Animais Típicos Do Pantanal - 10 animais típicos do Pantanal que você precisa conhecer ...
10 animais típicos do Pantanal que você precisa conhecer ...

O Pantanal e sua fauna

A região do Pantanal abriga uma das maiores concentrações de vida selvagem da América do Sul. São mais de quinhentas espécies catalogadas entre aves, mamíferos, répteis e peixes. O problema é que a maioria das guias mostra apenas o que os turistas esperam ver. Onça, tuiuiú, arara-azul. O resto fica no esquecimento.

Animais típicos do pantanal que você realmente encontra no campo

Quem passa três dias no pantanal mato-grossense ou no pantanal brasileiro descobre outra coisa. Os bichos são muito mais numerosos do que as fotos dos Instagram contam. Mas eles têm horários, segredos e regras próprias. Você não vê o que quer. Você vê o que está pronto para ser visto. O jacaré-do-pantanal é um exemplo clássico. Todo mundo espera encontrar no rio. A maior população concentrada do mundo vive ali, estimada em dois milhões de indivíduos adultos. A média de comprimento é de dois metros e meio, mas os machos podem ultrapassar três metros. O recorde oficial no Brasil mede 3,6 metros. O animal passa o dia imóvel na beira, com os olhos e narinas acima da água, parecendo madeira podre. Ele se move apenas à noite para caçar peixes e caranguejos. O horário certo é seis e meia da manhã ou sete e meia da noite. Qualquer outra hora você vai perder."

A onça-pintada é outro mito persistente. Muitos guias prometem avistamento. A realidade é que existem entre trezentas e quinhentas onças na região todo ano. Elas cobrem territórios de até trinta quilômetros quadrados cada. Um turista pode passar uma semana inteira e nunca ver uma. O que poucos sabem é que as onças preferem áreas de várzea durante a seca, quando os peixes se concentram em poços. O melhor período é agosto a outubro. A probabilidade de avistamento ainda é de cerca de cinco por cento por dia de safári, dependendo da sorte e da experiência do condutor. O bugio-ruivo é frequente na parte elevada do pantanal, perto de Nhecolândia. Eles vivem em grupos de cinco a quinze indivíduos. O vocalização começa ao anoitecer e dura até meia-noite. Uma vez instalado o grupo num galho alto, você ouve durante vinte minutos sem interrupção. É um espetáculo sonoro que não aparece nos livros didáticos. O animal se alimenta de folhas, frutas e insetos. O peso médio é de seis quilos. Eles raramente descem ao chão.

Outro animal que passa despercebido é a veado-colar. O menor cervídeo das Américas, com aproximadamente vinte quilos. Vive em florestas ciliares e matas secas do pantanal. É extremamente discreto. Senta-se no meio da trilha, imóvel, esperando o veículo passar. Só se move quando você está a menos de cinquenta metros. O avistamento exige paciência e silêncio. Uma guia comum não para para procurar. Ela segue o roteiro e pronto. O peixe-boi-da-amazônia também habita alguns rios do pantanal norte, especialmente no Alto Paraguai. São cerca de mil indivíduos na bacia toda. O animal respira a cada três minutos e pode mergulhar por até quinze minutos. O avistamento é raro porque eles preferem águas profundas e escuras. Eu já passei dois dias de barco procurando um e só vi uma fêmea com seu filhote a cem metros da margem, na curva de um rio isolado. A guia não tinha visto nada durante três anos naquela rota. A diferença foi o conhecimento local do piloto, que sabia identificar as marcações de areia onde os peixes-bois se alimentam à noite.

A praia-do-campo é um erro comum. Muitos turistas confundem com capivaras. A diferença é que a preá tem o focinho mais pontiagudo, o pelo mais grisalho e o peso médio de oito quilos, contra quarenta quilos da capivara. Ela vive em grupos de dez a trinta indivíduos e se alimenta de gramíneas. É mais ativa no final da tarde. O avistamento é frequente em Poconé e Transpantaneira, mas sempre à distância. Eles têm medo deapproach excessivo. O tuiuiú é a ave símbolo do pantanal mato-grossense. Encontra-se em colônias de até cinco mil indivíduos. O bico amarelo e vermelho é único entre as aves brasileiras. O vôo é lento, com pescoço esticado e asas abertas. O ninho pode medir dois metros de diâmetro e pesar cem quilos. Vive em palmeiras do gênero Acrocomia. A época de reprodução é setembro a dezembro. Os filhotes nascem cinza e ficam no ninho por sessenta dias. O que poucos sabem é que o tuiuiú se alimenta de peixes pequenos, capturados em voos rasos sobre a água. A captura acontece em menos de dois segundos. O animal espera a presa passar e abaixa o bico como uma lança.

