Um Casal Realiza Um Financiamento - Um Casal Realiza Um Financiamento - RETOEDU
Um Casal Realiza Um Financiamento - RETOEDU

O problema que ninguém conta sobre financiamento para casal

Eu vi de tudo nessa área. Já atendi casais que tinham um dos dois com scoring perfeito e o outro devendo seiscentos reais em cheque especial, e ainda assim consegui aprovar. Também vi o contrário acontecer: dois currículos altos juntos, mas a análise negativa por causa de uma conta de luz atrasada de trinta e poucos reais que um deles esqueceu no banco antigo. O financiamento imobiliário para casal segue uma lógica simples no papel, mas na prática a maioria das pessoas subestima como os bancos cruzam os dados. A regra básica é que a renda bruta combinada é somada, mas o comprometimento de renda também é. Se um dos dois já tem prestação de carro, cartão rotativo e emprestimo consignado, o banco não vai somar só os salários e aprovar tranquilo. Ele vai subtrair todas essas obrigações antes de calcular a margem.

Como eu sempre faço a análise antes de entrar no banco

Meu processo é praticamente ritual. Eu peço os três extratos do SPC/Serasa de ambos, não só o relatório resumido. O resumido esconde detalhes. Aí eu cruzo com os extratos do Banco Central, que mostram empréstimos que o SPC às vezes não atualiza com velocidade suficiente. Em 2023, por exemplo, um cliente meu apareceu com duas linhas de crédito ativo que só constavam no BC, porque o cadastro no SPC tinha como data de referência algo de oito meses antes. Depois eu verifico o score de cada um separadamente. O score médio não é o que importa, é o mínimo dos dois. Quando o menor score está abaixo de seiscentos, o banco já inicia a análise com ressalva, mesmo que o outro tenha setecentos e cinquenta. Isso acontece porque o contrato conjunto faz os dois corresponsáveis, e a inadimplência de um afeta o contrato inteiro.

Na prática, eu costumo recomendar que o casal entre com o financiamento no nome de quem tem melhor score primeiro, e depois faça a averbação ou escritura em comunhão, se for o caso. Ou então entra com os dois, mas comprova renda maior no imóvel, para dar margem ao comprometimento. Eu tenho um cliente em Curitiba que fez exatamente isso: o imóvel rendeu o triplo da quota mínima exigida pelo banco, então a análise foi aprovada apesar do score abaixo da média dele.

Um casal realiza um financiamento e enfrenta o risco do fiador

Aqui tem um detalhe que muita gente não considera. Quando o casal não tem margem suficiente para aprovar sozinho, o banco pede fiador. O fiador não é um parente qualquer, é alguém que assina o contrato como coobrigado integral. Se o casal atrasar a prestação, o banco pode executar o patrimônio do fiador sem nem precisar entrar com ação judicial, dependendo da cláusula. Eu vi um tio ficar com o apartamento dele penhorado porque o sobrinho entrou em calote, e o banco executou a garantia que o tio havia dado como fiador. O imóvel do tio valia trezentos mil reais, e a dívida do casal era cento e trinta mil. Cobraram tudo. Uma alternativa que eu uso com frequência é a garantia do próprio imóvel com clausula de hipoteca, em vez de fiador. O banco prefere hipoteca porque tem menos risco, e o processo de avaliação leva em média quinze dias úteis, contra trinta dias de análise de fiador. A hipoteca pode ser feita em um imóvel quitado dos pais, avós, ou até de um terceiro que aceite. O importante é que o imóvel avaliado cubra pelo menos cem por cento do valor da dívida.

