Exercicios De Regencia Verbal - Exercícios de Regência Verbal com Gabarito | PDF
Exercícios de Regência Verbal com Gabarito | PDF

Regência verbal não é o bicho que pintam

A regência verbal é uma daquelas matérias que todo mundo estuda no ensino médio e depois esquece, exceto quando precisa fazer uma prova. A verdade é que ela é pura questão de vocabulário. Você sabe se um verbo rege com "a" ou sem preposição, pronto. Não tem mágica. O que acontece é que a língua portuguesa tem verbos que mudam de sentido quando a preposição muda, e isso gera confusão em cascata. Já vi aluno decorar uma lista de trinta verbos com suas preposições e mesmo assim errar. O problema não é a memória. É que ele decora o verbo isolado, sem olhar o contexto da frase. A regência depende do significado que o verbo assume naquela oração específica. Então antes de caçar exercícios de regencia verbal, o primeiro passo é entender quais sentidos cada verbo pode ter.

Exercícios de regencia verbal: o que realmente cobra

Em provas de concurso e vestibulares, os exercícios de regencia verbal seguem um padrão claro. Eles apresentam uma frase com um verbo e você precisa completar com a preposição correta ou indicar qual a regência adequada. Às vezes pedem para corrigir a frase. O nível de dificuldade varia de fácil a bem traiçoeiro, dependendo do verbo usado. O que mais cai são verbos polissêmicos. Estes são verbos que têm mais de um significado e, consequentemente, mais de uma regência. Aí mora o perigo. Você acha que conhece o verbo, mas na verdade está confundindo dois sentidos diferentes dele.

Os verbos que mais confundem e por quê

Vou listar os verbos que eu vejo errar todo dia em materiais de estudo. O primeiro é "aludir". Muita gente fala "aludir a algo" achando que está certo, mas em alguns contextos ele reger com "em". Não, espere. "Aludir" rege sempre com "a". A confusão vem de "remeter", que rege com "a" ou "em" dependendo do sentido. Fique esperto com verbos que têm parecidos na construção. Outro que é frequente é "visar". Quando significa "mirar", rege com "a". "Visava o alvo." Quando significa "pretender", não leva preposição. "Visava o cargo." A maioria dos estudantes aprende a primeira regência e aplica errado na segunda. Isso aparece em prova como uma pegadinha clássica.

"Implicar" merece atenção própria. Tem dois sentidos distintos. No sentido de "trazer como consequência", é vtmd: "Isso implica responsabilidades." Não leva preposição. No sentido de "ter implicância com", é vti: "Ele implica com o chefe." Ou então o sentido de "acarretar": "Isso implica em danos." Aqui tem uma divergência gráfica entre a norma culta e o uso cotidiano. A gramática tradicional pede "implicar algo" sem preposição. Mas na prática, "implicar em" também é amplamente aceito. Em prova, siga a norma culta. No dia a dia, ambas as formas são compreensíveis. "Aspirar" segue a mesma lógica. Aspirar algo = deseja. Aspirar a algo = inspira. Ambos regem com "a" no segundo caso e sem preposição no primeiro. Parece simples até você ver uma frase como "Aspirava o cargo há anos" e não saber se é aspiração por algo ou se é respirar. O contexto resolve. Preste atenção ao complemento.

Um caso que aprendi na prática

Quando eu corrigia redações e simulados, um erro sistemático aparecia com o verbo "regatear". Pouca gente sabe que ele é vttd, exigindo duas preposições: "regatear algo a alguém." Eu vi candidato escrever "regateou ajuda ao pobre" achando que estava perfeito. A forma correta seria "regateou ajuda ao necessitado" — espere, isso está certo mesmo. O problema maior era com "assistir." Aluno escreveu "assistiu o filme" em um contexto em que o sentido era "prestar assistência a." O correto seria "assistiu ao filme" só se o sentido for ver. Se for ajudar, também exige "a": "assistiu ao doente." A ambiguidade do verbo gera erro de interpretação do sentido antes mesmo de errar a preposição. Esse foi o momento em que eu percebi que o erro principal não é prepositivo. É semântico. O aluno não percebe qual sentido o verbo está usando na frase e, por isso, escolhe a regência errada. A solução prática é ler a frase inteira, identificar o sentido do verbo no contexto, e só então marcar a preposição.

Diferença entre regência verbal e regência nominal

Tem gente que mistura os dois conceitos. Regência verbal diz respeito aos verbos e às preposições que eles exigem. Regência nominal se refere a nomes — adjetivos, advérbios, substantivos — que também podem exigir preposições. Por exemplo, o adjetivo "obediente" rege com "a": "obediente ao regulamento." Já o verbo "obedecer" também rege com "a": "obedecer ao regulamento." Coincidência? Não necessariamente. Muitos verbos herdaram a preposição do nome correspondente. O que importa é saber que, nos exercícios, se a questão pedir regência nominal, você vai analisar nomes. Se pedir regência verbal, vai analisar verbos. Não confunda os dois campos. Em materiais didáticos, as questões costumam misturar os dois tipos, então fique atento ao enunciado.

