Por que a escola em que os gêmeos Powers estudam é mais complicada do que parece
A maioria das pessoas acha que escola do bem e do mal livro é apenas um romance jovem-adulto com feitiços bonitos e uma escola estilosa. E tecnicamente é. Mas se você pegar o livro sem contexto e tentar analisar a estrutura mágica que o autor constrói, percebe que tem camadas que não ficam óbvias na primeira leitura. Eu li pela primeira vez em 2012, pouco depois da tradução sair no Brasil, e fiquei intrigado com como Riggs entrega informações sobre o sistema de magia sem fazer aquelas exposições pesadas que todo mundo odeia em fantasia. O livro começa com os gêmeos Jacob e Oliver Powers sendo enviados à Escola do Bem e do Mal por seu tio Victor. Eles acreditam que seus pais morreram em um incêndio, mas na verdade foram enviados para a escola como forma de se livrar deles. O Headmaster, conhecido apenas como O Professor, é quem supervisiona tudo. A diferença central é simples: um gêmeo carrega o bem e o outro o mal. Não é metáfora. É literalmente uma força mágica que habita cada um deles desde o nascimento.
O que encontrar no livro escola do bem e do mal
A obra tem 464 páginas na edição brasileira da Intrínseca. A história alterna entre passado e presente, e boa parte do mistério sobre a verdadeira morte dos pais só é revelada nos três últimos capítulos. Se você espera uma narrativa linear, vai se perder. O livro exige que você acompanhe duas linhas temporais e conecte pistas que parecem aleatórias até o final. O sistema mágico funciona com uma divisão binária que lembra muito a dualidade clássica do gênero, mas Riggs coloca um giro interessante: o bem e o mal não são escolhas morais, são predisposições hereditárias. Isso significa que a escola não seleciona alunos pelo caráter deles, mas pela afinidade mágica. Na prática, isso gera conflitos interessantes durante as aulas e nos relacionamentos entre os personagens.
Um detalhe que muitas edições passam despercebido: as ilustrações em preto e branco que aparecem esporadicamente no meio do texto. Elas não são apenas decorativas. Cada imagem mostra um objeto ou personagem que ganha relevância posteriormente na trama. A editora brasileira manteve essas ilustrações, mas muitos leitores nunca param para analisá-las com atenção. Eu levei uma releitura inteira para perceber que a terceira ilustração antecipava um ponto crucial do clímax. O problema mais comum que encontrei ao recomendar esse livro para leitores novos é a confusão com personagens secundários. A escola tem vários alunos de suporte, e Riggs não gasta tempo apresentando todos eles com o mesmo nível de detalhe. Na minha experiência, a maioria dos leitores se perde entre Melchior, a irmã mais nova dos gêmeos que já estava na escola antes deles, e o próprio Tio Victor, que tem uma agenda própria que só fica clara tarde demais. Uma dica prática: anote os nomes na primeira leitura. Não tem vergonha nisso. O livro é mais denso do que parece na sinopse.
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A tradução brasileira merece um comentário breve. A Intrínseca fez um trabalho razoável, mas há momentos em que o jogo de palavras entre "bem" e "mal" perde um pouco do tom irônico que Riggs usa no original em inglês. O nome dos gêmeos também gera estranheza inicial: Jacob e Oliver. Ninguém explica por quê na narrativa, e eu achei isso frustrante na primeira leitura. Só na segunda descobri que há uma razão simbólica que faz sentido se você prestar atenção.
O que o livro faz bem e onde ele falha
Riggs tem um talento real para construir mistério progressivo. Ele entrega informações aos pedaços, como se você fosse um detetive reunindo provas. Cada capítulo novo adiciona uma peça ao quebra-cabeça dos pais dos gêmeos. Isso funciona muito bem nos dois terços centrais da obra. O ponto fraco é o terceiro ato. A revelação final sobre os pais é sólida, mas a resolução dos conflitos secundários fica apressada. Personagens como a Vovó Agatha e a equipe de professores ganham pouco desenvolvimento além do papel funcional que já ocupavam. Se você gostar de tramas paralelas bem amarradas, pode achar essa parte decepcionante. Eu considerei isso aceitável porque o mistério central — o verdadeiro destino dos pais — cumpre sua promessa, mas entendo perfeitamente quem ficou insatisfeito com o desfecho.
Outra coisa que vale notar: o livro não é fechado. Ele funciona como uma Introdução a um universo maior que seria explorado na trilogia A Biblioteca das Almas. Se você terminar esse primeiro volume e esperar que todas as questões sejam respondidas, vai se frustrar. As perguntas sobre a verdadeira natureza da Escola do Bem e do Mal, sobre o Tio Victor e sobre as capacidades reais dos gêmeos continuam abertas e só se fecham ao longo dos livros seguintes. Para quem quer acessar o conteúdo, a edição física está disponível em livrarias e marketplaces, com ISBN 9788558007316. Existem também edições de ebook e audiobook em plataformas como Amazon e Apple Books. A versão em português foi lançada originalmente em 2012, e as reimpressões posteriores mantém a mesma tradução e as mesmas ilustrações. Nada de conteúdo diferente entre as tiragens, então não adianta procurar uma edição especial com material bônus que simplesmente não existe.
O que eu acho que poucos mencionam é a relação de riggs com a literatura gótica e com a tradição das escolas de magia que vieram antes dele. Antes de Harry Potter, já existiam histórias nesse formato, mas Riggs traz uma proximidade com o horror mais suave e com temas de identidade que dão um tom diferente. Os gêmeos não estão apenas aprendendo magia, estão aprendendo quem são enquanto pessoas. Isso é mais comum hoje em dia noYA, mas em 2011 era menos frequente encontrar esse tipo de abordagem em livros de fantasia jovem. Se você está começando a explorar esse tipo de história, recomendo ler com atenção às ilustrações, anotar os nomes dos personagens secundários e não se importar em reler trechos que parecem sem importância no início. O livro recompensa quem lê devagar.