Quais São Os 21 Orixás - Quais São Os Tipos De Orixá _ Nomes De Orixás – FZPY
Quais São Os Tipos De Orixá _ Nomes De Orixás – FZPY

O que você precisa saber sobre os 21 orixás

A lista dos 21 orixás mais conhecida no Brasil vem da tradição do Candomblé de Ketu, e o número em si não é um consenso absoluto entre as casas. Alguns terreiros trabalham com 16, outros com 18, e na Bahia existe até a corrente que fala em 76 divindades. O que vou listar aqui é o cânone que aparece com mais frequência em livros de referência e na prática religiosa das casas ketu, mas se você for a um candomblé de Angola ou de Jejê, a ordem pode mudar completamente.

quais são os 21 orixás

Segue a lista com as característica principais que importam na prática, não apenas a tradução do nome. Anotacoes abaixo de cada um são coisas que eu vi fazerem errado repetidamente em iniciacao e em pesquisa de campo.

Orixás masculinos

Oxalá – pai de todos os orixás, associado à criacao, paz e branquitude simbolica. Cor: branco. Numero: 8. Ofertas: murrié, mel, cumbucas brancas. Regra pratica: Oxalá nunca recebe sangue. Em qualquer ebó destinado a ele, o sangue é substituido por vinho tinto diluido ou simplesmente nao entra na equacao. Eu vi um babalaô oferecer Galinha preta num ebó de Oxalá e levar bronca feia do dono do terreiro na hora. Xangô – orixá do trovão, justiça e fuego. Cor: vermelho e branco. Numero: 8. Ofertas: jambú, pimenta, cabrito. Nota importante: Xangô é um dos poucos orixás que recebe oferta com elemento fogo direto. Nas sessões de xirê, o toque de Xangô é mais acelerado que o dos outros. Se o atabaque errar o ritmo, a dança muda e todo mundo percebe. Isso é um detalhe técnico que pouco gente menciona em material introdutório.

Oxóssi – senhor das matas, caça e abundancia. Cor: verde. Numero: 3. Ofertas: inhame, mel, milho verde. Oxóssi quase nunca e' iniciado com galinha. O animal tradicional é o bode, mas em varias casas de Sao Paulo substituim por galinha devido a disponibilidade e custo. Isso gera discuscao interna nas linhagens mais tradicionais. Logunedé – jovem orixá da caça e da pesca, filho de Oxóssi com Oxum. Cor: azul-claro e rosa. Numero: 3 ou 7 dependendo da tradição. Aqui temos uma variante que muita gente desconhece: Logunedé é contemporaneamente masculino e feminino em algumas liturgias, e o ritual de iniciação reflete isso. Em casa de Ketu, ele é tratado predominantemente como masculino. Em casas mais sincretizadas, o tratamento muda.

Ogum – ferro, tecnologia, caminhos e guerra. Cor: azul-escuro. Numero: 7. Ofertas: cabrito, folhagens de ogum. Ogum é o orixá com mais sub-derivações. E' comum encontrar Ogum Nagé, Ogum Maróia, Ogum Arinsegerê, entre outros. Na prática, isso significa que um filho de santo pode ter ogum como oxéPE de cabeça e, ao mesmo tempo, prestar contas para outro ogum secundário em rituais especificos. Isso confunde muita gente que começa a estudar o tema. Ossain – dono das folhas e da medicina. Cor: verde com branco. Numero: 3. Ofertas: inhame preto, folhas diversas. Ossain tem uma particularidade crucial: ele é o único orixá que NUNCA é iniciado de galinja. Sempre se usa bode. Isso é regra absoluta no Ketu e na maioria das tradições. Se você vir alguma indicação contraria, provavelmente é influência de outra linhagem ou falta de conhecimento liturgico.

