Quando Usar Deste Ou Desse - Desse ou deste: quando usar, diferença
Desse ou deste: quando usar, diferença

A diferença prática entre deste e desse

Muita gente travada nessa dúvida porque os livros didáticos explicam de forma muito abstrata. Eu passei anos corrigindo textos de alunos e até hoje vejo o mesmo erro: alguém escreve "o carro daquele homem" usando "daquele" quando o significado real era outro completamente. O problema não é a regra em si, é que ela sozinha não mostra o cenário concreto. Vou ser direto. Desto e desse são contrações da preposição de com os pronomes demonstrativos este e esse. A diferença básica é de proximidade: "deste" indica algo próximo de quem fala, "desse" indica algo próximo de quem ouve ou algo que já foi mencionado antes no discurso. Parece simples, mas na prática isso varia conforme o contexto.

Quando usar deste ou desse

Na minha experiência, a coisa mais útil é pensar na situação real de comunicação. Se você está segurando um objeto e quer se referir a ele, usa "deste". Se o outro pessoa está segurando algo ou se você está apontando para algo que está do lado dela, usa "desse". Não existe segredo, é uma questão de posicionamento físico e discursivo. Eis um exemplo concreto que eu enfrentei recently. Um aluno meu escreveu: "Gostaria de saber a origem deste livro que você me emprestou". Isso estava errado porque "este" indica proximidade com quem fala, mas o livro estava fisicamente com o ouvinte. O correto seria: "Gostaria de saber a origem desse livro que você me emprestou". Ele errou porque associou "deste" à ideia de "deste momento", mas o pronome se refere ao objeto, não ao tempo.

Outro erro comum é confundir com "daquele". "Daquele" se refere a algo distante de ambos, enquanto "desse" pode ser usado tanto para algo próximo do ouvinte quanto para algo que já foi mencionado. Por exemplo: "Não gosto desse filme que você recomenda" (filme já mencionado ou algo do lado do interlocutor) versus "Não gosto daquele filme que vi na TV ontem" (algo mais distante, fora do foco imediato). Existe ainda uma nuance importante: quando o pronome demonstrativo funciona como adjunto adnominal, a regra é a mesma, mas a estrutura fica mais confusa. "A capa deste caderno está rasgada" versus "A capa desse caderno está rasgada". A diferença está em qual caderno se está falando — o que está perto de quem fala ou o que está perto de quem ouve.

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Um insight que poucos ensinam: em português brasileiro, especialmente na fala cotidiana, a distinção entre "deste" e "desse" tende a se perder. Muitas pessoas usam "desse" para tudo, independentemente da proximidade. Isso não está errado do ponto de vista descritivo — a língua evolui — mas em contextos formais, como redações concorrentes ou textos acadêmicos, a distinção ainda é cobrada. Também vale notar que "deste" e "desse" podem se referir a tempo, não apenas a espaço. "Nesta semana" significa a semana em que estamos (perto de quem fala), "naquela semana" seria uma semana passada e distante. Já "desse dia" pode se referir a um dia que foi mencionado anteriormente, mesmo que esteja longe no tempo.

Um erro muito comum em redações é usar "deste" quando o sentido correto seria "desse" porque o falante está se refugiando na ideia de "deste momento" em vez de analisar a posição real do referente. Se você estiver produzindo um texto formal, a recomendação é sempre pausar e perguntar: quem está mais perto do objeto? Se sou eu, uso "deste". Se for o leitor ou se o objeto já foi citado, uso "desse". Outra armadilha: em estruturas como "o primeiro deste mês", o "deste" está correto porque se refere ao mês em curso, próximo de quem fala. Mas em "o último desse tipo", o "desse" está correto porque se refere a algo já categorizado ou mencionado anteriormente, não necessariamente próximo fisicamente.

Se você quiser praticar, a melhor exercício é pegar frases do cotidiano e tentar identificar qual pronome seria o mais adequado. Leia textos jornalísticos e note como os autores usam essas formas. Perceberá que muitos jornais conservadores mantêm a distinção, enquanto outros já a abandonaram. Limitações dessa abordagem: em regiões do Brasil onde o uso de pronomes demonstrativos varia muito, como no Norte e Nordeste, as regras tradicionais nem sempre se aplicam da mesma forma. Em Portugal, por sua vez, há diferenças sutis na preferência por certas formas. Se você vai escrever para um público específico, considere adaptações regionais.

Para quem precisa de uma solução rápida, a única certeza é: em dúvida entre "deste" e "desse", prefira "desse" se o contexto for ambíguo. É a forma mais segura e menos propensa a erros em situações onde a proximidade física não está clara. Mas para dominar de verdade, a prática constante com textos reais é insubstituível. Se quiser mais exemplos, posso montar uma lista com 20 frases para treinar. A ideia é que você identifique, em cada uma, se o referente está mais perto do falante ou do ouvinte, ou se já foi mencionado antes. Com o tempo, a escolha torna-se automática.