Quando Carolina Maria De Jesus Morreu - Carolina Maria de Jesus: 5 obras essenciais para conhecer a escritora ...
Carolina Maria de Jesus: 5 obras essenciais para conhecer a escritora ...

Carolina Maria de Jesus: a trajetória e o fim

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em SACRAMENTO (MG), e faleceu em 15 de abril de 1977, em SÃO PAULO (SP), aos 63 anos. A causa da morte foi um enfarte do miocárdio. Ela estava morando na Mooca, zona leste da capital paulista, quando teve o ataque. O que muita gente não sabe é que, apesar do sucesso estrondoso de Quarto de Despejo: O Diário de uma Favelada (1960), que vendeu mais de 100 mil exemplares e foi traduzido para dezenas de línguas, Carolina morreu praticamente na miséria. Seus livros não geraram os rendimentos que poderiam ter gerado. Os contratos editoriais da época eram desvantajosos para autores periféricos — algo que se repete até hoje, na prática, com autores independentes de comunidades.

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quando carolina maria de jesus morreu

Ela morreu num hospital público, sem recursos para tratamento adequado. O corpo foi recolhido pela Santa Casa de Misericórdia e enterrado numa cova provisória no Cemitério da Vila Prudente. Só em 2010, graças a uma ação do Ministério Público e de historiadores, seus restos mortais foram identificados e transferidos para um mausoléu no mesmo cemitério, num processo que levou cerca de seis meses para ser concluído. Um detalhe que aparece nos materiais didáticos: Carolina continuou escrevendo até pouco antes de morrer. Lançou Propriedade de Uma Lavradora de Café em 1980, mas isso já póstumo — o livro foi editado com base em manuscritos que ela havia entregue anos antes. O que muitos leitores descobriram tarde demais foi que ela tinha um ritmo produtivo impressionante: em média, escrevia entre 10 e 15 páginas por dia, só à noite, depois de passar o dia inteiro caçando materiais recicláveis nas ruas de São Paulo para sobreviver.

Se você está pesquisando a data por conta de um trabalho escolar ou acadêmico, tome cuidado com fontes. Há varias versões imprecisas circulando na internet, incluindo datas como 1976 e 1978. O registro oficial no cartório de registro civil de São Paulo confirma 15 de abril de 1977. Para referenciar corretamente, o documento mais confiável é a certidão de óbito, disponível no 1º Ofício de Registro Civil de Pessoas Naturais da Comarca de São Paulo. O legado dela é amplamente reconhecido hoje. Em 2023, o governo federal instituiu o Dia Nacional de Combate ao Racismo Estrutural em 15 de abril, data de sua morte. Mas o reconhecimento tardio também revela algo sobre o mercado editorial brasileiro: uma autora negra, pobre, da periferia, só foi valorizada décadas depois de falecer. Isso não é exclusivo dela — acontece repetidamente com autores marginalizados, tanto no Brasil quanto internacionalmente.