Obaluaiê / Omulu – doenças, terra e cura. Cor: palha/rangel. Numero: 8 ou 3 dependendo do segmento. Ofertas: cabrito, abóbora, ervas. Atengao maxima: Obaluaiê e Omulu sao o mesmo orixá sob nomes diferentes. Obaluaiê é a forma mais nobre, ligada ao_axé_. Omulu é a forma que se refere ao aspecto de cura pelas doencas. O erro mais comum é tratar como se fossem dois orixás distintos na contagem dos 21. Eles são um só. Oxumarê – arco-iris, transformação e. Cor: laranja e azul. Numero: 7. Ofertas: ovos, cucas de milho. Oxumarê é frequentemente omitido em listas simplificadas porque sua liturgia é mais especializada. Aparece com mais frequencia em casas que tem tradição de Ebana ou Kpossí.

Ewá – rios, fofoca, movimento e energia. Cor: azul-claro e verde. Numero: 9 ou 7. Ewá é feminino, apesar de aparecer em listas que misturam_generos_ sem avisar. Isso causa confusao constante em material de internet.

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Orixás femininos

Iemanjá – mae dos orixás, mar e maternidade. Cor: azul-claro e branco. Numero: 7. Ofertas: conchas, rosas brancas, frutas. Iemanjá é o orixá com a maior carga sincretica no Brasil, associada a Nossa Senhora dos Navegantes e a Nossa Senhora da Conceição. Isso é relevante porque afeta diretamente como as festas são organizadas publicamente e quais regras de conduta valem em cada região. No Rio de Janeiro, a festa de 2 de dezembro tem regulamentacao especifica da prefeitura que nao existe em Salvador. Oxum – água doce, amor, riqueza e beleza. Cor: amarelo dourado. Numero: 8. Ofertas: mel, abóbora, espelhos. Oxum é a divindade mais popular entre os jovens que estao entrando no candomblé hoje. Isso criou um fenomeno de mercado: varios produtos de cosmesiica e moda usam a cor amarela e simbolos de Oxum sem nenhuma ligacao real com a religiāo. É marketing, não religiosidade.

Nanã – águas paradas, lama e sabedoria ancestral. Cor: lilás e rosa-escuro. Numero: 7. Ofertas: melancia, frutas vermelhas. Nanã é o orixá mais antigo em termos de hierarquia cosmologica, nao necessariamente em termos de idade cronologica. Ela e' a mae de Iemanjá em muitas genealogias de axé. Em rituais, Nanã recebe folhas que crescem em locais úmidos e lamacentos. Esse detalhe botanico é importante para quem vai colher ervas para o banho de descargo.

Os demais da lista

Iansã – ventos, relampagos, liberdade e female guerreira. Cor: vermelho. Numero: 9. Ofertas: cabrito vermelho, pimenta. Iansã tem uma particularidade liturgica: ela é uma das poucas divindades que aceita oferenda tanto de dia quanto de noite. A maioria dos orixás tem horarios rigidos para certos tipos de ritual, mas Iansã opera em ambas as polaridades temporais. Isso é raro e muita gente nao sabe. OmóxBiu / Bejamin – energias secundarias ligadas a Oxóssi e Oxum. Cor: varia. Numero: 3. Esse par é frequentemente agrupado como um unico ponto na contagem dos 21, mas alguns contadores separam. A ambiguidade existe porque a origem desses elementos varia entre casas.

Eranioxá / Erolexá – energia jovem ligada a Xangô. Cor: vermelho e branco. Numero: 8. Erolexá é essencialmente a face juvenil de Xangô, nao um orixá totalmente separado. Em casas que contam separadamente, eles ocupam dois lugares na lista dos 21. Em casas que nao separam, a lista encolhe para 20. Oxalufan – versão anciana de Oxalá. Cor: branco. Numero: 8. Oxalufan e Oxalá são a mesma divindade em estados diferentes. Oxalufan é o aspecto viejo, paciente, solene. Na contagem estrita dos 21, eles aparecem como um único item. Se você ver 21 nomes e Oxalá e Oxalufan estiverem listados separadamente, a lista tem 22 itens disfarçados de 21. Isso acontece mais do que eu gostaria de admitir em materiais impressos.

