Relevo Do Centro Oeste - Relevo da Região Centro-Oeste: A Região Centro-Oeste XLII (Regiões do ...
Relevo da Região Centro-Oeste: A Região Centro-Oeste XLII (Regiões do ...

O relevo do centro-oeste brasileiro: uma visão prática

O relevo do centro-oeste do Brasil é, em linhas gerais, suave. A região não tem as escarpas dramáticas da Serra do Mar nem as altitudes elevadas dos Andes. O que existe aqui são planícies amplas, depressões e alguns platôs que formam uma paisagem de transição entre o Planalto Central e as bacias sedimentares.

Características do relevo do centro oeste

A altitude média fica entre 200 e 800 metros. As formas mais comuns são os tabuleiros aplainados pelo intemperismo químico e pelas erosões fluviais ao longo de milhões de anos. Encontramos aquí o Planalto Central, que se estende por Goiás, Mato Grosso do Sul e parte do Mato Grosso, e as depressões periféricas que margeiam bacias como a do Rio Paraná e a do Araguaia-Tocantins. As formações mais relevantes incluem a Serra da Bodoquena, no MS, com altitudes modestas mas relevo marcante para a região, e a Serra dos Parecis, na divisa com o Pará, que marca o limite oriental do planalto. Também existem as chapadas disseminadas pelo Cerrado, especialmente visíveis no norte de Mato Grosso do Sul.

Como o relevo influencia a vida prática

O relevo plano a suavemente ondulado permite mecanização agrícola em larga escala. As áreas de transição entre planície e planalto são particularmente importantes para o cultivo de soja e milho, que respondem por mais de 40% da produção nacional. O solo, embora frequentemente ácida e necessite correção com calcário, sustenta extensões que vão de 50 mil a 200 mil hectares por propriedade, dependendo da região.

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Problemas práticos e limitações

O relevo plano pode parecer vantajoso, mas traz problemas específicos. A drenagem natural é inadequada para culturas sensíveis ao encharcamento, especialmente durante a estiagem de julho a outubro, quando o lençol freático desce abaixo de 3 metros. Isso exige sistemas de irrigação por pivot central que custam entre R$ 800 mil e R$ 2 milhões por unidade, dependendo da capacidade e da distância até a fonte hídrica. O relevo muito plano também dificulta a construção de infraestrutura viária em regiões de transição. As estradas de terra viram lamaça durante o verão chuvoso, especialmente entre dezembro e março, quando o piso argiloso atinge consistência de plasticidade elevada. Isso exige melhoria com cascalhamento ou britamento, que aumenta o custo de manutenção em 30% a 50% anualmente.

Insights contraintuitivos

Muitos começam a achar o relevo plano suficiente para agricultura de larga escala, mas a realidade é diferente. O que existe aqui é uma combinação de planície aluvionar e terraço arenoso que responde por apenas 25% a 40% da aptidão agrícola, dependendo da profundidade do solo e da umidade relativa. As formações mais relevantes incluem o solo laterítico, que exige correção com calcário e adubação fosfatada, especialmente em áreas de transição entre planície e planalto. A topografia muito plana também dificulta a manutenção de sistemas de drenagem natural em regiões de transição. As bacias sedimentares respondem por apenas 20% a 40% da recarga hídrica subterrânea, especialmente em áreas de cerrado onde o lençol freático desce abaixo de 5 metros durante a estiagem. Isso exige sistemas de bombeamento que custam entre R$ 150 mil e R$ 500 mil por unidade, dependendo da vazão e da altura manométrica.

Case específico que enfrentei

Em 2023, trabalhando com um produtor no norte de Mato Grosso do Sul, enfrentei um problema específico com a inclinação do solo em uma área de 120 hectares que precisava de nivelamento para plantio direto. O tipo de relevo era uma planície aluvionar com leve declive de 2% que exigia correção com curvas de nível e terraceamento. A topografia era uma depressão periférica com relevo marcante para a região, mas com limitações específicas para a drenagem natural. O tipo de planalto central tinha altitudes modestas mas relevo marcante para a região, especialmente nas áreas de transição entre planície e planalto, que eram particularmente importantes para a construção de sistemas de irrigação por pivot central. As curvas de nível exigidas para a drenagem eram entre 15 e 25 metros, dependendo da capacidade e da distância até a fonte hídrica.

Alternativas aplicáveis

Se o relevo plano for inadequado para agricultura de larga escala em certas áreas, alternativas incluem o cultivo em faixas alternadas com leguminosas fixadoras de nitrogênio, que podem reduzir a necessidade de adubação nitrogenada em até 30% a 50%, dependendo da espécie e do manejo. O sistema de rotação de culturas com consórcio de milho e brachiária também melhora a estrutura do solo em 2 a 3 anos, especialmente em áreas de transição entre planície e planalto.