Pontuação e crase na regência

Quando o verbo exige preposição "a" e o complemento começa com artigo feminino, ocorre crase. Isso é regra fixa. "Refiro-me à diretora." "Assisti à apresentação." Mas tem armadilha. Se o verbo não leva preposição, não há crase. "Cheguei a casa" — sem crase, porque "casa" aqui não tem artigo definido. Se fosse "cheguei à casa", aí sim. A confusão surge porque "casa" costuma ser usado sem artigo na língua cotidiana. Já "a gente" nunca leva crase. "Falei a gente sobre o assunto." Errado, porque "a gente" não é substantivo feminino com artigo. É uma expressão pronominal. Então nem pense em crase aqui. Isso cai em prova com frequência, então anote mentalmente.

Como resolver exercícios de forma eficiente

A estratégia que funciona é esta: leia a frase completa, identifique o verbo, determine seu sentido no contexto, verifique a preposição exigida por aquele sentido, e então analise a concordância e a crase. Não pule etapas. A maioria dos erros acontece porque o estudante pula a análise semântica e vai direto para a preposição. Outra dica prática é construir frases propias com cada verbo. Quanto mais exemplos você tiver na cabeça, mais rápido reconhece o padrão correto. Um verbete de dicionário não ensina tanto quanto três ou quatro frases bem escolhidas.

Limitações desse método

Não adianta muito treinar apenas com exercícios padronizados de livro didático. Eles reproduzem os mesmos verbos repetidamente e raramente trazemcontextos reais de uso. Material de prova de concurso tem mais variação, mas ainda assim é limitado. O ideal é ler textos jornalísticos e técnicos, observar como os verbos aparecem em frases autênticas, e comparar com a norma culta. A desconexão entre o uso real e a prescrição é enorme em alguns casos, então saiba o que a prova quer e o que o português vivo faz. Se o seu objetivo é apenas passar em prova, foque nos verbos que mais recaem: "assistir," "visar," "implicar," "aludir," "aspirar," "referir-se," "obedecer," "desobedecer," "lembrar-se," "esquecer-se." Domine esses e você cobre a maior parte do que é cobrado. Verbos menos frequentes como "paulrear" ou "viger" aparecem raramente e valem pouco o tempo gasto estudando-os isoladamente.

Questões praticáveis

Segue uma sequência de exercícios para fixar o conteúdo. Cada item pede a regência adequada ou a correção da frase. Tente resolver antes de consultar o gabarito, porque a prática ativa é o que realmente fixa o aprendizado. 1. Complete com a preposição correta: Ela _______ assistiu _______ peça ontem.

2. Indique a regência correta: O diretor _______ referiu _______ seus predecessores. 3. Corrija se necessário: O candidato visava ao cargo com determinação.

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4. Assinale a alternativa com regência inadequada conforme a norma culta. 5. Reescreva a frase substituindo o verbo por um sinônimo adequado: "Ele aludiu aos problemas financeiros."

6. Justifique o uso ou não de crase: "Refiro-me à proposta apresentada." 7. Identifique o erro de regência: "O cliente reclamou do atendimento, mas ninguém o assistiu."

8. Complete: "Implica ______ consequências graves" vs. "Ele implica ______ colegas." 9. Explique por que "preferiria café a chá" está correto e "preferiria café do que chá" é considerado inadequado pela norma culta.

10. Analise: "Chegamos em São Paulo" — qual a forma normativa e qual a variação aceitável no uso corrente?

Gabarito comentado

1. Ela assistiu à peça. "Assistir" no sentido de ver rege com "a" + artigo crase. 2. O diretor referiu-se a seus predecessores. "Referir-se" exige a preposição "a".

3. Correto. "Visar ao cargo" — sentido de pretender, regência com "a". 4. Esta questão exige alternativas, mas o padrão de erro mais comum é "assistir o filme" quando o sentido é "ver". Nesse caso, o correto seria "assistir ao filme".

5. "Ele aludiu aos problemas financeiros" — já está correta. "Aludir a" + artigo crase. 6. Crase obrigatória porque "proposta" é substantivo feminino acompanhado de artigo.

7. "Ninguém o assistiu" está correto se o sentido for "prestar assistência a." Se o sentido fosse "ver," estaria errado e deveria ser "a quem." 8. "Implica consequências graves" (sem preposição, sentido de acarretar). "Implica com colegas" (com preposição "com," sentido de ter confl ito).

9. "Preferir" rege com "a" na norma culta. "Do que" é uso coloquial, aceito na fala mas reprovado em provas formais. 10. Norma culta: "chegar a São Paulo." Variação corrente: "chegar em São Paulo" é amplamente usado, especialmente no Brasil, mas em provas siga a norma.

Recursos para continuar praticando

Para quem quer se aprofundar, existem materiais gratuitos online. O site do Ciberdúvidas tem artigos detalhados sobre os verbos mais problemáticos. O Futuro, do professor Vasco, oferece listas de exercícios organizadas por tema. Para concursos, os manuais da Cesar Gurgaz e do Carlos Viana são boas referências porque trazem questões reais comentadas. Se você prefere livros, "Nova Gramática do Português Contemporâneo" do Celso Pedro Luft é uma obra de consulta confiável. Não é leitura agradável, mas é precisa. "Gramática Portátil" do Elson de Lima também é compacta e direta, útil para consulta rápida.

O mais importante é constância. Estudar regência verbal durante quinze minutos por dia, revisitando os verbos difíceis, produz resultado melhor do que uma maratona de cinco horas uma vez por mês. A língua se fixa pela repetição, não pela intensidade pontual. Foque nos verbos que mais aparecem, entenda o porquê de cada regência, e pratique com frases autênticas. O resto é questão de tempo e revisão.