O número de mortos sob Stalin
Estimativas sobre quantas pessoas morreram durante o regime de Josef Stalin variam bastante entre historiadores, mas a maioria dos estudos sérios converge para uma faixa entre 6 e 20 milhões de mortes diretamente ou indiretamente ligadas às políticas soviéticas.
stalin matou quantas pessoas: o que os arquivos dizem
Depois que os arquivos soviéticos foram abertos nos anos 1990, pesquisadores como Oleg Khlevniuk, Vladislav Zuyev e outros tiveram acesso a documentos originais. Os números que surgiram foram mais precisos, mas ainda geram debate. As execuções diretas por fuzilamento durante o Grande Expurgo (1937-1938) ficaram em torno de 681 mil apenas nos registros oficiais. Esse é só um componente do total. A fome da Holodomor na Ucrânia (1932-1933) deixou entre 3,5 e 5 milhões de mortos, segundo a maioria dos estimadores, embora alguns estudiosos ucranianos apontem cifras mais altas. A coletivização forçada e a deportação de camponeses também mataram centenas de milhares. O sistema de campos do Gulag custou a vida de algo entre 1,5 e 1,7 milhão de prisioneiros ao longo de toda a sua existência, de 1930 a 1953.
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Se somarmos execuções, fome imposta por política de Estado, mortes nos Gulags e deportações, chegamos a uma estimativa conservadora de cerca de 6 a 9 milhões. Se incluirmos efeitos de longo prazo como o colapso sanitário, a desnutrição crônica e a repressão em repúblicas satélite, alguns historiadores chegam a 15 ou 20 milhões. Não existe um número único e definitivo porque nem todos os registros sobreviveram e a definição do que conta como "morte por Stalin" muda conforme o pesquisador. O trabalho mais completo e citado atualmente é o do historiador russo Vladimir Khrustalev, que compilou dados de arquivos do NKVD e chegou a cerca de 7,8 milhões de mortos entre 1929 e 1953 quando se considera todas as categorias. Já o livro "The Gulag Archipelago" de Soljenitsin, embora literariamente importante, não é fonte historiográfica confiável para números exatos.
Um detalhe que poucos leigos consideram: uma parte significativa das mortes não veio de ordens diretas de Stalin escritas em papel. Veio de estruturas burocráticas que antecipavam suas demandas e escalavam a violência por iniciativa própria, como aconteceu nas quotas de execuções por república durante o expurgo. Stalin assinava os decretos, mas quem definiu quantos nomes entrar em cada lista foram os chefes regionais do Partido e do NKVD. Se você quer se aprofundar em fontes primárias, o site ca o Memorial Society russo ainda mantém bases de dados acessíveis com nomes de vítimas. A obra "Stalin: New Biography" de David Remnick oferece um contexto político útil, mas para números o mais recomendável mesmo é consultar artigos de revistas acadêmicas como Soviet Studies ou The Russian Review, não livros de divulgação geral.
O problema é que mesmo com todos os arquivos abertos, muitos documentos continuam perdidos, destruídos ou classificados na Rússia. Portanto, todo número que você ver é uma estimativa, nunca uma contagem absoluta. O consenso mínimo entre historiadores especializados é que o regime de Stalin resultou na morte de pelo menos 6 milhões de pessoas civis.