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A arara-azul vive em falésias de arenito, especialmente em Porto Jofre e Corumbá. São aproximadamente mil indivíduos na região. O casal forma vínculo eterno e ambos incubam os ovos. A postura é de dois ovos, com período de chocagem de vinte e quatro dias. Os filhotes voam aos quatro meses e ficam com os pais por um ano. O que muita gente ignora é que o alimento principal são frutos da licuri, uma palmeira que frutifica de julho a setembro. Fora dessa época, as araras migram para áreas de cerrado próximas. O matogrosso-do-sul abriga ainda a lontra, um dos animais mais difíceis de encontrar. O comprimento é de aproximadamente um metro e meio, incluindo a cauda. Vive em rios com correnteza moderada e fondes rasos. Se alimenta de peixes, crustáceos e anfíbios. É solitária e noturna. O avistamento é raro porque eles se camuflam perfeitamente na vegetação ripária. Eu já perdi dois dias procurando uma lontra perto de Miranda. O guia local me mostrou uma armadilha fotográfica com imagens da semana anterior. O animal passava pela mesma curva todos os dias, às duas da manhã. Sem a câmera, eu nunca teria descoberto o trajeto.

A jacutinga é uma ave elegante, mas em perigo crítico de extinção. Restam aproximadamente duzentos indivíduos no pantanal. O macho tem plumagem azul-acinzentada e crista negra erétel. A fêmea é marrom-escura. O bico é curto e amarelo. Se alimenta de sementes e insetos. Vive em florestas ciliares densas. O avistamento exige conhecimento da mata e paciência. A espécie é extremamente territorial e só se manifesta quando perturbação no habitat. O macaco-prego é onipresente no pantanal. Mas a espécie predominante é o macaco-prego-de-coleira, com peso de quatro a seis quilos. Vive em grupos de quinze a trinta indivíduos. O alimento varia conforme a estação: frutas na cheia, insetos e pequenos vertebrados na seca. O ruído é constante. Eles se comunicam por gritos e batidas nos troncos. O avistamento é fácil em qualquer trilção, mas exige respeito. Eles podem ser agressivos se sentirem ameaça.

Um animal frequentemente esquecido é o gavião-real. O maior falcão das Américas, com envergadura de dois metros. O macho é cinza-claro com lista branca no peito. A fêmea é marrom-escura. O ninho pode medir dois metros e pesar cinqüenta quilos. vive em matas ciliares preservadas. O voo é lento e poderoso, sobrevoando rios e lagos. A presa preferida é macacos e aves de médio porte. O avistamento é frequente em áreas remotas, mas raro em rotas turísticas. A cutia é um roedor noturno, próximo do esquilo. O peso é de dois a três quilos. O pelo é marrom-avermelhado com barriga clara. vive em florestas secas e matas de galeria. Se alimenta de frutos, sementes e insetos. O ruído à noite é constante. São animais solitários e territorialistas. O avistamento é raro porque they se camuflam perfeitamente no substrato foliar.

O anta é o maior mamífero terrestre das Américas. No pantanal, o peso médio é de trezentos quilos, mas indivíduos podem ultrapassar quatrocentos quilos. O pelo é cinza-escuro com manchas brancas no focinho e orelhas. vive em florestas úmidas e áreas alagáveis. O alimento principal é folhas, brotos e frutos. O avistamento é frequente na época seca, quando os animais se concentram perto de fontes de água. Mas eles são extremamente silenciosos e podem passar a centímetros do veículo sem ser percebidos. Um detalhe importante sobre animais típicos do pantanal é que a temporada define tudo. A cheia (novembro a março) alaga sessenta por cento da planície. Os animais se dispersam. A seca (abril a outubro) concentra a vida em torno dos rios. É quando os avistamentos são mais frequentes. Mas a seca extrema (agosto-outubro) pode reduzir a disponibilidade de água e afastar espécies sensíveis. O equilíbrio é delicado.

Outro fator é a altitude. O pantanal norte, perto de Corumbá, tem variação de trezentos a quinhentos metros. O pantanal sul, perto de Miranda, é mais plano, com cento e cinqüenta metros de altitude. A fauna muda conforme a topografia. Áreas mais elevadas abrigam espécies de cerrado. Áreas baixas, espécies aquáticas. Quem faz o mesmo roteiro todo ano acha que conhece o pantanal. O erro é esquecer que a região muda a cada estação, a cada ano, a cada frente fria. O pantanal é um ecossistema dinâmico. Não é um zoológico a céu aberto. Os animais vivem suas vidas. O turista é o Visitante. O respeito, o silêncio e o conhecimento são as únicas ferramentas que realmente funcionam. O resto é sorte.