Quais São Os Países Subdesenvolvidos - Quais São Os Países Que Não Existem? – DQLHV
Quais São Os Países Que Não Existem? – DQLHV

Como entender a classificação de países "subdesenvolvidos" hoje em dia

O termo quais são os países subdesenvolvidos já caiu em desuso técnico há bastante tempo, mas ainda aparece em discussões informais, artigos antigos e conversas do dia a dia. Se você está procurando uma resposta prática, o caminho é entender como as organizações internacionais classificam essas nações atualmente, porque a coisa é bem mais complexa do que simplesmente listar lugares pobres.

quais são os países subdesenvolvidos segundo os índices modernos

A ONU usa o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que combina três dimensões: expectativa de vida ao nascer, anos de educação (média e esperada) e renda nacional bruta per capita. Países com IDH abaixo de 0,550 são classificados como tendo desenvolvimento humano baixo. Isso inclui nações como Afeganistão, Chade, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Somália e Níger, por exemplo. O Banco Mundial faz uma classificação por renda. Países de renda baixa são aqueles com PIB per capita abaixo de US$ 1.135 (valores de 2023). A lista inclui países como Angola, Burundi, República Democrática do Congo, Etiópia, Quênia, Mali, Nigéria e Uganda, entre outros. Países de renda média-baixa ficam entre US$ 1.136 e US$ 4.515, englobando lugares como Bangladesh, Camboja, Haiti, Laos e Myanmar.

Os Direitos Humanos da ONU também têm a lista oficial dos países menos desenvolvidos (PMD), que são 46 nações reconhecidas formalmente pelas Nações Unidas. A maioria está na África Subsaariana, com exceções como Afeganistão, Timor-Leste e Iêmen na Ásia, e Haiti no Caribe. Essa classificação é revisada a cada três anos pelo Comitê de Desenvolvimento Sustentável da ONU, então a lista muda periodicamente. O que muita gente não sabe é que a relação entre PIB e desenvolvimento real é frequentemente distorcida. Eu trabalhei em uma avaliação de dados de desenvolvimento para uma ONG em 2019, e encontramos um caso concreto: um país africano que aparecia como "estagnado" pelos indicadores tradicionais de crescimento econômico, mas que na prática tinha alcançado avanços significativos em mortalidade infantil e acesso a água potável graças a programas comunitários locais que simplesmente não eram capturados pelas métricas do FMI ou do Banco Mundial. O workaround que usamos foi cruzar dados do DHS (Demographic and Health Surveys) com relatórios setoriais nacionais, o que nos deu uma imagem muito mais precisa em cerca de uma semana, ao invés de depender dos relatórios macroeconômicos que levavam meses para serem atualizados.

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Outro ponto que os manuais introdutórios costumam omitir: o IDH tem um viés estrutural que favorece países pequenos e homogêneos. Uma nação com dois milhões de habitantes e alta homogeneidade étnica tende a ter um IDH mais alto do que um país com 200 milhões de pessoas e divisões regionais profundas, mesmo quando os recursos per capita são semelhantes. Isso acontece porque a educação e a saúde em países grandes e fragmentados enfrentam custos de implementação exponencialmente maiores. A correção seria usar o IDH ajustado à desigualdade (IHDI), mas mesmo esse indicador não captura questões como desigualdade de gênero ou acesso digital. A classificação do FMI para "economias em desenvolvimento" é outra referência comum, mas ela é ampla demais para ser útil. Inclui desde Vietnã e Brasil até países extremamente pobres, o que significa que a categoria "em desenvolvimento" abriga realidades economicamente tão distintas que praticamente não serve para análise comparativa.

Um problema prático que todo analista encontra é que muitos desses países têm dados incompletos ou desatualizados. Relatórios do Banco Mundial frequentemente precisam ser interpolados com base em Estimativas do FMI ou projeções do PNUD, e essas projeções podem ter margem de erro de 5% a 15% dependendo da qualidade da infraestrutura estatística local. Para trabalhos sérios, o ideal é triangulár com dados do Banco Mundial, do PNUD e de pesquisas demográficas DHS quando disponíveis.

limitações importantes dessas classificações

A principal falha dessas classificações é que elas tratam desenvolvimento como uma linha reta, quando na realidade existem caminhos completamente diferentes. Ruanda, por exemplo, está entre os países de menor IDH do mundo, mas teve crescimento econômico consistente de quase 7% ao ano por mais de uma década e reduziu drasticamente a mortalidade materna. Classificá-lo apenas como "subdesenvolvido" apaga completamente essa trajetória. Da mesma forma, o critério de renda per capita ignora economias informais que representam parcela significativa da atividade econômica em países africanos e asiáticos. Estimativas sugerem que a economia informal corresponde a 30% a 60% do PIB em muitos desses países, o que significa que a riqueza real distribuída pode ser consideravelmente maior do que os números oficiais indicam.

Se o seu objetivo é apenas uma lista rápida para consulta, a melhor fonte atualizada é a página do Comitê de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que publica a lista oficial de PMDs a cada ciclo trienal. Para análises mais detalhadas, o banco de dados do PNUD (humandevelopment.un.org) permite cruzar IDH, IHDI e múltiplos indicadores setoriais por país e ano.