Quem Foi O Criador Do Judô - Quem Foi O Criador Do Judo - BINKEDU
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O homem por trás do judô

Jigoro Kano criou o judô em 1882, na cidade de Tóquio. Ele tinha 22 anos na época. Antes disso, estudou várias escolas de jiu-jitsu japonês, principalmente Tenjin Shinyo-ryu e Kitō-ryu, que eram estilos de combate corpo a corpo usados por samurais e guerreiros. O que ele fez foi pegar o que funcionava dessas tradições e transformar algo que tivesse um propósito educacional e filosófico, não apenas marcial. O nome "judô" significa literalmente "caminho da suavidade" em japonês, e essa ideia de usar a força do adversário contra ele mesmo veio direto dessas escolas antigas que ele analisou criticamente.

quem foi o criador do judô

Kano fundou o Kodokan, que era tanto a escola quanto o instituto de pesquisa por trás do judô. O primeiro dojo ficava no templo de Eishi-ji, em Tóquio, e começava com apenas doze estudantes. Hoje o judô é prática olímpica e tem milhões de praticantes no mundo inteiro, mas quando Kano começou, a ideia parecia radical para muitos. Ele queria um sistema de educação física e moral, não apenas mais uma arte marcial de golpe após golpe. Um detalhe que muita gente não leva a sério é a parte pedagógica. Kano organizou as técnicas em categorias como nage-waza (projeções), katame-waza (imobilizações e submissions) e atemi-waza (golpes de impacto, embora estes sejam raros no judô competitivo moderno). Ele também criou o sistema de faixas coloridas, que depois foi copiado por praticamente todas as artes marciais do mundo. Antes disso, não existia nada parecido com essa progressão visual de nível.

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Quando eu comecei a estudar a história do judô há alguns anos, fiquei confuso com uma coisa: a maioria dos manuais ocidentais trata o judô como se fosse puro grappling de quedas, mas o currículo original do Kodokan inclui muitas técnicas que caíram em desuso. Li um documento antigo do Kodokan em japonês que listava 64 técnicas de nage-waza, e eu contei quantas aparecem em competições modernas de judô. Menos da metade. A maioria das outras só aparece em kata ou em treinos muito específicos que raramente saem do tatame institucional. Outra coisa que vejo todo mundo errando: associar o judô apenas ao sistema de pontuação competitivo. Kano projetou o judô para ser completo, com defesa pessoal, condição física e desenvolvimento mental. O aspecto esportivo veio depois, e ganhou tanta força que acabou engolindo boa parte da tradição. Se você treina judô hoje e só sabe competição, basicamente está vendo uma fração do que ele propôs originalmente. Não que competição seja ruim, mas é importante saber o que está faltando.

Kano também passou os últimos anos da vida viajando pela Europa, tentando expandir o judô fora do Japão e convencendo governantes a adotar o programa nas escolas. Ele faleceu em 1938, num navio a caminho da África do Sul, onde pretendia participar de uma conferência sobre educação física. Dezenove anos antes disso, o judô já tinha entrado no sistema escolar japonês, o que mostra que a velocidade de disseminação dele foi surpreendente para a época. O legado dele vai além do tatame. O princípio de "máxima eficiência, mínimo esforço" que ele cunhou se tornou uma filosofia aplicada em áreas totalmente diferentes de artes marciais, desde engenharia até gestão de empresas no Japão. As pessoas falam muito sobre a parte marcial, mas a parte conceitual do trabalho dele tem alcance bem maior do que a maioria imagina.

Se você quer estudar o judô de verdade, a biografia do Kano escrita pelo seu próprio estudante, Geji Inoue, é um ponto de partida decente, mas tem limitações porque foi escrita com muito respeito, quase como um texto devocional. Um material mais crítico e técnico está disponível em artigos acadêmicos sobre a evolução das técnicas no Kodokan durante as primeiras décadas do século XX. A diferença entre o judô que Kano ensinava em 1890 e o que vemos nos campeonatos hoje é enorme, e entender esse caminho ajuda a não tratar a prática atual como se fosse intocável.