Características da estrela do mar: o que você precisa saber antes de lidar com elas
A estrela do mar é um animal marinho pertencente ao filo dos equinodermos. O corpo tem formato radial, com cinco braços geralmente dispostos simetricamente em torno de um disco central. A superfície do animal é coberta por placas calcárias pequenas, chamadas ossículos, que formam uma espécie de exoesqueleto. Sob essas placas, existem espinhos móveis e pedicelárias – estruturas que lembram pinças minúsculas usadas para limpeza e defesa. O sistema vascular aquoso é o que define o funcionamento motor desses animais. Água do mar entra por um platea madre, passa por canais radiais e chega aos pés ambulacrários, que se expandem e contraem por pressão hidrostática. Não há cérebro. O controle é distribuído por um anel nervoso ao redor da boca e nervos radiais que percorrem cada braço. Isso significa que uma estrela do mar pode reagir a estímulos mesmo sem centro de processamento único.
Características da estrela do mar mais relevantes para aquaristas e pesquisadores
Uma coisa que muita gente não leva a sério na hora de montar um aquário com estrelas-do-mar é a sensibilidade ao cobre. O cobre presente em medicamentos para peixes e até em certos suplementos é letal para equinodermos. Eu já perdi duas espécies de estrelas-do-mar assim, porque o dono anterior tinha tratado um aquário vizinho com remédio à base de cobre e a água circulava entre os tanques. A solução foi separar completamente os sistemas e usar carvão ativado de alta qualidade por pelo menos 48 horas antes de reintroduzir qualquer equinoderme. A dieta também é subestimada. Estrelas-do-mar são predadoras de fundo que se alimentam principalmente de moluscos bivalves, como mexilhões e ostras. Elas evertam o estômago sobre a presa e digeriam externamente. Em cativeiro, isso se traduz em necessidade de carne de marisco fresco ou congelado, sem temperos. Uma estrela do mar adulta come cerca de 10 a 20 gramas de alimento por semana, dependendo da espécie. Subalimentar causa atrofia dos braços e branqueamento do tecido.
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A regeneração é real, mas tem limites. Se uma estrela do mar perder um braço, ela pode regenerá-lo ao longo de semanas ou meses. No entanto, se o dano for no disco central ou afetar órgãos vitais, a regeneração não acontece. Já vi casos onde a estrela parecia recuperada, mas desenvolveram nódulos infectados meses depois. O mais seguro é manter parâmetros estáveis e evitar manuseio desnecessário. A respiração ocorre principalmente através dos pés ambulacrários e de pequenas estruturas chamadas papulas, projeções finas da parede corporal que facilitam trocas gasosas com a água. Por isso, a circulação da água no tanque precisa ser constante, mas sem correntes fortíssimas que impeçam o animal de se fixar no substrato. A temperatura ideal varia conforme a espécie, mas para as mais comuns em aquariofilia, fica entre 22°C e 26°C, com pH entre 8,1 e 8,4.
Reprodução pode ser assexuada por fissiparidade em algumas espécies, onde o corpo se divide e cada metade se regenera. Outras praticam reprodução sexuada, liberando gametas na coluna d'água. Em cativeiro, a reprodução espontânea é rara e exige condições muito específicas de temperatura e qualidade da água que poucos mantenedores conseguem replicar. O maior problema prático com estrelas-do-mar em ambiente fechado é o acúmulo de detritos orgânicos nos braços. Como elas não têm excretores especializados, os resíduos tendem a ficar retidos nas dobras do corpo. Limpeza manual leve com sifão e troca parcial de água semanal de 15 a 20% são essenciais. Sem isso, a taxa de mortalidade em cativeiro sobe para acima de 60% no primeiro ano, segundo registros de criadouros especializados.
Se você está começando agora, evite espécies grandes como a estrela-do-mar-laranja (Pentaceraster spp.), que precisam de tanques acima de 500 litros e alimentação constante. Espécies menores, como a asterina (Asterina spp.), são mais tolerantes e cabem em aquários de 150 a 200 litros, desde que o filtro seja adequado e a corrente não seja agressiva.