Reticulo Endoplasmatico Liso E Rugoso - Retículo Endoplasmático Liso e Rugoso | Procariontes, Celula ...
Retículo Endoplasmático Liso e Rugoso | Procariontes, Celula ...

Entendendo o retículo endoplasmático na prática

O retículo endoplasmático é uma rede de membranas dentro da célula, dividido em duas regiões com funções completamente diferentes. A parte rugosa tem ribossomos presos à superfície, o que dá a aparência granulada quando observada ao microscópio eletrônico. A parte lisa não tem esses ribossomos e aparece como tubos conectados, mais parecida com um sistema de canos do que com sacos achatados. Muitos livros didáticos tratam os dois como coisas separadas, mas na verdade eles são contínuos. A membrana do RE rugoso se conecta diretamente ao RE liso, e proteínas sintetizadas na região rugosa podem ser processadas e modificadas depois na parte lisa. Não há uma linha divisória física real entre eles dentro da célula.

reticulo endoplasmatico liso e rugoso

O RE rugoso é onde acontece a síntese de proteínas que precisam sair da célula ou ser inseridas em membranas. Os ribossomos traduzem o RNA mensageiro e enviam a cadeia polipeptídica diretamente para o interior do retículo enquanto ela ainda está sendo montada. Isso se chama co-translacional. Dentro do RE, a proteína passa por dobramento, formação de pontes dissulfeto e glicosilação inicial. Se o dobramento não ocorrer corretamente, a célula tem mecanismos de controle de qualidade que marcam a proteína defeituosa para degradação via proteassomo. O RE liso faz coisas bem distintas. Ele produz lipídios de membrana, incluindo fosfolipídios e colesterol. Também é responsável pela desintoxicação de drogas e toxinas, especialmente em células do fígado, onde enzimas do citocromo P450 atuam. Nas células da adrenal, o RE liso participa da síntese de hormônios esteroides. E nos músculos esqueléticos, uma versão especializada chamada retículo sarcoplasmático armazena cálcio e o libera durante a contração muscular.

Uma coisa que poucos mencionam é a dinâmica entre as duas regiões. Quando uma célula precisa produzir grandes quantidades de proteínas de secreção, como os plasmócitos producing anticorpos, o RE rugoso se expande dramaticamente. O inverso também é verdadeiro. Células hepáticas expostas a medicamentos crônicos desenvolvem aumento do RE liso como adaptação, o que explica por que algumas pessoas metabolizam drogas mais rapidamente após uso prolongado. Tive um problema específico trabalhando com culture de células e identificando alterações morfológicas. Em células de pâncreas exócrino, o RE rugoso é tão abundante que ocupa a maior parte do citoplasma basal. Acontece que, em condições de estresse celular como estímulos inflamatórios, o RE liso pode proliferar rapidamente e comprimir visualmente as regiões rugosas, dificultando a identificação correta das zonas sob microscopia de fluorescência. A solução que encontrei foi usar coloração específica para calnexina (marcador de RE rugoso) e P450 (marcador de RE liso) simultaneamente, o que permitiu distinguir as duas regiões mesmo quando elas estavam espacialmente sobrepostas. Sem essa dupla marcação, era fácil confundir uma região de transição com um artefato de preparo.

O tamanho relativo do RE liso versus rugoso varia enormemente entre tipos celulares. Neurônios têm bastante RE rugoso no corpo celular, mas o RE liso predomina nos terminais axoniais. Células hepatocíticas têm ambos muito desenvolvidos, enquanto células musculares lisas vasculares concentram praticamente todo o RE na forma de retículo sarcoplasmático. Isso significa que nunca se deve assumir uma proporção fixa ao analisar uma célula desconhecida. Um erro comum em laboratório é tratar o RE como um compartimento estático. A verdade é que ele se remodela constantemente. Em resposta a acúmulo de proteínas mal dobradas, a célula ativa a resposta a proteínas não dobradas (UPR), que aumenta a capacidade do RE de fazer dobramento correto. Isso envolve expansão da rede de membranas, aumento da expressão de chaperonas como BiP e ATPases de dobramento, e em casos extremos, pode levar a apoptose se o estresse persistir. A UPR é um dos mecanismos mais importantes na progressão de doenças como diabetes tipo 2 e Alzheimer, onde o estresse do RE é um fator patogênico reconhecido.

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Outro ponto negligenciado é a comunicação entre o RE e outras organelas. Existem contatos diretos entre o RE e o apparatus de Golgi por onde vesículas de transporte viajam. O RE também forma junções de contato com mitocôndrias chamadas MAMs (mitochondria-associated membranes), que regulam transferência de cálcio, síntese de lipídios e até início da apoptose. Sem esses contatos, a célula perde capacidade de sinalização intracelular eficiente. A biogenese do RE depende de proteínas transmembrana que atuam como pontos de ancoragem para expansão da rede. Sem elas, a membrana não consegue se organizar corretamente e forma bolsas irregulares em vez de tubos e cisternas. Proteínas como reticulona e DP1/Yop1p são essenciais para criar a curvatura dos tubos do RE liso. Mutações em genes que codificam essas proteínas estão associadas a doenças neurológicas hereditárias, incluindo formas de paralisia cerebral espástica.

Na prática, ao preparar amostras para microscopia eletrônica, o artefato mais comum é a contração do RE durante a fixação. Se o fixador não penetrar rápido o suficiente, as membranas do RE colapsam e ficam irreconhecíveis. A solução é usar glutaraldeído a 2,5% com cacodilato de sódio a 0,1M, pH 7,4, e manter a temperatura da solução próxima de 4°C durante a perfusão. Amostras de tecido devem ter espessura máxima de 1mm para permitir fixação adequada em tempo útil. Uma limitação importante ao estudar o RE é que técnicas convencionais de microscopia óptica não resolvem suas estruturas individualmente. O retículo tem apenas 30 a 50 nanômetros de diâmetro, muito abaixo do limite de difração da luz visível. Isso significa que afirmações sobre morfologia do RE baseadas apenas em fluorescência convencional são sempre interpretações indiretas. Microscopia de super-resolução ou electrónica são necessárias para observação direta. Mesmo assim, a microscopia electrónica tem seu próprio problema: amostras são mortas e fixadas, então qualquer dinâmica real fica perdida.

Para quem trabalha com cultivo celular, saber diferenciar RE rugoso de liso pode ser útil para avaliar o estado funcional das células. Células diferenciadas em linhagens secretoras mostram expansão clara do RE rugoso. Células tratadas com indutores de citocromo P450, como fenobarbital, apresentam proliferação do RE liso. Isso pode ser monitorado por ensaios enzimáticos ou por western blot para marcadores específicos, sem precisar recorrer à microscopia em todos os casos. O estudo do retículo endoplasmático tem avançado muito com técnicas de criomicroscopia eletrônica, que permitem visualizar proteínas de membrana do RE em estados quase nativos. Estruturas de complexos como a translocone, o complexo de reconhecimento de sinal e as chaperonas de dobramento foram resolvidas recentemente com resolução atômica. Esses avanços estão mudando a forma como entendemos doenças ligadas ao mau dobramento proteico.

Se o objetivo é estudar o assunto com mais profundidade, a literatura técnica recomenda começar por revisões sobre a via secretora e o papel do RE no processamento de proteínas. Livros como "Molecular Biology of the Cell" do Alberts oferecem seções completas, mas para detalhes moleculares específicos, artigos de revisão em revistas como "Nature Reviews Molecular Cell Biology" trazem informações atualizadas com maior densidade técnica.