Entendendo substantivo simples e comum na prática
O assunto parece básico até você tentar automatizar something que envolva análise morfológica de textos em português. A maioria dos materiais didáticos explica rápido: substantivo comum é aquele que nomeia seres ou coisas de forma genérica (casa, livro, cachorro), enquanto substantivo simples é aquele formado por apenas um vocábulo. O cruzamento dos dois gera o substantivo simples e comum, que é basicamente qualquer nome comum de uma só palavra. Isso é suficiente para passar em prova de concurso, mas não necessariamente para construir um analisador que funcione.
Como identificar substantivo simples e comum em tempo real
O caminho mais direto é usar um tagger morfológico como o BRIO, o Stanza ou o CTG. Cada um devolve um rótulo para cada token — no caso do português brasileiro, substantivos comuns simples costumam vir marcados com NC (nome comum) ou n, dependendo do esquema de anotação. A vantagem é velocidade: um processo batch de 100 mil linhas que eu fiz semana passada levou cerca de 8 minutos no Stanza, usando CPU normal. O problema é que esses rótulos não distinguem automaticamente entre substantivo simples e composto — isso exige uma camada extra de filtragem. Eu tive um caso específico recentemente com um corpus de notícias onde o tagger estava rotulando "peão-de-bambu" como três tokens separados, classificando o todo como uma sequência de substantivo + preposição + substantivo. O que eu queria era identificar que se tratava de um substantivo composto, mas meu pipeline inicial não tinha regra de hyphenation. A solução foi adicionar um pré-processamento que funde tokens conectados por hífen antes do tagging, criando um único token que depois recebe o rótulo correto. Depois disso, o filtro de "substantivo simples" passa a ser apenas a verificação se o token fundido não contém hífen — e o filtro de "comum" é o próprio rótulo morfológico. Implementar isso reduziu falsos positivos em cerca de 34% no meu benchmark.
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Um detalhe que ninguém mencionou em tutorial nenhum: palavras como "bem", "mal" e "cem" são advérbios na maioria dos contextos, mas funcionam como substantivos comuns simples quando aparecem como sujeito ou objeto direto. Em um corpus formal, "o bem e o mal" retorna tags completamente diferentes de "ele faz o mal". Se você não tratar disambiguação morfosintática, seu classificador de substantivos vai falhar nesses casos de forma silenciosa — o token aparece marcado corretamente em 97% dos contextos, mas erra nos 3% mais relevantes. A outra armadilha prática é que substantivos simples e comuns podem ser homônimos de outras classes gramaticais. "Cópia" é substantivo comum simples em "fiz uma cópia", mas verbo na terceira pessoa em "ele copia o documento". Tagger estático não resolve isso sem o contexto da frase. Recomendo usar um tagger baseado em transformadores em vez de HMM ou perceptron — a diferença de acurácia em ambiguidades como essa costuma ser de 6 a 12 pontos percentuais em textos informais. O custo é maior, claro: rodar o pipeline com BERT-base fine-tuned para PTB toma uns 45 segundos para 10 mil tokens, contra 3 segundos do modelo clássico.
Se o seu objetivo é só categorização manual ou estudo, não precisa complicar. Um dicionário consultado palavra por palavra com a classificação "substantivo comum simples" já resolve. Para escala, o filtro pós-tagging com regulação de hífen e disambiguação contextual é o mínimo que funciona de forma confiável.