Brincadeiras De Roda Sentados - Brincadeiras De Roda Sentados - FDPLEARN
Brincadeiras De Roda Sentados - FDPLEARN

O que são brincadeiras de roda sentados

A ideia básica é simples. Uma pessoa canta uma música infantil brasileira, todos ficam em círculo e fazem gestos com as mãos ou partes do corpo que cabem na cadeira. A roda não anda, ela gira no lugar. O que diferencia o formato sentado do formato em pé é principalmente a restrição física dos participantes, não a escolha estética. Eu trabalho com idosos em instituições de cuidados e, há uns três anos, comecei a adaptar os jogos de roda tradicionais porque a maioria das pessoas que atendo não conseguia ficar em pé por muito tempo. O primeiro problema que encontrei foi prático: como fazer o jogo de "Ciranda Cirandinha" sem sair do lugar? A solução que achei foi transformar os passos laterais em movimento de quadril com as mãos nos joelhos, e os aplausos trocados em batidas rítmicas nas coxas. Funcionou. As pessoas sorriram. Continuou funcionando.

Como jogar brincadeiras de roda sentados

O preparo leva cerca de dez minutos. Você precisa de uma sala espaçosa o bastante para formar um círculo de cadeiras ou assentos, com espaço entre cada pessoa para mover os braços. Se o cômodo for pequeno, diminua o número de participantes. Catorze pessoas já é o limite confortável para a maioria dos quartos de atividade. Cada jogo tem um protocolo básico. A pessoa que lidera fica de frente para o grupo, começa cantando, e todos repetem os gestos no ritmo. Os gestos principais são: palma, coxa, ombro, cabeça, apontar para o colega da direita, apontar para o da esquerda. Cada ciclo dura entre dois e quatro minutos, dependendo da música. Música curta como "O Sapo Não Lava o Pé" fecha em dois minutos. Música maior como "Atirei o Pau no Gato" dá para alongar em quatro.

O facilitador deve ficar atento a dois detalhes técnicos. O primeiro é o tempo de reação. Pessoas com mobilidade reduzida podem levar até dois segundos a mais para executar o gesto após o sinal musical. Se o facilitador acelerar o ritmo sem aviso, a roda des . O segundo é a escolha da música. Músicas com refrão repetitivo funcionam melhor porque os participantes não precisam memorizar letras novas a cada vez. Existem pelo menos oito jogos que funcionam bem sentados. "Ciranda Cirandinha" vira giro de tronco suave com as mãos nos joelhos. "Piui, Piui" vira batida alternada nos joelhos acompanhando o refrão. "Sombra" vira imitação de gestos com as mãos apenas, mantendo a mesma sequência de movimentos. "O Cravo Quebrou" mantém a regra original de escolher alguém e substituir, mas tudo acontece sentado.

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Um detalhe que poucos mencionam: o formato sentado elimina o problema de empurra-empurra que ocorre quando a roda gira em pé. Isso é vantagem para grupos com pessoas idosas ou com dificuldades de equilíbrio. Porém, o formato sentado também reduz o vínculo físico que era parte da experiência original. Se o objetivo é socialização ativa, o formato em pé ainda tem superiority. Se o objetivo é estimulação cognitiva e motora com segurança, o sentado é a escolha óbvia.

Equipamento e adaptação

Não precisa de material especial. Cadeiras fixas, sem rodinhas. Rodinhas são problema porque a pessoa escorrega ao fazer o movimento de extensão dos braços. Se não houver cadeiras suficientes, use almofadas no chão. O chão oferece mais estabilidade para quem tem dificuldade de equilíbrio. A duração ideal de uma sessão é entre vinte e trinta minutos. Mais que isso e a atenção cai. Menos que isso e o efeito terapêutico é marginal. Eu costume fazer três blocos de sete minutos com intervalo de trinta segundos entre cada um. O intervalo serve para hidratação e troca de posição. Pessoas com problemas circulatórios precisam desse intervalo.

Uma limitação importante que precisa ser dita claramente: brincadeiras de roda sentados não substituem atividade física. Elas são complemento. Se uma pessoa tem indicação de exercícios aeróbicos, o jogo de roda não vai cumprir essa função. O que ele faz é manutenção cognitiva, coordenação motora fina, memória sequencial e interação social. Três desses benefícios são mensuráveis em avaliações trimestrais. O quarto, o social, é mais difícil de quantificar mas é o que mantém as pessoas voltando. Músicas recomendadas para iniciantes, em ordem de dificuldade crescente: "O Cravo Quebrou" (gestos simples, regra clara), "Ciranda Cirandinha" (giro de tronco, ritmo constante), "Atirei o Pau no Gato" (variação de gestos por estrofe), "Samba-Le-Le" (ritmo mais acelerado, exige coordenação bilateral).

Se você tiver menos de oito participantes, o jogo perde o sentido de roda. A dinâmica depende do reconhecimento mútuo. Com cinco pessoas, cada gesto vira foco excessivo em um indivíduo. Com dez ou mais, o fluxo se estabiliza naturalmente. Eu nunca recomendo fazer rodinhas com menos de oito pessoas sentadas, mesmo que o espaço seja pequeno. Melhor dividir em dois grupos de oito do que forçar um grupo de seis.