Quem Inventou O Skate - O Blog do JF: Quem inventou o skate?
O Blog do JF: Quem inventou o skate?

A história real do skateboard

O skate como conhecemos não surgiu de uma única pessoa. Nasceu de surfistas da Califórnia nos anos 1940 e 1950 que ficaram presos em terra firme durante meses de mar calmo e resolveram copiar a sensação de deslizar sobre a água com o que tinham pela mão. Placas de madeira, rodízios de patins, parafusos. Foi isso.

Quem inventou o skate, afinal?

Não tem um nome só. O que existe são vários nomes colados numa linha do tempo desordenada. Ray "Buddy" Moreno é um dos primeiros citados — ele inventou o Surf-SkatEmboard em 1937, basicamente uma tábua de madeira com rodinhas de metal. Depois teve o Turntables Skate de 1946, desenvolvido por uma empresa chamada Turner Manufacturing, também na Califórnia. Mas foi nos anos 1950 que as coisas ganharam forma. Em 1959, o Surfer's SketchBook documentou o primeiro desenho patenteado de um "skate board" por Frank Nasworthy. Ele não inventou o skate, mas inventou algo muito mais importante: a roda de poliuretano. Antes disso, as rodas eram de metal ou borracha dura. Escorregavam. Viciavam em curvas. Acabavam quebrando depois de uma semana. A roda de poliuretano mudou tudo. Foi essa inventção que permitiu o skate moderno como prática esportiva.

Também vale mencionarLarry Stevenson, que fundou a KMS (Kustom Skates) em 1963, e os irmãos Nelson, que criaram a Hansen Native Kustom Wheels. E claro, o Zephyr Team, o elenco de Venice Beach que depois virou os Dogtown Boys, com figuras como Tony Alva, Jay Adams e Stacy Peralta. Eles não inventaram o skate, mas inventaram o estilo de skate que dominou o imaginário mundial. Então quem inventou o skate? Ninguém sozinho. Foi um processo coletivo de surfistas abandonando praias e começando a arrastar tábuas por asfalto.

Como o skate evoluiu na prática

Os primeiros skates, os "kickboards", eram basicamente tábuas retangulares sem trucks. Você empurrava com o pé e pronto. Nada de manobras. Nada de truques. Só deslizar. Isso mudou radicalmente nos anos 1970, quando os skatistas começaram a explorar piscinas abandonadas vazias — as chamadas "pool sessions". Foram ali que surgiram o air, o grind, o flip. O skate deixou de ser apenas transporte sobre quatro rodas e virou algo totalmente diferente. O que muita gente não sabe é que o skate street, aquele que domina hoje, surgiu quase por acaso. Nos anos 1970, skatistas de rua acharam que os degraus e corrimãos das cidades eram tão bons quanto as piscinas vazias. Era perigoso. Era ilegal. Era eficiente. E funcionou.

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Se você está começando agora e quer entender o básico, aqui vai um resumo direto: Primeiro, compre um deck de boa qualidade. Não tente economizar no princípio. Um deck barato de supermercado é frágil, a madeira tem bolhas e rachaduras internas que você só percebe quando quebra — e isso pode acontecer no segundo dia. Um deck decente de uma marca confiável dura de três a seis meses com uso regular, dependendo do peso e estilo do skatista.

Segundo, monte o setup completo. Trucks, rodas, rolamentos. Não use o que vem pronto numa loja de departamento. Um setup básico de entrada custa entre 300 e 600 reais no Brasil, dependendo das marcas. Rodas mais duras (99A+) são melhores para rua. Rodas mais macias (78A-87A) são para park e pipe. Se você mistura os dois, escolha 90A-95A como terreno razoável. Terceiro, aprenda a colocar o pé certo antes de tentar qualquer manobra. O stance — se seu pé dominante é à frente (goofy) ou atrás (regular) — define todo o resto. Não adianta forçar o lado errado e achar que é falta de talento. A maioria dos iniciantes leva duas semanas até descobrir isso. Observe qual pé você usa para chutar uma bola. Esse é o pé da frente no skate regular.

Um detalhe prático que poucos mencionam: a altura dos trucks. Se você pesa menos de 60kg, trucks mais baixos dão mais estabilidade. Se pesa mais de 80kg, trucks mais altos evitam que as rodas toquem a base do truck durante curvas fechadas, o que trava o movimento e causa queda. Eu já tive esse problema em 2018, num skate de travessão em São Paulo. Troquei os trucks por uma versão mais alta e o problema sumiu. Simples assim.

O que esquecem de ensinar

O skipode não serve para nada além de deslizar e cair de frente. As primeiras manobras que valem a pena aprender são o ollie e o shove-it. Tudo o que viene depois é variação dessas duas. Se você pula sem dominar o ollie, está apenas tentando ter sorte. A diferença entre um skatista que progride e um que trava é pura e simplesmente a consistência do ollie. Outro ponto cego: a importância dos rolamentos. A maioria dos iniciantes ignora isso e usa os que vêm embutidos no setup. Rolamentos limpos e lubrificados reduzem o atrito das rodas em até 30%. A diferença na aceleração e na capacidade de manter velocidade é real e mensurável. Limpe seus rolamentos a cada dois meses se skatear em rua. Use um spray de limpeza específico e seque bem antes de recolocar. Não use WD-40 — isso destrói rolamentos em poucas semanas.

Se o seu objetivo é competir, saiba que o skate street profissional exige domínio de ao menos 15 truques consistentes: ollie, kickflip, heelflip, 180, 360, shove-it pop, varial kickflip, nollie, fakie, 50-50 grind, nosegrind, boardslide, tailslide, frontside 5-0, backside 5-0. Sem essa base, você não compete em nível sério. Para terminar de explicar quem inventou o skate de forma direta: foi um grupo de surfistas californianos que resolveram continuar andando mesmo sem ondas. Ninguém patentouou o skate como um todo. O que existiu foram patentes de peças específicas — rodas, trucks, adesivos, decks. A cultura cresceu sozinha, das praias para as ruas, e nunca parou.