Entendendo a acentuação com base na sílaba tônica
Muita gente trava na hora de classificar palavras quanto à acentuação. A confusão é comum, e eu já vi isso em revisão de texto profissional e em sala de aula também. O primeiro passo é saber onde cai a força da pronúncia. Você fala a palavra devagar e identifica qual sílaba é mais forte. A partir daí, classifica-se em oxítona, paroxítona ou proparoxítona, e a regra muda conforme a posição. Oxítonas têm a tônica na última sílaba. Paroxítonas, na penúltima. Proparoxítonas, na antepenúltima. Simples assim, até chegar nos detalhes que as pessoas esquecem.
espelho é oxítona paroxítona ou proparoxítona
A resposta é paroxítona. A sílaba tônica de espelho é "lho", que é a penúltima. Mas classificar não é o suficiente para saber se ela leva acento ou não. A regra de acentuação das paroxítonas é diferente da dos oxítonas, e é aqui que a maioria erra. Palavras paroxítonas levam acento quando terminam em ditongo crescente, l, n, r, x, ps, ãs, ão, i, us, om, um, ons, ou quando vêm acompanhadas de s no plural. Espelho termina em "lho", que não está na lista de terminações que puxam acento, então não leva acento gráfico. O mesmo raciocínio se aplica a palavras como "espelho", "relógio", "buraco". São todas paroxítonas sem acento porque as terminações não exigem marcação. Já "fácil", "álbum", "ídolo" são paroxítonas que sim levam acento, por terminarem em acentuável segundo a regra.
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Eu lembro de uma vez que estava revisando um edital para concurso público, e o texto trazia a palavra "prédio" escrita sem acento. A correção parecia óbvia, mas o erro veio de uma má interpretação da regra. A pessoa achava que qualquer paroxítona terminada em ditongo era igual, o que não é verdade. "Prédio" leva acento porque o "é" é tônico e a terminação em ditongo aberto exige marcação. Já "espelho" não pede acento pela mesma razão estrutural, mas por motivos diferentes. A diferença entre elas é que o ditongo de "prédio" é aberto, e o de "espelho" é fechado e não se enquadra nas regras de acentuação. Outro ponto que poucas pessoas levam em conta: o hiato. Palavras como "saúde" e "ideia" parecem paroxítonas comuns, mas o tratamento do hiato muda a classificação acentual. O acento aqui não é só sobre a sílaba tônica, é sobre a combinação entre tônica e a estrutura vocálica que vem depois. Em "espelho", não temos hiato, temos um ditongo decrescente no final, o que já simplifica a coisa.
Se você quer aplicar isso na prática de forma rápida, o melhor caminho é testar a pronúncia em voz alta, isolando a sílaba tônica e verificando a terminação da palavra. Isso resolve cerca de 80% dos casos sem precisar decorar tabelas inteiras. O que sobra são as exceções, e aí vale consultar o dicionário ou a tabela oficial de acentuação. Há uma limitação importante: a classificação silábica depende da pronúncia real, não da escrita. Palavras como "papel" e "papeu" podem gerar dúvidas dependendo do sotaque regional. No português brasileiro padrão, a análise é mais direta, mas em variedades regionais a tônica pode se deslocar levemente, o que muda a classificação e, consequentemente, a necessidade de acento gráfico. Nesses casos, a recomendação é sempre seguir a norma culta padrão para documentos formais e provas.