Provas Comentadas - Provas Comentadas Da Oab - RETOEDU
Provas Comentadas Da Oab - RETOEDU

O que são provas comentadas e por que todo mundo insiste nelas

Provas comentadas são aquelas versões de provas anteriores onde alguém resolveu cada questão e escreveu a justificativa para o gabarito. No caso da OAB, você encontra comentários do Nelson Nery Júnior, do Carlos Roberto Gabaglia, enfim, uma turma toda. A ideia é simples: você tenta resolver a prova sozinho, depois confere a resposta e lê o comentário para entender por que acertou ou errou. O problema é que muita gente trata isso como fórmula mágica. Não é. Eu já vi candidato passar dois anos repetindo o mesmo erro na mesma matéria porque o comentário estava mal explicado ou porque ele só copiava a resposta sem parar pra pensar no raciocínio.

Como eu faço provas comentadas na prática

Minha rotina funciona assim: baixo uma prova da primeira fase de qualquer edição dos últimos dez anos. tipo 2018, 2019, 2021. Faço as 80 questões em tempo real, sem olhar o celular, sem pausa. Anoto onde eu vacilei. Aí sim abro o PDF comentado e vou questão por questão. O detalhe importante é que eu não leio o comentário logo de cara. Primeiro eu releio a questão e tento chegar à resposta sozinha de novo. Só aí comparo com o gabarito. Se eu errei, o comentário vira ferramenta de diagnóstico. Se eu acertei por sorte, o comentário mostra por que meu raciocínio estava errado.

Isso costuma levar uns três dias por prova. Se você tem pressa, corta pra dois dias, mas o aprendizado cai pela metade. É lei.

O erro mais comum que eu vejo todo dia

As pessoas escolhem provedores de comentário que têm o mesmo viés que elas. Se você é do lado mais literal da lei e pega um comentário doutrinário, vai travar. Já me peguei nisso com Direito Constitucional: eu achava que a questão era direta porque a lei dizia tal coisa, o comentário do professor puxava pra tese da teoria geral do estado, e eu ficava confuso por dois dias. A solução mais prática é você escolher um comentário que seja alinhado com a banca. A FGV tem um estilo muito próprio. Questões de caso concreto, com enunciados longos. Se você estudar só com comentários de bancas tradicionais como o Cebraspe, na hora da prova real não vai reconhecer o padrão.

Eu descobri isso na pele em 2022. Fiquei dois meses treinando com comentários que privilegiavam a dogmática pura. Quando chegou a prova da OAB, as questões de administrativa eram todas situacionais. Eu sabia a lei de cor, mas não entendia o que a banca queria. Passei na segunda tentativa, depois de ajustar o material.

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O que não funciona com provas comentadas

Ler comentários passivamente. Eu chamo de efeito ilusão de competência: você lê o comentário, entende na hora, acha que aprendeu. Duas semanas depois não lembra de nada. O aprendizado só acontece quando você enfrenta o conflito entre sua resposta e a resposta correta. Outra armadilha é usar só provas comentadas. Você precisa fazer provas sem comentário também. O cérebro precisa treinar pra pegar o padrão da banca, não só pra resolver questões isoladas.

Também não adianta querer cobrir tudo. Eu já vi material de 2010 até 2024 reunido. É besteira. A OAB mudou o perfil das questões. Focar nas provas dos últimos cinco anos já é suficiente pra maioria dos assuntos.

Alternativas quando provas comentadas não ajudam

Se você já tentou provas comentadas e não evolui, o problema pode ser outro. Talvez você precise de exercícios fragmentados primeiro. Questões avulsas por matéria. Aí sim faz a prova completa. Outra opção é estudar com colegas. Cada pessoa erra questões diferentes. Trocar os erros com o grupo custa nada e economiza semanas de estudo solo.

Se mesmo assim não funcionar, considere que o problema pode ser de base. Você não vai resolver questão de processo civil se não sabe o que é coisa processual. Revisar os conceitos fundamentais antes de entrar em provas comentadas costuma ser mais eficiente do que insistir no método.

Vantagens e limitações das provas comentadas

Prós: você identifica lacunas rapidamente, entende o padrão da banca, treina pra resistência de prova longa. Contras: depende muito da qualidade do comentário, pode criar viés se você escolher mal o provedor, e não substitui estudo teórico. O tempo médio que esse método economiza é difícil de medir. Eu diria que para alguém que já tem base, provar comentado bem feito reduz o tempo de identificação de fraqueza em cerca de 60%. Mas pra quem tá começando do zero, o ganho é menor, talvez 20%.

Resumo: use provas comentadas como ferramenta, não como método principal. E principalmente, não confunda entender o comentário com saber resolver a questão. São coisas diferentes.