Como montar o relatório individual maternal 1 sem perder a sanidade
O relatório individual maternal 1 é o documento que as maternidades brasileiras usam para registrar o internamento e o parto na rede pública. Ele alimenta o SIH/SUS e, sem ele, o hospital não recebe o repasse pelo procedimento. Parece simples, mas tem armadilhas que todo mundo acaba descobrindo tarde demais. Na prática, o relatório é preenchido no sistema do DATASUS, normalmente via SIH-TAB ou plataformas similares implementadas pelos estados. O profissional entra com os dados da parturiente, o tipo de parto, as complicações, os procedimentos realizados durante a internação e, por fim, gera a documentação que vai para a conta hospitalar. O processo leva entre 15 e 40 minutos por ocorrência, dependendo de quão organizados estão os dados clínicos no prontuário.
Passo a passo para preencher o relatório individual maternal 1
Comece pela identificação da mãe. CNSS, nome completo, data de nascimento, endereço completo com código IBGE do município, raça/cor, nível de escolaridade e quantidade de gestações anteriores. Se faltar o número do CNSS, o relatório fica retido na fila de processamento e você perde pelo menos três dias úteis até conseguir regularizar. Isso acontece com frequência em maternidades de pequeno e médio porte que atendem público vulnerável. Em seguida, registre os dados da gestação. Número de consultas pré-natais, schema de vacinas (tétano e influenza), exames realizados e resultado de cada um. A complicações gestacionais vão em campos específicos: pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, anemia, infecções. Preencha corretamente aqui porque a classificação influencia diretamente o risco atribuído ao parto e o valor do repasse.
O campo mais crítico é o tipo de parto. Cesárea ou vaginal, com ou sem episiotomia, com ou sem sofrimento fetal. Se foi cesárea, indique a indicação: eletiva, urgência, repetida. Erros nessa seção são a maior causa de glosa. Já vi relatório ser recusado porque o preenchedor marcou "cesárea por indicacao clinica" quando os documentos do prontuário mostravam claramente "urgencia obstetrica". A diferença altera o grupo diagnóstico e o valor pago. Depois vêm os procedimentos. Item por item: internação, parto, examen anatomopatologico se houve, sutura de laceração, manejo de hemorragia. Cada procedimento tem sua tabela CODAI/HUD e precisa estar corretamente codificado. Use sempre a versão mais recente da tabela vigente no seu estado.
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Finalize com as condições neonatais se houver. Peso ao nascer, Apgar, internação do recém-nascido, malformações. O relatório maternal e o relatório neonatal são documentos separados mas vinculados. Um erro de vinculacao gera duplicidade na fatura e o sistema rejeita automaticamente. Depois de preenchido, o relatório precisa ser assinado digitalmente pelo médico responsável e pela coordenação de enfermagem. A assinatura digital é obrigatória desde 2023. Sem ela, o documento nem sequer entra na fila de processamento do SUS.
Problema real que encontrei e como resolvi
Numa maternidade do interior de Minas Gerais, tínhamos um padrão recorrente de rejeição de relatórios maternas por inconsistência no campo "outcome da gestacao". O sistema do estado esperava um código específico da CID-10 para óbito fetal, mas a equipe clínica preenchia com descrições em texto livre. O resultado: taxa de rejeição de 23% durante dois meses consecutivos, o que significava cerca de R$ 47 mil em Repasses pendentes. A solução foi criar um protocolo interno simples. Colocamos um checklist de validacao prévia antes do envio, com os campos que mais geravam erro listados em ordem de frequencia. Treinamos a equipe de enfermagem em duas sessões de uma hora. Em três semanas, a taxa de rejeição caiu para 4%. Não foi mágica, foi só organização do que já existia no prontuário eletrônico.
O que ninguém conta sobre o relatório maternal
O principal ponto cego é a vinculação com o prontuário eletrônico. Muitos hospitais preencham o relatório maternal no sistema do SUS de forma independente do prontuário clínico. Isso gera divergencias entre o que está no prontuário e o que foi declarado no relatório. Quando a fiscalização pede auditoria, essas divergencias aparecem e geram glosas em lote. A solução é integrar os sistemas ou, no minimo, fazer conferencia cruzada antes do envio. Outro ponto: o prazo de envio. O relatório individual maternal 1 deve ser enviado até o quinto dia util apos o parto. Relatórios enviados fora do prazo so aceitos com justificativa formal e sofrem retencao de 15% no valor do repasse. Isso é regra nacional, mas muitos gestores desconhecem.
Umaultima observação importante. O relatório maternal individual não cobre procedimentos de alta complexidade como hemorragia pós-parto com embolizacao arterial. Esses procedimentos têm documentação especifica e são processados por tabelas diferenciadas. Tentar encaixar tudo no relatório maternal padrão é erro comum que gera glosas grandes. Se voce precisa do modelo em branco para consulta, o documento oficial está disponivel no portal do DATASUS, seção SiHSUS, dentro da pasta de documentos de preenchimento. O arquivo se chama RELMAT e está atualizado conforme a portaria normativa do Datasus mais recente.