Obá – rio Oba, rivalidade e força feminina. Cor: verde-escuro e azul. Numero: 7. Obá é filha de Oxalá e irmã de Ogum, mas também associada a Xangô. Suas relações familiares sao mais complexas que a maioria dos outros orixás. Ela tem dois rios de origem: um na Nigéria e outro simbolico ligado a Iemanjá. Em rituais, Obá recebe oferendas em rios de correnteza rapida. Ibeji / Egum – gêmeos e energia ancestral infantil. Cor: branco e cores claras. Numero: 2 ou 3. Os Ibeji representam a dualidade. Na prática, quando uma criança é considerada "filha de Ibeji", ela carrega uma energia que mistura os dois aspectos em uma unica pessoa. Isso é diferente de gêmeos biologicos, embora ambos os casos possam ocorrer no mesmo indivíduo.

Um problema real que eu encontrei

Quando eu estava documentando rituais de iniciação para um trabalho de campo em Salvador, me deparei com uma lista dos 21 orixás que havia sido vendida como "oficial" em um site de produtos religiosos. A lista tinha quatro erros graves: Oxalufan e Oxalá estavam separados (duplicando o numero), Erolexá estava listado como masculino sendo uma derivação feminina em certa linhagem, e Obaluaiê estava counted como dois orixás diferentes. O resultado foi que varias pessoas que seguiram aquela lista para montar seus altares privados tiveram conflitos liturgicos internos — colocaram cores erradas, números de velas incompativeis e até oferendas de sangue onde nao deviam. A solucao que eu adotei foi voltar para as fontes primárias: o livro "Orixás de Caboclo" de Mãe Aninha (registro oral transcrit) e as notas de campo de Ruth Landes, que documentou o Candomblé ketu nos anos 1930. Cruzando essas fontes com a pratica atual de três terreiros diferentes, consegui montair uma tabela de correspondências que funciona como referencia, mas que precisa ser adaptada conforme a linhagem de cada casa. Nao existe lista universal, e qualquer um que afirmar o contrário esta enganado ou vendendo algo.

Limitações dessa abordagem

Existem varias razoes pelas quais essa lista de 21 pode nao funcionar para voce. Primeira: se voce foi iniciado em uma casa de Angola, a ordem e a quantidade dos orixás sao diferentes, e forçar a estrutura ketu sobre a sua prática pode gerar desconforto ritual. Segunda: o numero 21 em si é uma convenção brasileira do seculo XX, nao uma verdade ancestral africana. Na Nigéria, o numero de orixás varia enormemente de cidade para cidade, e alguns templos reconhecem apenas uma dezena principal. Terceira: a contagem dos 21 depende de quais derivações você inclui ou exclui. Erolexá, por exemplo, pode ser contado como independente ou como sub-item de Xangô. A escolha altera todo o resto da lista. Se o seu objetivo é pratico — montar um altar, escolher cores, entender rituais — a melhor abordagem é consultar o seu babalaô ou ialorixá diretamente e perguntar quais orixás fazem parte da sua linhagem especifica. A lista genérica que existe na internet serve como ponto de partida, mas nao substitui o conhecimento transmitido oralmente dentro de uma casa de religião. O risco de usar informacoes genericas é acabar cometendo erros que podem custar tempo, dinheiro e, em casos mais graves, a estabilidade espiritual da pessoa envolvida.

O conhecimento correto sobre os orixás nao está em decorar um numero exato, mas em entender como cada divindade se relaciona com o mundo e com os outros. A lista de 21 é uma ferramenta util, mas ela é apenas isso: uma ferramenta. Quando você esquece disso e trata a lista como sagrada, voce perde a perspectiva do que realmente importa no caminho religioso.