O que você provavelmente quer saber
A Encyclopédie, ou Encyclopédie, ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, foi organizada por Denis Diderot como editor-chefe e Jean le Rond d'Alembert como coeditor até 1759. A obra saiu de 1751 a 1772 em dezessete volumes, sendo onze de texto e seis de pranchas ilustradas.
Quem criou a enciclopédia
Diderot ficou responsável pelo projeto inteiro depois que d'Alembert saiu, em pleno meio da publicação. Ele era matemático e filósofo, um cara que tinha sido abandonado pelo pai e criado pelos padres jansenistas, mas mesmo assim se tornou um dos mentores do Iluminismo francês. O volume XI, o suplemento de d'Alembert, foi publicado postumamente em 1780, três anos depois de ele morrer. O projeto original não era nada modesto. Eles queriam sistematizar todo o conhecimento humano, separando o que era ciência pura do que era arte mecânica, e isso gerou uma polêmica enorme na época. A Igreja católica colocou a obra no Índice de Livros Proibidos em 1759, e o parlamento de Paris proibiu a continuação. Diderot recebeu ameaças de prisão várias vezes e teve que lidar com censores em cada volume que saía.
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Existem cerca de setenta colaboradores conhecidos, incluindo Voltaire, Montesquieu e Rousseau, embora Rousseau tenha renunciado depois de um tempo por discordar do projeto. Os artigos sobre música, por exemplo, foram majoritariamente escritos por Jean-Jacques Rousseau antes da ruptura. Os textos técnicos e artesanais vieram de artesãos e engenheiros que contribuíram anonimamente, porque muitas vezes era perigoso ter nome associado a ideias que desafiavam a autoridade estabelecida. Um detalhe que as pessoas normalmente não consideram: as pranchas ilustradas foram gravadas por diversos artistas e gravadores, sendo que Charles-Nicolas Cochin superviseou boa parte do trabalho gráfico. Isso significava que cada página precisava ser aprovada tanto pela banca real quanto pelos editores comerciais, o que atrasava a publicação de forma imprevisível. Eu já tentei consultar edições fac-símile em bibliotecas universitárias e o problema é que as numerações das pranchas variam conforme a edição, então você perde tempo buscando referências que não batem.
A edição de referencia atual é a da Presses Universitaires de France, iniciada nos anos 1960 e ainda em andamento. O projeto continuou por décadas só para digitalizar e criticalizar o texto integral. Existe também a versão online no site do Centro d'Étude de la Période Moderne e da Universidade de Chicago, que permite buscas cruzadas entre os volumes. O que muitas pessoas não percebem é que a Encyclopédie não foi a primeira enciclopédia do mundo. Houve tentativas anteriores, como a de Chambers em 1728, e a de Andreas Gabriel Bodenheimer na Alemanha, mas a francesa foi a que maisimpacto teve historicamente porque combinava conteúdo técnico com uma visão de mundo iluminista. A abordagem deles de tratar ofícios manuais com o mesmo nível de respeito que as ciências abstratas era radical para a época.
Os custos de produção eram altíssimos. Um exemplar completo podia custar o equivalente a meses de salário de um trabalhador qualificado. A maioria dos volumes chegou a ser apreendida pelas autoridades e os exemplares que sobreviveram são hoje peças de museu ou bibliotecas especializadas. Versões piratas circulavam pela Europa, especialmente na Holanda, onde a censura era mais branda. Diderot, pessoalmente, não viu os frutos completos do projeto. Ele viveu até 1784, mas perdeu muito tempo preso em 1749 por escrever uma carta criticando a religião estabelecida, e ainda foi monitorado pelo regime durante grande parte de sua vida adulta. Apesar disso, conseguiu publicar os dezassete volumes e ainda escreveu seu próprio Dicionário Filosófico em paralelo.