome. (referindo-se a um menino) 15. O/A ______ bandido foi capturado. (referindo-se a uma mulher)
16. A/O ______ lagarto é réptil. 17. O/A ______ revisor aprovou o manuscrito. (mulher)
18. A/O ______ tigre-da-tasmânia está extinto. 19. O/A ______ modelo posou para a campanha.
20. A/O ______ sanguessuga foi encontrada no riacho.
Parte 3 – Frases com erro de gênero
Encontre e corrija o erro em cada frase: 21. "A médico fez o diagnóstico com precisão."
22. "O criança estava brincando no parque." 23. "A jacaré atacou o fazendeiro."
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
24. "O cônjuge compareceu à audiência separadamente." 25. "A tubarão-branca é uma espécie perigosa."
Gabarito
1-10: 1. Epiceno (em contextos zoológicos; variante histórica "víctima" não se aplica como epiceno no sentido gramatical)
2. Sobrecomum 3. Comum de dois gêneros (coloquial/regional — formal seria "a menina" ou "a garota")
4. Epiceno 5. Sobrecomum
6. Comum de dois gêneros (sem variação morfológica; a diferenciação é apenas pelo artigo) 7. Epiceno
8. Sobrecomum 9. Epiceno
10. Epiceno 11-20:
11. O 12. A
13. A (animal fêmea) 14. A (sobrecomum — não varia no singular; o contexto define)
15. A (sobrecomum) 16. O (epiceno)
17. A 18. A (epiceno — "tigre" é epiceno, mas "tigresa" é feminino de comum de dois gêneros. Para a espécie em sentido geral, "o tigre" ou "a tigre" conforme o contexto animal específico)
19. O/A (comum de dois gêneros — "o modelo" / "a modelo") 20. A (epiceno)
21-25: 21. Erro: "A médico". Correção: "O médico"
22. Erro: "O criança". Correção: "A criança" 23. Erro: "A jacaré". Correção: "O jacaré" (epiceno, artigo masculino padrão para a espécie)
24. Erro: "O cônjuge". Correção: depende do contexto — se for mulher, "A cônjuge"; se for homem, "O cônjuge". A frase isolada não comete erro gramatical, mas a ambiguidade é o ponto. 25. Erro: "A tubarão". Correção: "O tubarão" (epiceno, masculino preferencial para a espécie em contextos zoológicos neutros)
A parte mais chata dessa matéria que eu vejo todo mundo errar não é decorar as categorias, é perceber quando o gênero muda o significado da frase. Já vi edital de concurso cobrar "a cunhado" como opção correta porque, sim, o português permite. A maioria dos candidatos marca errado achando que só existe "o cunhado". Na prática, quando você está corrigindo redação ou revisando texto, o mais seguro é sempre verificar o referente no contexto antes de concordar. Quando não dá para saber se é homem ou mulher, sobe comum de dois gêneros usa o masculino como neutro gramatical — isso é norma culta, não erro. O epiceno é mais restrito e quase sempre cai em listas de animais, o que facilita na hora da prova se você memorizar essa restrição. Os sobrecomuns são os que mais causam confusão porque não há marca morfológica alguma de gênero, então a única pista é o artigo. Eu costumo recomendar fazer exercícios de identificação primeiro, com a categoria explicitada, e só depois partir para completar frases. Assim você decora a forma antes de precisar deduzir o gênero pelo contexto.