Quem Colonizou A China - Como a ESPANHA QUASE COLONIZOU a CHINA? - YouTube
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O mito da colonização completa da China

A pergunta quem colonizou a china é mais complicada do que parece porque a resposta curta é: ninguém colonizou a China no sentido tradicional do termo. O país nunca foi uma colônia única administrada por uma potência estrangeira como a Índia foi pela Grã-Bretanha ou a Nigéria pela mesma. Isso gera confusão na maioria dos livros didáticos e nas discussões de fórum porque as pessoas esperam um nome, uma bandeira e uma data de independência. Não existe esse padrão aqui. O que aconteceu entre meados do século XIX e meados do século XX foi um sistema de esferas de influência e concessões territoriais. As potências europeias, junto com o Japão e os Estados Unidos,forçaram o governo Qing a assinar uma série de tratados desiguais após as Guerras do Ópio e outras conflitos militares. Através desses tratados, potências estrangeiras obtiveram direitos comerciais exclusivos em certas regiões e controle sobre zonas portuárias específicas dentro das fronteiras chinesas.

Quem colonizou a china: as potências e suas áreas de influência

A Grã-Bretanha controlava a maior esfera de influência, concentrada no vale do Yangtzé e em Hong Kong, que foi cedida em 1842 pelo Tratado de Nanjing e amplamente expandida depois. Portugal já tinha Macau desde o século XVI de forma relativamente pacífica, através de acordos de arrendamento que ganharam peso durante o período dos tratados desiguais. A França tinha influência no sul, especialmente em Guandong e na área ao redor de Guangzhou. A Rússia expandiu-se para o norte e nordeste, conquistando territórios através de tratados terrestres no século XIX. A Alemanha controle a concessão de Jiaozhou Bay a partir de 1898. O Japão ganhou Taiwan e a península de Liaodong em 1895 pelo Tratado de Shimonoseki, embora tenha devolvido Liaodong sob pressão de Rússia, Alemanha e França no que ficou conhecido como a Intervenção de Três Potências. Cada uma dessas potências operava de formas diferentes. Os britânicos eram essencialmente comerciantes com poder militar de apoio. Os portugueses em Macau mantinham uma administração colonial completa, mas funcional. O Japão era o mais agressivo militarmente, especialmente depois de 1931 quando estabeleceu o estado fantoche de Manchukuo no nordeste da China. O Brasil raramente é mencionado nessas discussões porque não teve nenhum papel direto nesse período, o que é um detalhe interessante para quem está estudando a história global colonizadora.

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Uma nuance que poucos notam é que mesmo dentro dessas concessões, a soberania chinesa nunca desapareceu completamente. As administrações estrangeiras precisavam cooperar com autoridades locais chinesas de alguma forma. Havia tribunais mistos, polícia local e uma camada constante de negociação burocrática. Quando pesquisei documentos sobre a concessão francesa de Xangai nos anos 1920, descobri que os funcionários chineses muitas vezes sabotavam sutilmente regulamentos franceses simplesmente retardando a tradução e implementação. Não era resistência armada, era burocracia como arma. Outro ponto que as fontes ocidentais frequentemente omitam é o papel dos Estados Unidos. Apesar de não terem conquistado território, os americanos fizeram parte do chamado "Tratado do Cordeiro", proposto pelo secretário de Estado John Hay em 1899, que buscava garantir acesso comercial igualitário a todas as potências nas esferas de influência estabelecidas. Era uma forma de colonização econômica sem administração territorial direta.

O período de maior pressão imperialista chinesa terminou efectivamente com a Segunda Guerra Sino-Japonesa a partir de 1937, e as concessões foram abolidas formalmente durante a guerra, embora o processo de recuperação territorial continuou só se consolidasse com a vitória chinesa em 1945 e posteriormente com o estabelecimento da República Popular em 1949. Macau só voltou ao controle chinês em 1999 e Hong Kong em 1997, ambos através de acordos negociados, não de guerras de independência convencionais. O problema com essa história é que ela é frequentemente simplificada demais. Dizer que a China foi "colonizada" é impreciso. Dizer que "nunca foi colonizada" também é impreciso. A realidade está num meio-termo desconfortável que exige qualificadores e contextualização constante. Se você estiver escrevendo um trabalho académico ou preparando material didáctico sobre o tema, o mais honesto é apresentar o sistema de concessões e esferas de influência como uma forma distinta de dominação estrangeira, diferente tanto da colonização de povoamento quanto da administração colonial directa.

Isso explica também por que o nacionalismo chinês moderno tem essa característica particular: não nasceu de uma guerra de libertação colonial clássica, mas de um sentimento de humilhação nacional frente a múltiplos opressores simultâneos. É uma diferença psicológica e política que ressoa até hoje nas relações da China com o Ocidente.