Sobre os planetas do Sistema Solar
O assunto parece básico, mas todo mundo erra de uma forma ou de outra quando tenta listar os planetas, especialmente se leva a sério a classificação astronômica. Vou explicar do jeito que funciona na prática.
quais são os planetas
São oito: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Plutão não está na lista porque a União Astronômica Internacional (UAI) decidiu em 2006 que ele não cumpre o terceiro critério para ser considerado planeta: precisa ter limpo a vizinhança orbital dele. Plutão compartilha a região com muitos outros objetos do cinturão de Kuiper, então foi rebaixado para planeta anão junto com Ceres, Éris, Haumea e Makemake. Se você ouvir alguém dizendo "são nove planetas", essa pessoa provavelmente cresceu com material didático anterior a 2006 ou simplesmente não se importou com a mudança. Não é um erro crasso para a vida cotidiana, mas em qualquer contexto técnico gera desconfiança imediata.
Os oito planetas se dividem em dois grupos. Os quatro internos — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte — são rochosos, com superfícies sólidas e atmosferas relativamente finas, ou nenhuma, no caso de Mercúrio. Os quatro externos — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno — são gigantes. Júpiter e Saturno são gigantes gasosos, compostos principalmente de hidrogênio e hélio. Urano e Netuno são gigantes de gelo, com mais água, amônia e metano em sua composição interna, além de hidrogênio e hélio nas camadas externas. Uma coisa que pouca gente menciona é que a fronteira entre os dois grupos não é só tamanho. A linha de congelamento, que fica mais ou menos entre as órbitas de Marte e Júpiter, determina desde quando o Sistema Solar se formou quais materiais podiam se consolidar em cada região. Mais perto do Sol, apenas metais e silicatos resistiam ao calor. Mais longe, voláteis como água e metano também podiam se solidificar, o que permitiu a formação de núcleos grandes o suficiente para atrair atmosferas massivas de hidrogênio e hélio.
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Eu fiz uma consulta séria sobre a delimitação dessas zonas há alguns anos, quando estava construindo uma base de dados orbital. O problema foi que os fontes astronômicos frequentemente misturam dados de massa, raio equatorial e albedo sem especificar as condições de medição. Um exemplo concreto: o raio de Saturno varia cerca de 9 quilômetros entre o poles e o equador por causa do achatamento rotacional. Se você usar o valor polar em vez do equatorial em cálculos de densidade aparente, o resultado sai errado. A solução foi padronizar tudo com o raio equatorial definido pela IAU, que é o padrão para Saturno e Júpiter. Outro detalhe que muita gente esquece: os planetas anões existem em número bem maior do que cinco. Estima-se que o cinturão de Kuiper contenha dezenas de corpos que atendem aos critérios de planeta anão. O problema é que a maioria ainda não foi confirmada observationalmente com a precisão necessária. Então a lista oficial da UAI continua pequena, mas a realidade física é bem mais populosa.
Se o objetivo é apenas memorizar para uma prova escolar, aprenda a sequência com a clássica mnemônica em português: "Meu Vizinho Muito Educado Jardineira Sempre Usa Nelos". Para algo mais robusto, recomendo consultar o site da NASA ou os catálogos do Minor Planet Center, que mantêm dados atualizados sobre órbitas, massas e classificações. Evite listas de blog que não citam fontes, porque esse campo muda frequentemente com novas descobertas e reavaliações. Há ainda a questão dos planetas interestelares, como 2MASS J1119-1137, que flutuam livres no espaço sem orbitar qualquer estrela. Eles não entram na contagem dos planetas do Sistema Solar, mas mostram que o conceito de planeta vai além do nosso sistema. A definição atual da UAI se aplica apenas a corpos que orbitam o Sol, então esses objetos solitários ficam numa área cinzenta que depende de qual definição você adota.
Em resumo, a resposta técnica para quais são os planetas é oito, classificados como quatro rochosos e quatro gigantes, com Plutão e outros corpos ficando na categoria de planetas anões. Qualquer outra contagem exige que você deixe claro qual critério está usando, porque as regras mudaram e continuam sendo ajustadas conforme novas observações chegam.