Quando Começou O Carnaval No Rio De Janeiro - Como é o carnaval no Rio de Janeiro?
Como é o carnaval no Rio de Janeiro?

As origens do carnaval carioca

O carnaval no Rio de Janeiro não tem uma data de nascimento única e definida. Ele foi se formando ao longo de séculos, misturando tradições europeias com manifestações culturais africanas e populares. Quando alguém pergunta quando começou o carnaval no rio de janeiro, a resposta depende do que se considera "carnaval" — se os desfiles organizados, os blocos de rua, ou as primeiras celebrações registradas. Os primeiros registros de festas carnavalescas no Rio datam de 1723, quando se registra a presença de entrudos — brincadeiras populares de origine portuguesa que envolviam jogar água e farinha nas ruas. Mas isso era mais uma folia de rua do que o carnaval estruturado que conhecemos hoje.

quando começou o carnaval no rio de janeiro

Se formos falar de algo mais próximo do carnaval moderno, o marco importante é 1840, quando surgiram os primeiros cordões e ranchos carnavalescos. Eram grupos populares que desfilavam pelas ruas com máscaras, fantasias e músicas. O primeiro grande baile carnavalesco oficial aconteceu em 1755, no Teatro de São João, mas estava mais para um evento aristocrático do que para a celebração popular. A introdução do batuque e dos ritmos de origem africana foi fundamental para transformar o carnaval carioca. Nos anos 1910 e 1920, os sambas começam a ecoar nos morros e o carnaval ganha seu timbre próprio. A escola de samba Deodoro, fundada em 1928, é considerada a primeira escola de samba da cidade, marcando o início do desfile organizado como conhecemos.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

O Sambódromo, o palco oficial dos desfiles das escolas de samba, só foi inaugurado em 1984. Antes disso, os desfiles aconteciam na Praça Onze e depois na Avenida Brazil. A transição para o Sambódromo foi feita pelo então prefeito Colinski, com o objetivo de organizar melhor os desfiles e atrafor mais turistas. Um detalhe que pouca gente sabe: o carnaval de rua, aquele com blocos e fantasias simples, praticamente sumiu do centro do Rio entre as décadas de 1960 e 1980. A repressão policial e a remoção dos populations tradicionais daquela área praticamente acabaram com a tradição. Foi apenas nos anos 2000 que os blocos de rua voltaram com força, especialmente a partir de 2007, com a legalização e organização dos primeiros grandes blocos como o "Caju pra Lá" e o "Sargento Pimentel".

Outro ponto que causa confusão: muitas pessoas acreditam que o carnaval carioca começou com oGRES Acadêmicos daPortela ou com a Mangueira. Na verdade, a Portela foi fundada em 1982 como sucessora do "Os Dinossauros", e a Mangueira em 1928 também. Existem escolas mais antigas, como a Deodoro, mas o reconhecimento oficial e a estruturação dos desfiles levaram décadas para se consolidar. O que eu vejo na prática, trabalhando com produção cultural na cidade, é que o carnaval do Rio é muito mais complexo do que parece. Os desfiles oficiais são apenas a ponta do iceberg. Existem centenas de blocos de rua, ranchos, baterias de escola de samba não-enquadras e trios elétricos que funcionam de forma totalmente paralela ao sistema oficial. O custo para montar um carro alegórico de porte médio pode passar de R$500 mil, e uma escola de samba de elite gasta facilmente mais de R$10 milhões por temporada — dinheiro que vem de patrocínios, venda de alas e receitas próprias.

Uma Armadilha comum é achar que o carnaval só acontece durante a Quaresma. No Rio, as preparações das escolas de samba começam praticamente o ano inteiro. Os ensaios das comunidades começam já no outono, as fantasias são encomendadas com meses de antecedência, e os carroceiros começam a construir os carros alegóricos já nos primeiros meses do ano. Um carro alegórico leva em média três a seis meses para ficar pronto, dependendo do tamanho e complexidade. Se você está planejando visitar o carnaval ou produzir algum projeto durante o período, o ideal é entender que existem várias camadas de celebração. O desfile das escolas de samba no Sambódromo é apenas uma delas — e provavelmente a mais cara e burocratizada. Os blocos de rua são mais acessíveis, mais autênticos e muitas vezes mais divertidos. Mas eles também têm suas regras: alguns exigem compra antecipada de camarotes, outros são totalmente gratuitos, e alguns têm número limitado de participantes por questões de segurança.