Verbos Que Terminam Em Or - Por que os verbos terminados em -OR pertencem à 2ª conjugação? - YouTube
Por que os verbos terminados em -OR pertencem à 2ª conjugação? - YouTube

Verbos com raíz em -or: o que todo estudante de português esquece

Achei esses verbos irritantes quando comecei a dar aulas. Não porque sejam difíceis, mas porque a maioria dos livros didáticos trata eles como uma lista solta, sem mostrar o padrão real que conecta conhecer, oferecer, possuir e reconhecer. O truque é perceber que a terminação -or no infinitivo quase sempre vira -o- ou -a- no presente, e muda pra -ço/-sço na primeira pessoa do presente do indicativo. Aí você já consegue conjugar pelo menos metade deles de olhos fechados. Existem verbos regulares que terminam em -or, como chorar, mas esse não é o ponto da questão. O problema mesmo são aqueles cujos radicais se alteram — e é justamente sobre esses que vou escrever aqui, incluindo o que eu descobri na prática depois de anos corrigindo prova de concursandos.

O padrão dos verbos que terminam em or no radical

O primeiro passo é separar os verbos em dois grupos. O grupo mais comum temradical terminado em -esc/-oç/-oß e segue um padrão bem previsível no presente do indicativo. Veja conhecer:

O segredo está naquele -ço na primeira pessoa. É o mesmo mecanismo de possuir possuo, oferecer ofereço, reconhecer reconheço. A mudança de c ç antes de -o é puramente ortográfica, mas quem não entende isso acaba escrevendo eu conheco em prova e perdendo ponto à toa. No subjuntivo, o padrão se inverte. O -a- volta e a consoante volta ao normal:

Observe que o -ç aparece de novo no conheçamos porque o -a- do subjuntivo força a grafia com cedilha. Esse é um detalhe que todo mundo erra: esquecem que o subjuntivo também exige a grafia modificada. O preterismo perfeito, por sua vez, costuma puxar o -e- ou -ou-: eu conheci, eu ofereci, eu possuí. Aí vem a pegadinha: o particípio não usa o radical original. O particípio de conhecer é conhecido, o de oferecer é oferecido, o de possuir é possuído. Se você tentar formar conhecido como se fosse um verbo regular, vai acabar com conhecido mesmo, mas a pronúncia e a grafia exigem atenção ao acento tônico.

Verbos mais problemáticos e como evitar erros

Dos verbos mais cobrados em concursos, três costumam causar dor de cabeça: conhecer, oferecer e possuir. Vou listar as formas que mais aparecem erradas em material didático barato.

Conhecer

Presente do indicativo: eu conheço, tu conheces, ele conhece, nós conhecemos, vós conhecestes, eles conhecem. Pretérito perfeito: eu conheci, tu conhecestes, ele conheceu, nós conhecemos, vós conhecestes, eles conheceram. Futuro do subjuntivo: quando eu conhecer, quando tu conheceres, quando ele conhecer. O erro mais frequente é confundir o pretérito perfeito com o pretérito mais-que-perfeito. Alunos escrevem eu conhecera achando que é passado simples, quando na verdade é um tempo composto que indica anterioridade em relação a outro passado. Em provas objetivas isso cai todo ano.

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Oferecer

Presente do indicativo: eu ofereço, tu ofereces, ele oferece, nós oferecemos, vós ofereceis, eles oferecem. Pretérito perfeito: eu ofereci, tu ofereceste, ele ofereceu, nós oferecemos, vós oferecestes, eles ofereceram. Imperfeito do subjuntivo: se eu oferecesse, se tu oferecesses, se ele oferecesse. Aqui a armadilha é o -cesse no imperfeito do subjuntivo. Muita gente junta com o -cer e escreve ofereçesse com cedilha, quando o correto é oferecesse com c. O radical é oferece-, e o suffixo do imperfeito do subjuntivo é -sse. Se o radical já tem c, não precisa mudar nada.

Possuir

Presente do indicativo: eu possuo, tu possuis, ele possui, nós possuímos, vós possuis, eles possuem. Pretérito perfeito: eu possuí, tu possuíste, ele possuIU, nós possuímos, vós possuístes, eles possuíram. Futuro do presente: eu possuirei, tu possuirás, ele possuirá, nós possuiremos, vós possuireis, eles possuirão. O verbo possuir tem um comportamento meio diferente porque mantém o -u- em praticamente todas as formas. A única alteração de grafia importante é o -uo na primeira pessoa do presente, que muitos confundem com pouso de posar. A dica prática é lembrar que possuir vem do latim possidere, e o -u- é parte do radical, não um ditongo.

Um caso específico que me deu trabalho

Há alguns anos, enquanto corrigia redações de um cursinho pré-vestibular, percebi que cerca de 40% dos alunos escreviam eu reconheço como eu reconhezo. O erro era simples mas persistente: confundiam a regra ortográfica do -ço com a pronúncia coloquial. No português falado, especialmente no sudeste, o ç muitas vezes soa como s, e o aluno reproduzia a fonética na escrita. A solução que encontrei foi pedir que eles fizessem a análise morfológica de cada verbo antes de conjugar. Separar o radical do suffixo. Quando o aluno via que o radical de reconhecer era reconhec-, entendia que o ç vinha da combinação do radical com a desinência -o. Em vez de decorar, eles passaram a construir a forma. O índice de erro caiu para menos de 8% nas correções seguintes.

Isso mostra que o problema não é dificuldade com a regra, e sim falta de familiaridade com a estrutura dos verbos. Quem decora conjugação isolada esquece. Quem entende o padrão não precisa decorar tudo.

O que esses verbos NÃO fazem

Uma coisa importante: verbos com radical em -or não sofrem alteração vocálica no futuro do subjuntivo. Eu Conhecer, tu conheceres, ele conhecer. O radical permanece intacto. Isso diferencia eles de verbos como sentir sintam, que têm alteração radical no subjuntivo. Saber essa diferença evita confusão na hora de marcar alternativas em provas. Também não há variação de acentuação no plural do presente do indicativo. Nós conhecemos leva acento apenas porque é paroxítona terminada em ditongo crescente, não por causa do radical. O mesmo vale para nós oferecemos e nós possuímos. A acentuação é regida pela regra geral, não por particularidade do verbo.

Resumo prático

Se você precisa conjugar verbos com radical em -or rápido e sem erro, siga estes passos:

  1. Identifique o radical tirando a terminação -er do infinitivo
  2. No presente do indicativo, adicione as desinências normais e aplique a regra ortográfica -ço/-sço na primeira pessoa
  3. No presente do subjuntivo, use o radical com -a- e mantenha a grafia do radical original
  4. No pretérito perfeito, o radical volta ao normal com -ei/-ou/-iu
  5. No futuro do subjuntivo, o radical não se altera de forma alguma

Essa sequência funciona para conhecer, oferecer, possuir, reconhecer, agradecer, desconhecer e praticamente todos os outros da família. Quando encontrar um verbo novo, aplique o mesmo procedimento e provavelmente vai acertar na primeira tentativa.