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Pré-autorização e captura: o que todo integrador precisa saber na prática

Quem trabalha com integração de pagamentos no Brasil já se deparou com transações que ficam presas no limbo entre a pré-autorização e a captura. O problema é mais comum do que parece, e a documentação dos adquirentes raramente explica o que acontece nos bastidores. Vou tentar deixar claro como isso funciona de verdade, com base no que vejo nos logs e nos erros que aparecem todo dia.

questões sobre pa e pg

PA é pré-autorização. PG, no contexto que importa aqui, é a captura propriamente dita — o momento em que o valor autorizado vira cobrança efetiva. O fluxo básico é simples: você solicita uma pré-autorização no totem ou gateway, o cartão tem sua reserva bloqueada, e depois você decide se captura, cancela ou parcialmente reduz o valor. O que a maioria dos desenvolvedores não percebe na primeira hora é que esses dois passos não são atômicos entre si. Eles dependem de janelas de tempo, de configurações da bandeira, e de decisões humanas que não estão no código. Um detalhe que causa dor de cabeça constante: a pré-autorização tem validade. Cada adquirente e cada bandeira define um prazo, que normalmente varia entre 7 e 30 dias. Se você não capturar dentro dessa janela, a autorização expira automaticamente e o valor volta para o disponibilizado pelo cliente. Parece óbvio, mas já vi sistema que deixava autorizações antigas acumulando nos registros sem nenhum controle, só para descobrir semanas depois que o dinheiro nunca foi capturado.

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O outro ponto cego é a diferença entre cancelamento e reversão. Cancelar uma pré-autorização é simples — você informa o código de retorno e o bloqueio é liberado. Reverter uma captura, por outro lado, depende totalmente da política da bandeira e do adquirente. Algumas permitem estorno total e parcial, outras só aceitam estorno total dentro de uma janela curta. E existem casos em que o estorno parcial é possível, mas o valor residual fica travado até que o processo de conciliação finalize. Uma situação real que enfrentei: um cliente de hotelaria tinha um fluxo onde a pré-autorização era feita no check-in e a captura no check-out. O problema era que o sistema enviava a captura com 10% a mais do que o autorizado, argumentando que gostaria de cobrir despesas extras do quarto. O adquirente recusava a captura porque o valor excedia o limite autorizado em mais de 15%. A solução não estava no código, mas na configuração do painel — enablei a opção de captura com margem de folga (tip-allowed adjustment), que permite capturar até um percentual acima do autorizado sem rejeição. Esse ajuste está presente em quase todos os grandes adquirentes brasileiros, mas rara vez aparece na documentação padrão. Fui consultar o suporte da Wilkes direto no chat após três dias de tentativas falhas com erros 05 e 51.

Outro insight que não está em nenhum tutorial: a ordem das operações importa mais do que o esperado. Se você tentar capturar antes que a autorização seja confirmada com status settled, a transação cai como inválida. O recomendado é fazer polling ou usar webhooks para monitorar o status da autorização antes de disparar a captura. Alguns gateway oferecem callback síncrono, mas a maioria exige que você implemente um mecanismo de retry com backoff exponencial. Há ainda a questão da conciliação. Pré-autorizações e capturas geram registros separados no extrato do estabelecimento. Quando tudo funciona bem, a conciliação automática cruza os IDs e fecha o ciclo. Quando há falhas — e elas acontecem —, o responsável pelo financeiro acaba tendo que ajustar manualmente linhas que nunca foram capturadas ou que foram capturadas com valores incorretos. Implementei uma rotina simples de log que compara o hash da autorização com o da captura a cada 30 minutos, e gera alertas quando há divergência. Reduziu em cerca de 80% o tempo de conciliação da equipe de suporte.

Se você está começando agora, comece testando em sandbox com valores baixos e varie os cenários: capture antes do prazo, capture com valor diferente, tente cancelar uma captura já efetivada. O erro mais barato é aquele que você descobre na homologação, não no ar.