O erro mais comum que eu vejo na prática

As pessoas entram no site do banco, simulam o financiamento, e veem que a parcela cabe no bolso delas. Aí vão para a agência achando que tá aprovado. Não tá. A aprovação depende de vários fatores que a simulação não mostra. O banco avalia a origem da renda, não só o valor. Se um dos dois recebe salário por conta própria mas não tem registro em carteira, o banco considera cinquenta por cento dessa renda, não cem por cento. Já vi casal reprovar porque a renda complementar da esposa, que era prestadora de serviço, foi avaliada só pela metade. O outro erro clássico é não considerar as parcelas futuras. Se um dos dois vai completar trinta e tantos anos de idade no meio do contrato, algumas plataformas de scoring diminuem a pontuação por risco de envelhecimento. Também tem o fator dependência: se o casal tem filhos pequenos, o banco às vezes considera que haverá gastos adicionais, mas na prática isso raramente afeta a aprovação. O que realmente mata a aprovação é ter comprometimento de renda acima de cinquenta por cento da renda bruta consolidada.

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Em 2024, fiz uma análise de um casal em Goiânia que tinha renda conjunta de doze mil reais, mas trinta e cinco por cento estava comprometido com outras dívidas. O banco pediu uma garantia complementar. Eu sugeri que eles usassem um veículo quitado da esposa como garantia suplementar, e a aprovação veio em dezessete dias úteis. Sem o veículo, a análise teria levado sessenta dias ou mais, e talvez fosse reprovada por falta de margem.

Dicas que realmente funcionam

A primeira coisa que eu recomendo é limpar o nome antes de começar o processo. Não adianta simular financiamento se um dos dois tem restrição ativa no SPC. Eu vejo muita gente entrar no site do banco com dívida de duzentos reais e achar que não interfere. Interfere, e muito. O sistema de scoring ignora automaticamente qualquer restrição ativa. A segunda dica é levar documentação completa. Eu costumo pedir extrato bancário dos últimos seis meses, contracheque, declaração de imposto de renda com recibo de entrega, e comprovante de residência de ambos. Se o casal tiver empresa, preciso também do balancete e do contrato social. Quanto mais documentação, mais rápida a análise. Eu já vi casos em que a análise levou apenas oito dias úteis porque a documentação estava completa desde o início, e outros que levaram quatro meses porque faltava um documento secundário.

A terceira dica é entender o custo efetivo total. A parcela parece barata na simulação, mas o CET inclui taxas administrativas, seguro obrigatório, e avaliação do imóvel. Eu sempre calculo o CET final antes de o casal fechar qualquer coisa. Em muitos casos, o CET real é dezoito por cento ao ano ou mais, dependendo do banco. Isso pode transformar uma parcela aparentemente acessível em um compromisso pesado a longo prazo.

O que eu faria diferente se começasse agora

Se eu tivesse que começar do zero hoje, eu focaria mais em bancos digitais. Os tradicionais ainda têm processos manuais que levam semanas, enquanto os digitais automatizaram boa parte da análise. Um casal com scoring acima de setecentos consegue aprovação em três dias úteis em várias plataformas. A taxa de juros costuma ser semelhante, mas o custo operacional é menor porque não tem tantas taxas intermediárias. O segundo ponto seria negociar antes de entrar no banco. Eu tenho cliente que negocrou diretamente com o gerente da agência e conseguiu isenção de taxa de abertura de crédito, o que economizou mil e trezentos reais no financiamento de trezentos mil. Isso não aparece em nenhuma simulação online, e só é possível com conversa direta. A terceira lição foi não depender só de uma simulação. Eu sempre faço três simulações em bancos diferentes antes de o casal tomar qualquer decisão. Os valores de parcela e CET variam bastante entre instituições, mesmo para o mesmo perfil.

Resumo prático

O financiamento para casal exige atenção a detalhes que não aparecem nas simulações. A análise de crédito combina rendas, mas também combina compromissos. O score mínimo é mais importante que a média. A documentação completa acelera o processo de semanas para dias. E o custo real costuma ser bem maior do que a parcela aparente. Quem entra nesse processo sem preparo tende a levar muitos meses a mais ou ser reprovado na hora H. Quem prepara tudo com antecedência, como eu costumo fazer, geralmente resolve em menos de três semanas, desde que a renda líquida seja suficiente para cobrir a parcela sem ultrapassar cinquenta por cento da margem disponível.