Atividades Sobre O Filme O Menino Que Descobriu O Vento - Atividades Sobre O Filme O Menino Que Descobriu O Vento - RETOEDU
Atividades Sobre O Filme O Menino Que Descobriu O Vento - RETOEDU

Atividades sobre o filme O Menino que Descobriu o Vento: um guia prático

O filme foi lançado pela Netflix em 2019, dirigido por Chiwetel Ejiofor, e é baseado no livro de memórias de William Kamkwamba. A história passa no Malawi dos anos 1990 e mostra como um adolescente construiu um moinho de vento a partir de peças sucateadas para combater a seca e a fome no vilarejo onde cresceu. É um material sólido para uso em sala de aula porque junta ciências, geografia, história e educação financeira de forma orgânica, sem precisar forçar a conexão entre as disciplinas.

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Antes de pensar nas atividades em si, é importante saber o que o filme aborda com mais profundidade. A narrativa trata de inovação em contextos de escassez, do papel da comunidade na resolução de problemas coletivos, da desigualdade educacional e do acesso ao conhecimento. A trilha passa também por questões de gênero, já que a mãe de William tem um papel central como incentivadora, e por temas de colonialismo e dependência de ajuda externa, abordados de forma indireta mas presente. No meu caso, a primeira vez que usei esse material foi com uma turma doo fundamental II, e o problema que enfrentei foi que muitos alunos associavam o conteúdo exclusivamente à parte científica do moinho, perdendo as camadas sociais e políticas do filme. A solução que encontrei foi aplicar uma atividade de debate antes mesmo de assistir. Coloquei três perguntas no quadro: "O que seria inovar com poucos recursos?", "Quem tem acesso à educação em seu entorno?" e "O que acontece quando uma comunidade não recebe suporte do governo?". Isso mudou completamente o foco das discussões depois, e os alunos passaram a conectar a parte técnica com a realidade do Malawi de forma mais crítica.

As atividades podem ser organizadas por área do conhecimento. Na disciplina de ciências, o filme serve como ponto de partida para discutir energia renovável, especificamente energia eólica, circuitos elétricos básicos e conversão de energia cinética em energia elétrica. Uma atividade funcional é pedir que os alunos construam modelos simplificados de moinhos usando materiais recicláveis, como garrafas PET, palitos de sorvete, pequenos motores DC e LED. O processo demora cerca de duas aulas de cinquenta minutos, e o aprendizado técnico é mais significativo do que apenas apresentar slides sobre energias limpas. A limitação aqui é que nem sempre há acesso a motores DC ou componentes eletrônicos básicos em escolas públicas, e nesse caso o professor pode substituir por simulações online gratuitas, como as do PhET, da Universidade do Colorado. Para geografia e história, o filme permite trabalhar o contexto da África subsaariana, os efeitos das mudanças climáticas no continente, a situação de segurança alimentar e a influência de fatores externos como secas recorrentes e acordos internacionais. Uma atividade que costuma funcionar bem é a produção de um mapa conceitual onde os alunos relacionam causas e consequências da fome no Malawi, usando dados do Banco Mundial e do Pnud como base. O problema comum é que os alunos trazem ideias estereotipadas sobre o continente africano, então é preciso introduzir dados concretos desde o início para evitar generalizações.

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Em língua portuguesa, o filme pode ser usado para análise de narrativa, comparação entre o livro e a adaptação cinematográfica, e produção textual. Pedir que os alunos escrevam uma carta de William para o diretor de sua escola, explicando por que ele precisava continuar estudando mesmo sendo afastado, gera textos com maior engajamento do que questões discursivas convencionais. A dica aqui é solicitar que os alunos leiam trechos do livro original antes de assistir, para que percebam as diferenças entre as duas mídias. O tempo necessário é de aproximadamente três aulas, considerando a leitura, a exibição e a produção textual. Outro ângulo que costuma ser negligenciado diz respeito à ética e à responsabilidade social. O filme levanta questões sobre propriedade intelectual, compartilhamento de conhecimento e quem se beneficia de inovações desenvolvidas em países pobres. Uma discussão em roda, estruturada a partir de perguntas como "Se você fosse William, teria patentado sua invenção?" e "Qual a responsabilidade das grandes empresas em relação a soluções criadas em contextos de pobreza?", gera um debate maduro mesmo com alunos mais jovens. A observação prática é que esses temas precisam ser conduzos com cuidado para não soar prepotentes ou moralizantes. O professor deve manter uma postura de mediação, deixando os alunos chegarem a conclusões próprias.

Para professores que buscam materiais prontos, existem algumas fontes confiáveis. O site da Netflix Educadores oferece guias com atividades alinhadas às competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e organizações como a UNESCO também publicam materiais educativos relacionados ao tema. O link direto para o guia da Netflix pode ser encontrado na página oficial de educadores da plataforma. A vantagem desses materiais é que já vêm estruturados por ano escolar, mas a desvantagem é que raramente contemplam a diversidade de realidades brasileiras, então o professor precisa adaptá-los. Uma observação importante: o filme contém cenas de violência doméstica e situações difíceis relacionadas à fome e à pobreza que podem incomodar alunos mais sensíveis. É recomendável fazer um prévio aviso aos responsáveis e estar preparado para acompanhar eventuais reações durante a exibição. O tempo total de filme é de aproximadamente 114 minutos, o que exige planejamento para não correr contra o relógio da aula.

Se o objetivo é uma atividade mais leve e rápida, existe a opção de usar apenas trechos selecionados do filme em vez da obra completa. Os momentos em que William monta o moinho pela primeira vez, a cena em que ele é impedido de frequentar a escola, e o desfecho final são suficientes para gerar discussões produtivas em cerca de 40 minutos. Isso evita a perda de atenção da turma e permite focar nos temas centrais sem cansaço. Resumindo de forma prática, as atividades sobre o filme O Menino que Descobriu o Vento funcionam melhor quando o professor integra ciências, humanas e linguagens de maneira transversal, em vez de tratar cada disciplina isoladamente. O material é acessível, gratuito e pode ser adaptado para diferentes faixas etárias. O ponto de atenção principal é a necessidade de contextualização adequada e de preparação prévia do docente para os temas sensíveis que a obra aborda.