Alternativas a "desse modo" que realmente funcionam no português escrito
Escrevi dezenas de relatórios técnicos e artigos acadêmicos usando "desse modo" como conectivo padrão, até perceber que estava gastando duas ou três linhas onde uma seria suficiente. O problema não é o termo em si, mas a falta de variedade e o uso automático em contextos onde outro conectivo resolveria melhor.Quando preciso explicar uma consequência lógica, "logo" ou "portanto" entra no lugar sem esforço. Para descrições de método, "por meio de" ou "através do" são mais precisos. A diferença prática é pequena no papel, mas altera a percepção do leitor de forma consistente. Em revisão de artigos para periódicos da área de engenharia, percebi que avaliadores marcavam "desse modo" como repetitivo quando aparecia mais de uma vez na mesma seção — algo que eu simplesmente não via porque estava tão acostumado com o padrão.
sinônimos de desse modo
As alternativas mais úteis caem em três categorias: conectivos de consequência, de método e de adição lógica. "Portanto", "logo", "assim" e "consequentemente" substituem bem quando há relação de causa e efeito. "Destarte", "mediate" e "por conseguinte" soam formais demais para a maioria dos textos corporativos, mas funcionam em documentos jurídicos ou em normas técnicas onde o registro precisa ser mais rígido. Já para descrever procedimentos, "por meio de", "através de", "mediante" e "por esta via" são mais específicos. A armadilha comum é trocar "desse modo" por "desta forma" sem perceber que estão quase sendo a mesma coisa — a variação é superficial. No meu caso, ao revisar um manual de instalação para equipamentos industriais, o corretor sugeriu substituir todas as ocorrências de "desse modo" por expressões mais concretas como "conforme ilustrado na Figura 3" ou "após o aperto dos parafusos M8". A diferença foi que o texto passou a ter direção em vez de apenas fluir.
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O problema mais difícil que encontrei com essas alternativas foi em textos multilíngues, onde "desse modo" às vezes era uma tradução literal do inglês "thus" ou "thereby". Nesses casos, a solução não era escolher outro sinônimo, mas reestruturar a frase inteira. Um relatório técnico que traduzi de uma norma DIN tinha "desse modo" aparecendo nove vezes em duas páginas. Cada substituição isolada piorava o texto. Só resolvi quando parei de pensar em sinônimos e pensei na função lógica de cada conectivo — resultado, condição, sequenciamento. Isso reduziu as ocorrências para três, com o texto ficando mais claro em vez de mais longo. Uma verdade pouco conhecida sobre essas alternativas é que algumas delas carregam nuances específicas. "Por conseguinte" implica uma dedução mais formal do que "portanto". "Destarte" tem uso restrito a textos jurídicos e legais no Brasil — usar em um email corporativo soa artificial. "Consequentemente" é preciso para consequências diretas, mas pode ser ambíguo quando há múltiplas causas envolvidas. Para relatórios de qualidade na indústria, recomendo mapear cada conectivo à sua função real antes de escrever, em vez de improvisar no momento da redação.
O principal ponto fraco dessas alternativas é que nenhuma funciona universalmente. "Logo" não serve quando não há relação causal clara. "Portanto" pode soar excessivamente conclusivo em textos descritivos. E a busca obsessiva por sinônimos às vezes leva a uma trocaanical que piora a clareza em vez de melhorar. Se o seu objetivo é apenas evitar repetição, a solução mais eficaz costuma ser reestruturar a sentença, não substituir a palavra. Em minha experiência revisando documentos técnicos para certificação ISO, a regra prática que funcionou foi contar as ocorrências de "desse modo" e questionar cada uma individualmente: esta conecta consequência, método ou adição? A resposta define a alternativa mais adequada. Sem esse questionamento, qualquer substituição é chute.